terça-feira, 22 de novembro de 2016

Zimbabwe e o choque de civilização

Harare, 30 de Outubro de 2016

Harare, a capital do Zimbabwe

Após quase entrar no vôo errado (porque o aeroporto de Blantyre é um tanto quanto caótico), finalmente entrei num aviãozinho teco-teco que me levaria ao Zimbabwe. Pra minha grata surpresa, a viagem de apenas 50 minutos foi conduzida por uma capitã, mulher e negra e eu fiquei encantada com isso. As mulheres africanas são fabulosas e me surpreendem cada dia mais por sua garra e força.

Já na chegada à Harare, capital do país, levei um choque de civilização: ar condicionado, esteiras para as malas, lojas dentro do aeroporto. Já entendi que as coisas ali não seriam como no Malawi e, com o tempo minha impressão, se confirmou e se ampliou. Chegava a um país completamente diferente.

domingo, 13 de novembro de 2016

As maravilhas do Lago Malawi

Lago Malawi

O Malawi é um país pequenino, espremido entre Moçambique, Zâmbia e Tanzânia e sem saída para o mar. Mas, em compensação, tem em seu território boa parte de um dos maiores lagos de toda África, tanto em extensão, quanto em profundidade: o fabuloso Lago Malawi, o mais famoso ponto turístico do país. Seu tamanho e também sua biodiversidade são tão importantes que, desde 1984, o lugar é considerado Patrimônio Mundial Pela UNESCO e aqui encontram-se várias espécies de peixes que não existem em nenhum outro lugar do mundo. O lago tem milhões de anos de existência e faz parte do imenso Vale do Rift, que é uma falha tectônica, que vai desde Moçambique até a Síria e surgiu, quando da separação dos continentes africanos e asiáticos.
Foi para esse cantinho especial que mais parece saído de uma cenário de filme, que fui com colegas de trabalho, no primeiro fim de semana semana prolongado que tive no país, numa deliciosa e inesquecível aventura, que relato a seguir.

sábado, 5 de novembro de 2016

Muribandji, Malawi?

Blantyre, 21 de outubro de 2016


Malaui, ou Malawi

Quando mais da metade da população é analfabeta, os mistérios parecem ser maiores. As fantasias e lendas ocupam o espaço da informação, o que tem seu lado lúdico e até poético, mas deixa o povo completamente entregue à própria sorte. Assim me parecem ser os nativos do Malawi. Sempre com um sorriso largo e aberto, numa hospitalidade que poucas vezes vi em outros lugares, mesmo quando suas roupas estão sujas, quando seus rostos estão esqueléticos e sua aparência é de cansaço. Um povo pacífico, que por conta desse temperamento afável evitou as guerras civis que assolaram seus vizinhos, como Moçambique. E, realmente, guerra não combina com esse país. A humildade que exala do olhar dessa gente pacata e calorosa beira à subserviência. Acatam as ordens sem questionar e sorrindo. Sentem-se gratos apenas pela nossa presença, pois vêem nos estrangeiros, sua única esperança.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Entre Blantyre e Lilongwe

Blantyre, 13 de outubro de 2016

Pelas estradas do Malawi

Ontem, fiz minha primeira viagem de carro pelo Malawi. Cinco horas entre Blantyre, a segunda maior cidade do país e Lilongwe, a nova capital federal, numa estrada com bom asfalto, porém mais frequentada por pedestres do que por carros. Todos parecem usar as rodovias (com apenas uma pista em cada sentido e sem acostamento), como passagem. São incontáveis as crianças  vendendo mice, um pequeno rato frito, que eles comem (com rabo e tudo) como petisco, assim como os muitos meninos que vi trabalhando nas pequenas fazendas do caminho. E são muitas as pequenas fazendas, que sustentam as tantas famílias miseráveis do país. Viajei numa manhã de quarta-feira e a quantidade de crianças no caminho seria aceitável num domingo, mas nessas circunstâncias logo deduzi que estavam todas fora da escola, o que é a realidade de muitos meninos no Malawi.