sexta-feira, 17 de junho de 2016

Arraiá do Chi Pul Pul, em São Luiz do Paraitinga

"Traz a cachaça, Mane,
Que eu quero, quero ver
Paiá avoar..."
(São João na Roça- Luiz Gonzaga)
Festa Junina no Arraiá do Chi Pul Pul, em São Luiz do Paraitinga

Pelo segundo ano consecutivo, pegamos a estrada rumo à charmosa São Luiz do Paraitinga com o objetivo único de ir no Arraiá do Chi Pul Pul, a tradicional festa junina da cidade. No ano passado, acabei não escrevendo sobre a festa, mas esse ano os ventos sopraram à favor e eis-me aqui para relatar o que vivemos por lá, durante o animado arraiá na roça. Não é novidade alguma a minha paixão por essa cidade mágica, que já ganhou vários posts aqui no blog, mas parece que sempre há algo mais a falar desse recanto único no Vale do Paraíba, principalmente se o tema for sobre festas populares, que é a grande paixão dos luizenses.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Tarifa e seus dois mares

Praia em Tarifa, na Espanha, o berço da Andaluzia

Preciso confessar que chegar em Tarifa depois da nossa temporada na África foi, de certa forma, um alívio. O Marrocos me encantou por vários aspectos, que contarei em outro momento, mas é um país que, o tempo todo, nos tira da zona de conforto, pelas diferenças culturais, religiosas e econômicas, que são explícitas lá. Viagens assim sempre me motivam e me fazem repensar minhas próprias crenças, mas não deixa de ser difícil.
Por isso, chegar na Espanha e poder passar alguns dias sem me preocupar com nada foi, naquele momento, um descanso pro corpo e pra alma, ainda mais com aquele clima praiano delicioso, mesmo no inverno. Tanto que acabamos ficando mais dias do que realmente Tarifa exige para ser conhecida, pois queríamos relaxar, usufruir de um conforto emocional de simplesmente acordar e dormir sem ter que fazer muito esforço de pesquisar, perguntar, tomar cuidado com a escolha e negociar o tempo todo, o que era nossa rotina diária nas cidades marroquinas que visitamos. E assim foi que passamos três dias na cidade, em que nossa maior preocupação era estar na praia na hora do pôr do Sol, além de caminhar sem compromisso pelas ruas da cidade. Praticamente, tiramos umas férias das férias.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A travessia entre dois mundos: o Estreito de Gibraltar

"Pa' una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la dejé
Entre Ceuta y Gibraltar"
(Claudestino- Manu Chao)
Pôr do Sol no Estreito de Gibraltar, entre Tânger (no Marrocos) e Tarifa (na Espanha).

Num ataque de fúria, Hércules mata sua esposa e os três filhos. Arrependido, é levado por seu primo Teseu até o Oráculo de Delfos, onde recebe a pesadíssima penitência de executar doze trabalhos colossais, escolhidas por seu maior inimigo, o Rei Euristeu. Vingativo, esse escolhe tarefas que exigiam força descomunal para serem executadas. Uma delas consistia simplesmente em buscar o gado do Monstro Gerião, que ficava para além do mundo conhecido de então, nas proximidades de onde hoje se localiza Cádiz. Para isso, Hércules usa seus próprios ombros e abre o caminho para o plus ultra ("mais além" em latim), criando assim a ligação entre o Mediterrâneo (limite do mundo conhecido) e o Oceano Atlântico (justamente o non plus ultra, o mundo desconhecido). Como resultado dessa abertura na terra, os dois mares são ligados e surge, dessa maneira, o Estreito de Gibraltar. Pelo menos, para a mitologia grega.

domingo, 5 de junho de 2016

Ronda para além do Tajo

"Rondeñas vienen cantando,
sobre la cama me siento, 
porque, en oyendo rondeñas,
se me alegra el pensamiento."
(Cantiga popular de flamenco rondenho)
Ronda, na Andaluzia, região sul da Espanha.

Não escondo minha predileção por viagens mais rústicas, onde o contato com a natureza é direto e constante, principalmente se eu puder ter longas e profícuas prosas com os nativos. Tenho dificuldade em gostar de cidades grandes, com muitos carros, pessoas e movimento e sempre prefiro os sítios mais bucólicos e pacatos. Talvez isso se explique pelo fato de que vivi a maior parte da minha vida no meio do mato, ou talvez por ter morado quase uma década no extremo oposto da paz, em meio ao caos de São Paulo. Não sei o motivo ao certo, mas os lugares que mais me encantam são os que posso ver o horizonte e sentir a brisa e o verde ao meu redor. E se esse lugar ainda tiver um patrimônio cultural, histórico e artístico a ser desbravado, aí é que me sinto mesmo no paraíso. E foi exatamente desse jeito que me senti em Ronda.