quarta-feira, 17 de abril de 2013

As fabulosas Cataratas do Iguaçu


Cataratas do Iguaçu

Fizemos essa viagem no feriado de Páscoa, achando que seria um feriado tranquilo. Ledo engano!

Chegamos em Foz de madrugada e logo de cara já encaramos o primeiro perrengue: havíamos feito uma reserva de locação de carro na Unidas, mas chegando no aeroporto, descobrimos que simplesmente não havia mais carros disponíveis, pois todos já haviam sido alugados. Parece que a Unidas não conhece o significado da palavra RESERVA. Isso era mais de 1h da manhã e eu já achei que nossa viagem tinha ido pelos ares. A sorte foi que a Localiza ainda tinha carros disponíveis. Apesar do preço maior, foi a única solução. Enfim, motorizados, seguimos rumo ao hostel!
Ficamos hospedados no Hostel Klein, em Foz do Iguaçu mesmo. Chegamos lá  quase 3h da manhã e nova decepção: feio, mal-cuidado, esquisito. Mas a cama era confortável e era isso que queríamos: dormir e nada mais! Afinal a idéia era curtir as cataratas e não ficar no hostel.


Cataratas do Iguaçu: lado brasileiro

Tranquilo pra chegar, sem problemas pra estacionar. Já havíamos comprado ingresso pela internet e a fila mesmo foi só para pegar o ônibus, que nos levaria até as trilhas pras cataratas, afinal o parque é enorme e não podemos andar de transporte próprio lá dentro. Tudo bem organizado! O único problema foi a quantidade de gente pra ver as cataratas: MUITA! Descobrimos, então, que a semana santa é quando foz fica mais cheia, pois é feriado na Argentina também e os hermanos seguem em procissão rumo à Foz e Puerto Iguazu.
Caminhamos em meio à multidão e, de repente, ei-las: as Cataratas do Iguaçu


Cataratas do Iguaçu

Confesso que minha primeira impressão foi: que lindo, mas muito longe! Foi mesmo SÓ a primeira impressão, pois a trilha nos leva cada vez mais pra perto delas até terminarmos o passeio com um delicioso “batismo” na Garganta do Diabo, quando praticamente entramos dentro do Rio Iguaçu e tomamos um banho gostoso só com a “chuva que sobe”  após a queda d`água de cerca de 80m de altura.

Cataratas do Iguaçu

Cataratas do Iguaçu

O bonito do lado  brasileiro é ter uma visão geral daquele espetáculo todo, mas o parque brasileiro só representa 20% das cataratas. Vale a pena pelo visual, mas sinceramente, não é indispensável. Pra quem tem pouco tempo pra gastar nas cataratas, a melhor opção é ir direto pro lado argentino!
Em duas horas, percorremos todo o circuito brasileiro e terminamos com um almoço no Restaurante Porto Canoas, com vista pra garganta do diabo. Fantástico!

Cataratas do Iguaçu
Vista do Restaurante Porto Canoas
Após o passeio, fomos até o Parque das Aves: bacaninha, mas não sou lá muito fã de zoológicos. É legal  a parte em que andamos dentro das gaiolas dos bichos, mas fico com dó deles.  Confesso que me dá certa aflição vê-los presos, apesar de saber que muitos estariam sem conseguir reproduzir-se se não tivessem protegidos.
Parque das Aves, ao lado das Cataratas do Iguaçu
Parque das Aves

A lua cheia nas Cataratas do Iguaçu

Saímos de lá no fim da tarde e partimos pra uma das maiores aventuras da viagem: o passeio da lua cheia, no lado argentino das cataratas. Tentamos reservar com antecedência e não conseguimos, pois já havia esgotado, mas decidimos arriscar e ir até lá pra ver se havia alguma desistência, mas nada garantido e  fomos ao sabor da sorte.
Seguimos rumo à  fronteira e eis que após a aduana brasileira, atravessando a Ponte da Fraternidade (que passa por cima do Rio Iguaçu e faz a fronteira entre Brasil e Argentina), olhamos para a direita e: pôr do Sol bem em cima do Rio Iguaçu! Não resistimos e paramos pra ver.  Fiquei emocionada de estar ali, num território neutro e acima de qualquer pátria, vendo  aquele espetáculo. Foi lindo! 

Rio Iguaçu
Margem esquerda: Argentina/ Margem direita: Brasil

Não queria que acabasse, mas não podíamos esquecer nosso objetivo: o passeio da lua cheia, que começaria às 20h! E seguimos adiante!
Na fronteira, fila ENORME de carro.  Passamos sem dificuldade e chegamos no parque argentino às 19h e o Thiago com seu bom e simpático portunhol conseguiu convencer os funcionários a nos deixarem esperar até às 19h50 pra ver se alguém faltaria. Foram minutos de expectativa e no fim: CONSEGUIMOS! Na mesma situação, estava um casal (ele, inglês e ela, malasiana que haviam se conhecido uma semana antes, no Rio de Janeiro). Logo fizemos amizade e terminamos a noite juntos, bebendo um Malbec de Mendoza e comendo a carne argentina, que o inglês, aliás, se refastelou!
O passeio começou pontualmente às 20h e pegamos o trem direto para a Garganta do Diabo. Da estação de trem até a Garganta há uma trilha de uns 3km, que fizemos no escuro, apenas tendo a iluminação da lua, que era um espetáculo à parte: enorme, redonda, linda!  Ela iluminava tão bem que sequer sentimos falta de iluminação artificial para fazer a trilha. Pelo lado argentino, vemos a garganta do alto e a impressão que tive foi que aquilo parece que leva pra uma outra dimensão. Lembra um buraco negro, daqueles que a gente estuda em astronomia, na escola. A noite estava linda, o céu magnífico e sem nenhuma nuvem. A lua estava exatamente em cima da garganta e seu reflexo nas águas revoltas das cataratas foi um espetáculo inesquecível. Pra terminar, ainda tivemos a sorte de ver o famoso “arco-íris de prata”, formado pela luz da lua refletindo na “fumaça” das cataratas. Mágico! 
Garganta do Diabo, em passeio durante a Lua Cheia, nas Cataratas do Iguaçu.
Garganta do Diabo

Garganta do Diabo em passeio durante a Lua Cheia nas Cataratas do Iguaçu
Garganta  do Diabo

Fomos embora, não antes sem levar (mais um) banho das cataratas e dessa vez, no frio. Mas valeu a pena! Foi um dos pontos altos da viagem!


Usina de Itaipu e o Marco das Três Fronteiras

Não conseguimos acordar cedo, pois havíamos ficado quase duas noites sem dormir direito. Optamos, então, por fazer um passeio mais sossegado e fomos conhecer a Usina de Itaipu. Fiquei realmente impressionada com a organização e a estrutura deles! É uma instituição binacional, em que Brasil e Paraguai tem cada um, metade de tudo lá dentro, mas acaba que o Brasil compra boa parte do que o lado paraguaio produz. O passeio começa com um vídeo (ou seria uma lavagem cerebral?), exaltando tudo que a Usina fez para minimizar os danos causados pelo alagamento de uma área de quase 1500km quadrados, que deve ter destruído muitas comunidades ribeirinhas e matado muito bicho. Mas fato é que eles tem muitos projetos sócio-ambientais na região. A estrutura da usina é gigantesca e meio megalomaníaca. Tudo lá é o maior e melhor do mundo. 
Saímos de lá cedo e fomos ver o pôr do Sol no Marco das Três Fronteiras, onde Rio Iguaçu desemboca no Rio Paraná e encontram-se as fronteiras do Brasil, Argentina e Paraguai. Lugar agradável, mas nada de muito especial.
Tríplice Fronteira: Brasil, Argentina e Paraguai
À esquerda: Argentina/ À direita: Paraguai/ Embaixo: Brasil

Tríplice fronteira: Brasil, Argentina e Paraguai

Cataratas do Iguaçu: lado Argentino

Dia de acordar cedo pra mais aventura: precisávamos cruzar a fronteira e ainda comprar os ingressos para entrar no Parque Argentino, pois eles não tem a opção de compra pela internet. E ainda queríamos fazer o famoso passeio de barco pelo Rio Iguaçu, indo até as cataratas.
Foi um dia agitado e intenso! Logo na saída do hostel, o poste levou o retrovisor do carro, enquanto o Thi manobrava (poste malvado! rs). Mas são ossos do ofício e seguimos pra Argentina! Dessa vez, demos sorte e não tinha fila na fronteira! Em compensação, pegamos um trânsito interminável na estrada pras cataratas. Ficamos procurando algum acidente, desabamento, qualquer coisa que justificasse aquele trânsito não andar, mas que nada: era mesmo o povo indo passar a páscoa no  parque! Saímos do hostel às 7h e só conseguimos estacionar o carro às 9h e isso porque estacionamos ainda na estrada e tivemos que andar uns bons 2km até a entrada do parque.
Chegando lá, mais perrengue: compra do ingresso só em pesos e não aceitavam cartão. Pronto! Não tínhamos pesos. Aliás, mal tínhamos reais. Fomos na certeza que pagaríamos com cartão.
Eu já estava irritada e desanimada com o trânsito e fiquei ainda mais com a falta de estrutura do parque (e também com a nossa imprudência de não levar dinheiro). Eu queria desistir, mas o Thiago é guerreiro e foi atrás de uma solução até que descobriu que havia caixas eletrônicos por lá, mas eram dentro do parque! E agora?
O Thi, então, teve a fabulosa idéia de entrar no parque, sacar e sair. Convencemos o (nada simpático) guardinha e ele deixou, mas apenas um de nós poderia entrar.  O Thi foi.
Eu, por minha vez, fui para a fila do ingresso, que estava muito, mas MUITO grande (entrando dentro do estacionamento, já que não tinha um lugar próprio pra formar uma fila decente). Fiquei embaixo do sol, sem conforto e com calor. E isso, de fato, foi minha única crítica ao parque argentino: falta de estrutura! Deveriam vender os ingressos pela internet, o que já diminuiria as filas e deviam disponibilizar uma estrutura melhor para a chegada do turista ao parque. O que percebi é que lá tudo é montado para as agências de turismo. Os ônibus e vans chegam aos montes e “desovam” dezenas de turistas que entram direto sem pegar fila. Nessa parte, preciso elogiar o lado brasileiro, pois tinha tanta gente quanto o lado argentino, mas não pegamos trânsito, nem fila (e mesmo pra quem estava na fila, tinha uma cobertura que protegia do sol).
Enfim, depois de mais uma hora de espera, cheguei  ao início da fila e nada do Thiago! Comecei a deixar as pessoas passarem na minha frente e comecei a me preocupar. Por que tanta demora  para sacar um dinheiro?? De repente, vejo o Thi vindo na minha direção correndo,esbaforido e completamente suado, com os pesos na mão, parecendo um troféu!
-O que houve? Porque demorou tanto?
Bom, o caixa eletrônico não funcionava e o Thi se deu conta que havíamos esquecido de ligar pro banco pra liberar saque internacional. Dentro do parque, ele teve a ideia de ir até a empresa que faz o passeio de barco: fechando o passeio, talvez eles incluíssem as entradas do parque no pacote. No quiosque da agência, não aceitavam cartão e o mandaram a agência principal, que supostamente ficava a 200m dali. Ele andou (ou melhor, correu) uns 500m e nada. A sorte foi que achou um brasileiro, que conhecia muito bem o parque e o orientou. Daí, achou finalmente a agência e tentou:
-Se eu fechar o passeio, vocês podem passar no cartão alguns pesos a mais para eu pagar nossas entradas?
-SIM.
E de lambuja ainda o levaram de carro de volta até a entrada do parque, onde eu o esperava ansiosamente.
Assim começou nosso dia no Parque Nacional do Iguazu e, apesar do meu incômodo inicial, posso dizer: valeu a pena!

Gran aventura

Começamos com a Gran Aventura (o equivalente ao Macuco Safari, do lado brasileiro) e foi incrível.

Cataratas do Iguaçu
Local de embarque pra "Gran Aventura", no Rio Iguaçu

Quase tocamos as pedras e ver as cataratas de tão pertinho é fantástico. O barco entra literalmente dentro da queda e a sensação é deliciosa. Mas o que mais me encantou foram as pedras que compõe o cânion das cataratas: são vulcânicas e todas talhadas pela água. Na verdade, as cataratas recuam ao longo dos (milhares de) anos, devido a erosão, então um dia não haverá mais cataratas!

Cataratas do Iguaçu

Saímos do passeio e voltamos à multidão. Passamos por uma trilha, costeando as quedas de Adão e Eva e parecia que a beleza não tinha fim. Tirando aquele mundaréu de gente, estava perfeito.


 Fomos subindo as cataratas, pelo circuito superior e as pontes nos permitem vê-las bem de perto, quase como se flutuássemos por cima delas.

Cataratas do Iguaçu

A Garganta do Diabo

Por fim, restava ver novamente a Garganta do Diabo, dessa vez, de dia!
Deixamos pra pegar o último trem, justamente porque queríamos fugir da multidão e também queríamos tentar ver o pôr do sol lá de cima. Mesmo assim, ainda esperamos 30 minutos para pegar o trem. A garganta estava iluminada com o Sol do fim de tarde, que se põe do lado oposto ao das cataratas e a luz estava incrível. 
Pôr do Sol na Garganta do Diabo, nas Cataratas do Iguaçu
Pôr do Sol, na Garganta do Diabo

Dessa vez, o vento estava na direção oposta ao mirante e conseguimos curtir o visual sem tanto banho, apenas sentindo a fumacinha que sobe, quando a água chega no fim da queda. Por volta das 18h, fomos literalmente expulsos e escoltados pelos guardinhas que precisavam fechar o parque.
Pra chegar de volta até o carro, andamos no escuro pela estrada e o céu estava lindo! O único pensamento era: que dia!


Pra fechar o dia (e a viagem), fomos jantar no “El Quincho do Tio querido”, em Puerto Iguazu, onde comemos um bife de chorizo delicioso e ouvimos uma música típica argentina com dois músicos muito bons!
Eu teria me hospedado em Puerto Iguazu, se soubesse o quão aconchegante e simpática essa cidadezinha é. Gostei bem mais do que de Foz, que é uma cidade fria e esquisita. Além do mais, está mais próxima do parque argentino, que é mais interessante que o brasileiro.
Enfim, foi uma viagem tipicamente turística. Com passeios muito badalados e concorridos. Costumo preferir viagens menos turísticas e mais tranquilas, mas valeu a pena. É um lugar pra se ir, pelo menos,uma vez na vida.
Na despedida, já no avião, ganhamos de brinde uma vista das cataratas do alto. Um espetáculo!



Mais fotos:

Cataratas do Iguaçu


Cataratas do Iguaçu
Quatis são presença garantida! São fartamente alimentados pelos turistas (que os acham "bonitinhos") e acabaram proliferando demais, por lá. 

Cataratas do Iguaçu
Parque Nacional do Iguazu

Cataratas do Iguaçu
Por que as borboletas vivem ficando presas na lama? Essa nós salvamos! rs

Cataratas do Iguaçu
Serpentes, borboletas e humanos em boa convivência!


Mais sobre a Argentina:

9 comentários:

  1. Legal o blog de vcs! Já tinha passado por Foz e não conhecia esse passeio da lua cheia. Adorei os outros relatos também. Tenho um blog parecido com o seu, querendo visitar www.omofeticonaestrada.com

    Até mais

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    1. Guilherme, obrigada pela visita. Fui lá no seu blog e achei bem bacana! Parabéns!
      Até mais! :)

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  2. Ola esta procurando algumas referencias sobre esse passeio
    e vi que voce deixou um link em outro post e resolvi clicar.
    Acertei, pois voce fez com que minha expectativa ficasse ainda maior e e acabou com qquer sombra de duvidas sobre minhas intencoes
    gostando inclusive das fotos, parabens !

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    1. Olá, Rodrigo. As cataratas são um espetáculo mesmo e tenho certeza que você vai gostar muito de conhecê-las!
      Que bom que gostou das fotos.
      Abraços.

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  3. Qual melhor passeio Luna Llena? O da Argentina ou o Brasileiro? Abs!!!

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    1. Olá, Marcus Vinicius! Pergunta difícil essa sua! rs Eu fui apenas no passeio do lado argentino e posso dizer que foi uma experiência mágica! Do lado argentino, você fica praticamente dentro da Garganta do Diabo e do lado brasileiro a visão é mais panorâmica, daí vai depender de que tipo de experiência vc quer ter: o lado argentino acho mais intenso! rs
      Espero ter ajudado!
      Abraços

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  4. Qual melhor passeio Luna Llena? O da Argentina ou o Brasileiro? Abs!!!

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  5. Deve ser inesquecível.....se puder um dia visitarei

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    1. Vá assim que puder, Herminio! É incrível! :)
      Abraços

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