terça-feira, 25 de abril de 2017

O 25 de Abril, em Portugal

"Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade..."
(Zeca Afonso)
Revolução dos Cravos, em Portugal

Por 48 anos, Portugal viveu sob a ditadura fascista de Salazar. Foi à meia-noite do dia 25 de abril de 1974, que ao toque na rádio de "Grândola, vila morena", música até então censurada, que a história mudaria, com o início da Revolução dos Cravos. Essa data é até hoje comemorada, sempre com fogos à meia-noite e manifestações ao longo do dia, por todo país. Tivemos a sorte de estar no Porto nessa data e essa foi, pra mim, um dos dias mais especiais que passamos em Portugal. As comemorações haviam começado ainda no dia 24, dia que chegamos à cidade e já com pé direito, assistindo de graça ao show do Caetano e do Gil, numa tremenda sorte pra conseguir ingressos de última hora. Na saída do espetáculo, ouvimos os fogos e descobrimos que o 25 de abril era mesmo levado à sério.

sábado, 15 de abril de 2017

Quatro anos pelo mundo

"We shall not cease from exploration and the end of 
all our exploring will be to arrive where we started 
and know the place for the first time."
(T. S. Elliot)
Porto
(25 de Abril/2016)

Alegria, alegria! Esse bloguinho lindo e charmoso, que tantas boas recordações me traz diariamente completa hoje quatro aninhos de vida e eu não poderia estar mais feliz. É delicioso olhar pra trás e reler os posts antigos, ver quanta coisa passou, quantos lugares incríveis pude conhecer, quanta coisa aprendi em cada viagem, quanto me transformei e quanto o próprio blog também se transformou. Não escondo meu orgulho por ver isso que foi se transformando quase num livro de viagens é delicioso pra mim.
Mas, nem tudo são flores e por não me dedicar integralmente ao Nativos do Mundo, sempre passo por fases de maior, ou menor dedicação à ele, a depender dos compromissos outros da vida e também a depender de um fator fundamental pra mim: a inspiração. Tem épocas que escrevo compulsivamente, quase todos os dias (mas nunca tive posts diários, porque mesmo escrevendo com mais frequência, fico muitos dias escrevendo um único texto). Mas também há épocas que a inspiração foge, que não consigo me dedicar a pesquisar como gosto antes de escrever, que tenho preguiça, ou também, porque outras experiências estão preenchendo minha vida. E preciso confessar que estive mais tempo nessa segunda fase, durante todo ano que passou. Foram apenas 33 posts ao longo do ano e, mesmo assim, com muito esforço. É curioso, porque 2016 foi o ano que mais viajei na minha vida, afinal fiquei seis meses fora do Brasil e, mesmo aqui no Brasil, viajei bastante, mas (ou talvez por isso mesmo) foi difícil atualizar o blog. Tenho postagens com um ano de atraso, esperando serem finalizadas e postagens recentes, que sequer escrevi ainda. Não me arrependo, pois com isso consegui viver o que gostaria na vida real, mas o preço foi ver o Nativos cada vez mais desatualizado.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A Semana Santa na Andaluzia

"Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro."
(Alberto Caeiro)
Semana Santa na Andaluzia

Sou uma apaixonada pelas festas populares e religiosas. Fico encantada com as manifestações de fé que surgem das mais genuínas expressões de alegria. Não me considero uma religiosa, apesar de acreditar em Deus, mas minha ligação com Ele se dá pela festa, pelo sorriso e pela leveza. Por isso, me encantam as religiões de matriz africanas com seus tambores, danças e cantos. Por isso, me encanta a Folia de Reis, a Festa do Divino com suas histórias e lendas. Meu Deus é de festa, é de alegria e não me coloca culpas, nem medos.
Mas há, sim,  uma (única e exclusiva) festa religiosa, que me impressiona e emociona, mesmo não sendo alegre. Aliás, não só não é alegre, como é a mais triste e pesada das manifestações religiosas do cristianismo: a Semana Santa. Não à toa, essa é a mais importante data do catolicismo (esqueça Natal, isso é bobagem), afinal sem ser crucificado e ressuscitar não haveria Cristo. E sem Cristo não haveria Cristianismo. Jesus seria só mais um marceneiro judeu com ideias diferentes dos seus iguais. Talvez, tivesse sido considerado apenas mais um louco. Mas ao ser traído, condenado, crucificado e ressuscitado, morre o homem e nasce o Cristo e, com ele, uma nova religião. Tenho pra mim que a Semana Santa simboliza isso que os homens procuram na fé: o recomeço após a dor. Sempre me impressionou o fato de todo o clima sorumbático e fúnebre das missas da Semana Santa serem seguidos do Domingo de Páscoa, cheio de alegria pela ressureição. E acho que também é esse contraste que me fascina na festa. Impossível negar a condição humana carregada de sofrimento e dor, mas a ressureição vem nos lembrar que um recomeço sempre é possível. No fim, apesar de toda a tristeza, a Semana Santa é carregada de um sentimento de esperança, de possibilidades, de recomeços e de que um mundo novo e melhor é possível...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Guimarães: o berço de Portugal e de uma linda amizade

Guimarães, o berço de Portugal

Lembro muito bem o dia que descobri a Ruthia, enquanto pesquisava uma viagem e me deparei com o incrível Berço do Mundo, o blog escrito por ela, mas bastante influenciado pelo olhar de seu filho, o pequeno explorador Pedrinho. Pra ser sincera, já não me lembro mais qual era o destino que eu pesquisava, porque a lembrança que ficou daquela descoberta foi de me apaixonar pelos textos delicados e inspiradores dela e ir lendo compulsivamente por algumas horas todos os posts que consegui. Ali, nasceu uma admiração sincera, que virou uma amizade virtual e que, alguns anos depois, virou realidade num lindo e ensolarado dia, em que fomos, finalmente, visitá-la.
Mas a Ruthia transformou nosso visita em algum muito maior e divertido: ela e Pedrinho nos guiaram numa deliciosa caminhada por Guimarães, a cidade que viu Portugal nascer e que, portanto, respira história em cada esquina. E graças aos nossos dois amigos pudemos aprender com riqueza de detalhes tudo aquilo que Guimarães representa. A cultura e erudição da Ruthia já conhecia de seus textos, mas a sagacidade e conhecimento do Pedrinho conheci nesse dia e me surpreendi. Pense num guri curioso, esperto, atento e gentil. Pensou? Pois é ele.