quarta-feira, 1 de maio de 2013

Enfim, o Vale Sagrado e Machu Picchu

Machu Picchu vista de Huayna Picchu
Machu Picchu, observada de Huayna Picchu
Deixamos pro final, de propósito, o principal ponto turístico do Peru: Machu Picchu. Queríamos terminar a viagem com chave de ouro. E funcionou! Essa região é carregada de uma magia indescritível; lá respiramos história o tempo todo, além de mergulharmos na impressionante cultura inca.

Chegamos em Cusco cedo e tínhamos duas missões importantes, antes de seguir pro Vale Sagrado: deixar o excesso de bagagens no hostel, já que passaríamos os próximos dois dias camelando; e comprar as passagens de trem até Águas Calientes.
O pessoal do hostel foi tão solícito, que deixamos nossas bagagens lá por dois dias sem que eles cobrassem nada por isso. Levamos apenas as mochilas com o essencial.

Planejando nossa viagem, decidimos não deixar nenhum roteiro fixo pre-estabelecido. Tínhamos um roteiro ideal, mas todo a viagem poderia ser mudada de acordo com nossa vontade. A única exceção foi quanto a ida pra Machu Picchu. Sendo um dos lugares mais visitados do mundo, queríamos garantir nossa entrada, principalmente para subir Huayna Picchu. Portanto, daqui do Brasil já compramos os tickets pro dia 17 de novembro e fizemos toda a viagem com essa data-limite para os outros passeios. Na verdade, quem comprou os tickets foi uma amiga do Thi, que mora em Lima, já que o site da Ministério do Turismo do Peru (onde supostamente poderíamos comprá-los) simplesmente não aceitava nenhum dos nossos cartões de crédito.
Só faltava comprar as passagens de trem, que esquecemos de comprar antes. Por causa disso, tivemos que pegar o trem em horário alternativo, indo no dia 15 à noite para Águas Calientes, mas nada que atrapalhasse o roteiro.

O Vale Sagrado: Ollantaytambo

Mochilas nas costas e passagens compradas, seguimos para o Vale Sagrado.
Pegamos uma van, no "centro" de Cusco e nossa idéia era parar no meio do caminho para depois pegar outra condução até Moray e as Salinera de Maras, porém no meio do caminho começou a garoar e fiquei com medo de ficarmos ilhados lá. O Thi queria tentar, mas eu não quis. E sofro até hoje de arrependimento, pois logo depois o tempo abriu, mas já estávamos longe pra voltar. Pelos fotos que vi de lá, parece um lugar incrível. Aliás, essa foi uma boa lição de viagem pra mim: na dúvida, a melhor opção é ir! Fomos pro Peru, no início da temporada de chuvas e sabíamos do risco que correríamos. Acho até que demos sorte, pois apenas choveu nos últimos dias de viagem.

Acabamos descendo em Urubamba pra pegar outra condução até Ollantaytambo. Em Urubamba mesmo não tem muita coisa e nem vale a pena ficar muito tempo.

A chegada em Ollantaytambo foi tensa, pois as vans estavam sendo vistoriadas pela polícia e a nossa não parecia estar com documentos em dia. Sem entender muito bem o que se passava, descemos e fomos andando até as ruínas.

E logo de cara foi um espanto! Que espetáculo são as ruínas de Ollantaytambo!

Ollantaytambo, ruínas incas no Vale Sagrado do Peru, no caminho para Machu Picchu.
Ollantaytambo

Ollanta (como é chamada pelos peruanos) está cravada numa montanha e sua monumental estrutura era usada como templo de adoração e observação astronômica. Após a invasão espanhola à Sacsayhumán, o imperador inca veio para cá, onde passou a morar depois de restituído de seu poder. As ruínas são perfeitamente moldadas às montanhas e para chegar ao seu pico é necessário subir 200 degraus. Ao lado dessa escada, a cada 10 ou 15 degraus, os incas construíram as suas famosas terraças. Observadas em quase  todas as ruínas incas, as terraças são enormes "degraus" (de cerca de dois metros) construídos respeitando o próprio declive da montanha; serviam para agricultura e, principalmente, para evitar deslizamento de terra durante os abalos sísmicos, muito frequentes em toda região dos Andes. E são de extrema eficácia, persistindo firmes até hoje. 

Ollantaytambo, ruínas incas no Vale Sagrado do Peru, no caminho para Machu Picchu.
As terraças de Ollantaytambo
Sacsayhuamán
Terraças de Sacsayhuamán

Terraças (mais simples) de Amantaní
Terraças de Machu Picchu
Terraças de Machu Picchu


Na parte alta das ruínas, chegamos ao Templo do Sol, outra construção também  frequente nas ruínas incas (sendo a mais exuberante a de Machu Picchu), usada para cerimônias de adoração aos deuses.
Continuando a caminhada, seguimos uma trilha que leva ao lado oposto das ruínas, onde localiza-se a pedreira que era fonte da matéria-prima pros arquitetos incas.

Ollantaytambo, ruínas incas no Vale Sagrado do Peru, no caminho para Machu Picchu.
Ollantaytambo

Ollantaytambo, ruínas incas no Vale Sagrado do Peru, no caminho para Machu Picchu.
Ollantaytambo

Passamos um bom tempo caminhando por aquelas ruínas e ficaria mais se não fosse pela fome
Saímos de lá e fomos almoçar, num dos simpáticos restaurantes da cidade. Almoço com vista para as ruínas e muito agradável.

Depois do almoço, partimos pra conhecer a cidade velha, que apesar do nome, ainda é moradia de muitos nativos, que parecem viver parados no tempo. São estreitas ruas de pedra, cercadas de altos muros também de pedra. Num primeiro momento, o lugar me lembrou um gigantesco labirinto, em que todos os becos parecem iguais, mas logo observamos pequenos detalhes, que dão uma característica própria a cada casa. A maioria apresenta um portão principal, que leva a um pátio central e os cômodos encontram-se ao redor desse pátio. É curioso ver tanta movimentação (com crianças brincando nas ruas e homens passando de bicicleta), numa estrutura tão arcaica, o que  mais uma vez dá dimensão da robustez da arquitetura inca: apesar de  velha, as casas estão intactas e bem conservadas.

Ollantaytambo, ruínas incas no Vale Sagrado do Peru, no caminho para Machu Picchu.
Ruas da cidade velha, em Ollantaytambo
E aqui na cidade velha, nós tivemos uma das experiências mais interessantes da viagem. Em todo Vale Sagrado, é comum encontrarmos pequenos bares,em cuja entrada há um mastro de pau com uma espécie de bandeira vermelha na ponta. Esse é o sinal de que naquele lugar há a chicha, uma espécie de cerveja de milho artesanal, produzida pelos próprios nativos.

Ollantaytambo, ruínas incas no Vale Sagrado do Peru, no caminho para Machu Picchu.
Mastro com bandeira vermelha indicando que ali pode-se beber a chicha
Entramos num dos inúmeros bares que tinham o mastro e confesso que a primeira impressão foi de constrangimento. O lugar era sujo, quase sem móveis, com chão de terra batido e haviam alguns nativos bebendo a chicha, tirada de dentro de um balde (mais sujo que o próprio local) por uma senhora gorda e simpática. Quando entramos, todos nos olharam surpresos, pois nitidamente não estavam acostumados com turistas e mal conseguiam falar o espanhol conosco. A agradável dona do bar nos serviu a tal cerveja e eu dei apenas uma bicadinha, o suficiente pra achar aquilo horrível, quente e amargo. O Thi tomou dois copos e eu fiquei com a certeza de que ele passaria aquela noite dentro do banheiro,o que por sorte não aconteceu.
Eles conversavam entre si em Quéchua e a impressão que tive foi a de ser um E.T. de tanto que eles estavam curiosos conosco. Logo chegou um rapaz que era mais comunicativo no espanhol e conseguimos trocar algumas idéias. Sem dúvida, foi uma experiência antropológica.
Nativos em Ollantaytambo, ruínas incas no Vale Sagrado do Peru, no caminho para Machu Picchu.
Nativos tomando a famosa chicha
Saímos de lá já no comecinho da noite e só nos restava esperar o trem para Águas Calientes, que sairia de Ollanta por volta das 21h. Entramos num agradável café, às margens do rio e ficamos lá bebendo pisco sour, enquanto esperávamos a partida do trem. Foi uma viagem tranquila e dormimos quase o tempo inteiro, pelo cansaço acumulado.

Chegamos em Águas Calientes embaixo de um forte temporal. Havíamos reservado um hostel e o combinado seria algum funcionário nos encontrar na estação. Procuramos alguém e não encontramos. A estação já estava quase vazia e nós estávamos um  tanto perdidos, pois não tínhamos nem o endereço do hostel. Aquele desencontro somado com a chuva torrencial me deu um desânimo enorme, como se a viagem tivesse terminado ali. Não sei da onde surgiu um homem, que nos avisou que o ponto de encontro de todos que iriam ao nosso hostel era na Plaza de Armas, logo saindo da estação de trem. Que alívio!
Conseguimos encontrar com nossa turma e todos já estavam nos esperando. Acho que só nós não sabíamos que o encontro seria ali. Seguimos a pé e embaixo de chuva pelas ladeiras do pequeno povoado até o hostel e, enfim, chegamos ensopados.
O hostel era horrível e o ralo do box estava entupido, mas após  um dia inteiro de caminhada seguido de um banho de chuva foi o banho quente mais bem recebido do mundo!

Antes de dormir, tentamos pendurar as roupas com a esperança de que secassem, já que estávamos com apenas duas mudas. Mas a preocupação maior era: como será o passeio a Machu Picchu? E se essa chuva não passar? Sabíamos que estava começando o período de chuvas e conhecíamos o risco, mas a esperança é a última que morre e rezamos pra São Pedro dar uma forcinha.

Enfim, Machu Picchu

Dormi como um anjo e, de manhã, assim que acordei, meu olho foi direto pra janela: SOL! Ufa! Que alívio e alegria!  Na verdade, não era um céu azul e um dia brilhantemente ensolarado. Estava até bem nublado e frio, mas em comparação ao cenário da noite anterior, estávamos no melhor dos mundos.
Tomamos café com um colombiano simpático e seguimos pro destino mais aguardado da viagem: Machu Picchu!

De Águas Calientes, pegamos um ônibus até a entrada de Machu Picchu. Na espera do coletivo, já comecei a observar aquilo que repetidamente acontece em todos os pontos turísticos famosos, do mundo: a invasão de grupos de turistas, guiados por agências de viagem. E convenhamos que é uma coisa ridícula o guia caminhar na frente com uma bandeirinha e aquele povo todo atrás, como se fossem gado indo atrás do vaqueiro. Esse definitivamente não é um turismo que me agrade.

Em 15 minutos de uma subida íngreme e sinuosa, enfim, chegamos a entrada do santuário histórico. Uma pequena fila para apresentação dos tickets e já estávamos lá dentro.
Após uma curta caminhada, olhamos pra direita e lá estava: MACHU PICCHU, muito mais bonita do que em qualquer foto.

Machu Picchu
Machu Picchu 

Passamos algum tempo assim, de longe, apreciando aquilo tudo. O dia nublado fazia com que nuvens passassem por dentro das ruínas, o que aumentava a sensação de que estávamos no céu. A energia daquele lugar é inexplicável.

Machu Picchu foi construída entre montanhas andinas, no meio da floresta e a escolha do lugar foi tão precisa que passou despercebida da ganância espanhola e não sabíamos da sua existência até sua "redescoberta" em 1911, por um pesquisador inglês chamado Bingham, que achou que encontrara a cidade de Vilcabamba, último refúgio do rebelde inca Manco Cápac.
Todo o mistério envolvendo a "cidade perdida dos incas" foi destrinchado, num documentário da National Geographic, apresentado em quatro capítulos e disponível no YouTube. Os vídeos  valem a pena!

Passado o espanto inicial com aquela beleza toda, seguimos rumo a entrada de Huayna Picchu. Havíamos comprado os ingressos, incluindo a subida dessa montanha, pois achávamos que de lá seria a famosa vista que sempre víamos nas fotos. Estávamos enganados! Descobrimos que Huayna Picchu é, na verdade, essa montanha que fica em frente a Machu Picchu, que está sempre  presente na famosa foto. E encararíamos uma tremenda escalada pra chegar no topo! Mas já estávamos lá e decidimos encarar o desafio. No fim, valeu a pena todo o esforço! A vista é magnífica e inesquecível!

Huayna Picchu
Parte da subida de Huayna Picchu
Dei graças pelo tempo nublado, que amenizou o caminho e também por já ter me habituado com a altitude (apesar de Machu Picchu ficar 700m mais baixo de Cusco). Rezei pra dar tudo certo e seguimos em frente, ou melhor, ao alto.
A subida começa, na verdade, com uma descida, já que precisamos sair de Machu Picchu pra chegar na base de Huayna Picchu e só então começar sua escalada. O caminho é verdadeiramente íngreme! Alguns trechos chegam a dar certa vertigem e os inúmeros degraus altos (principalmente pra mim que sou baixinha) são um teste aos joelhos dos visitantes. E pensar que os incas eram pícnicos, mas mesmo assim, andavam por aqueles caminhos descalços e sem dificuldades.

Huayna Picchu
Subida de Huayna Picchu
Durante a maior parte do caminho, perdemos a vista para Machu Picchu e quando chegamos ao fim da subida, como numa miragem,ela apareceu lá embaixo, pequena e delicada, como um botão de rosa entre as várias montanhas que a cercam.

Machu Picchu visto de Huayna Picchu
Machu Picchu
Chegar ao topo de Huayna Picchu é como chegar ao topo do mundo! É uma sensação inacreditável e de total superação. Ficamos lá em cima bastante tempo e aos poucos descobrimos outras riquezas do lugar, que dá pra todo vale do Urubamba.

Machu Picchu no Peru
Machu Picchu bem pequena à esquerda e o Rio Urubamba lá embaixo à direita

Começamos a descida com mais prudência ainda, pois uma garoa fina começou a cair. Ainda bem que logo parou.

Voltamos à Machu Picchu e ainda queríamos andar pela cidade, em si, já que assim que chegamos já subimos Huayna Picchu. O Thi fez amizade com um guia e seguimos o seu grupo aproveitando o finzinho da visita dele pra conhecer as inúmeras fontes, a moradia da nobreza e o fabuloso Templo do Sol.
Depois, o guia deu por encerrado seu trabalho e seguimos sozinhos pela parte alta da cidade.
Havíamos levado biscoitos e água, mas no meio da tarde, a fome começou a apertar. Saímos da cidade e fizemos um lanche (caro e ruim), na única lanchonete próxima a entrada de Machu Picchu. Quando voltamos, observamos que estavam chegando inúmeros grupos de estudantes peruanos, que entram de graça nas ruínas e aproveitam o fim do dia para estudar a cidade sem tantos turistas. Achei isso bem bacana.

Ficamos o máximo que conseguimos lá e fomos embora com a sensação de que ainda havia muita coisa pra ser vista. Machu Picchu,sem dúvida, faz jus ao título de sétima maravilha do mundo moderno.

Voltamos para Águas Calientes com a sensação de ter ido ao paraíso.
Jantamos num agradável restaurante, numa das pequenas ruas do povoado, onde uma colombiana estava tomando aula de charango com um nativo (que mais parecia um índio americano) e o Thi arranhou algumas notas no pequeno "violãozinho" com eles.
Mais uma vez, dormimos cedo, cansados e felizes.

O Vale Sagrado: Pisac

Nosso último dia no Peru foi também um dos mais aventurescos. Nosso trem partiu de Águas Calientes bem cedo e, dessa vez, conseguimos aproveitar a bela paisagem do Vale do Urubamba, ao longo da viagem.
Chegamos em Ollanta e pegamos uma  van novamente até Urubamba e de lá um coletivo até Pisac. Andar nos coletivos do Peru é uma experiência única! Fedidos, apertados, lotados e com nativos em trajes típicos. No meio do caminho, o motorista parou e desceu do ônibus e uma multidão de vendedores ambulantes entraram no coletivo vendendo várias comidas:  choclos (um milho peruano com grãos enormes,que são, aliás, a base da alimentação da grande parte da população)- que o Thi comeu e se refastelou, a chicha morada (uma espécie de suco de um milho de cor vinho, típico da região), etc. Todos gritavam dentro do coletivo e vendiam suas mercadorias, até que o motorista apareceu e os ambulantes se retiraram.

Deixamos Pisac pro fim da viagem por um motivo: queríamos ir na sua famosa feira de domingo. E não nos arrependemos. A feira é considerada um dos eventos mais animados do Peru e, de fato, borbulha de gente. Os nativos chegam de aldeias distantes, depois de atravessar as enormes ruínas de Pisac e vão até a feira para vender, ou trocar suas mercadorias.
Nativos na feira de Pisac no Peru.
Feira de Pisac

Nativos na feira de Pisac no Peru
Feira de Pisac

Nativa na feira de Pisac no Peru
Feira de Pisac

Fiquei maravilhada com aquele lugar: quantas cores, quanto movimento, quanta vida! Acho que foi o lugar que mais fotografei, em todo peru, porque pra onde eu olhava havia uma cena interessante.

Foi em Pisac que me dei conta da pobreza dos peruanos. Vi uma senhora já  bem idosa sentada na calçada, a feição cansada, com sandálias surradas e os pés sujos. Aquela cena me tocou e resolvi ajudá-la com a tal propina, após fotografá-la. Aqui foi o único lugar que fiz isso ao perceber que aquelas pessoas não estavam ali  fantasiadas pros turistas. Fiz isso com duas senhoras e não me arrependo.

Nativa na feira de Pisac no Peru
Foto e propinita

Nativa na feira de Pisac no Peru
Foto e propinita
Depois de muitas fotos no mercado, almoçamos e seguimos, então, pro último destino da viagem: as ruínas de Pisac. Pegamos um táxi até o pico da ruína. Normalmente, os visitantes conhecem apenas a parte superior e voltam pra cidade, pela mesma estrada que chegaram. A nossa idéia, ao contrário disso, era descê-la a pé até sua base e voltarmos pra feira, percorrendo o mesmo caminho feito pelos nativos, todos os  domingos. Havíamos lido no nosso guia que isso era possível e ainda nos certificamos com os guardas da ruína que, de fato, poderíamos seguir até a feira. Começamos a caminhada por volta das 15h e teríamos cerca de duas horas até começar a escurecer. A princípio, era tempo suficiente.
As ruínas são muito bonitas, competindo em beleza com Ollantaytambo e mesmo com Machu Picchu. Logo no início, suas terraças nos encantam.

Ruínas Incas em Pisac, no Peru.
Terraças de Pisac

A caminhada continua pela parte alta, chegando ao Templo do Sol. Fizemos esse trecho com um grupo de turistas  franceses, que nos fizeram companhia em toda esse trecho.

Ruínas Incas em Pisac, no Peru.
Pisac

Ali, termina a parte alta das ruínas e seguiríamos sozinhos a partir de então. É uma agradável caminhada com uma vista deslumbrante e com uma luz linda do fim de tarde.

Ruínas Incas em Pisac, no Peru.
Descida das ruínas de Pisac

Após quase 10 dias de caminhadas, meu tênis já estava com a sola desgastada e comecei a derrapar na trilha e levei alguns sustos com isso, já que quase toda o caminho beirava o morro. Continuamos a caminhada até que de repente, começaram a aparecer vários caminhos. Fiquei preocupada, pois haviam nos informado que era um caminho único. Começamos a  ficar em dúvida de qual trilha tomar e vimos, lá embaixo, um grupo e  pensamos: temos que chegar lá, mas como? O tempo foi passando e a tarde já começava a cair. Continuamos a caminhar e, e repente, estávamos no meio de uma terraça. Olhei pra cima e era um muro de dois metros acima de nós, abaixo a mesma coisa e pensei: estamos presos aqui. O Thi mantinha-se calmo, mas eu me desesperei. Já estava escurecendo e se voltássemos estaríamos de novo no meio da ruína e longe da cidade.
Vimos uma senhora algumas terraças abaixo, pastorando umas lhamas (?) e gritamos:
-Señora, hay camiño?
Ela não disse nada. Provavelmente, só falava quéchua.
O Thi falou:
-Ana, se acalma. Se ela está lá embaixo é porque tem um caminho até lá.
Mas eu estava tão nervosa com aquele tênis derrapando, a iluminação do dia já ficando fraca, que não conseguia pensar em nada.

Ruínas Incas em Pisac, no Peru.
Anoitecer nas ruínas de Pisac

O Thi, finalmente, achou um caminho, num barranco e disse que desceria primeiro pra depois me ajudar. No meu desespero, nem esperei ele me ajudar e desci atrás. Fui de uma vez só e me joguei barranco abaixo. Acabei cortando meu dedo numa planta e já comecei a achar que devia ser uma planta venenosa. Estava mesmo fora de mim, como nunca me lembro de ter ficado antes. Mas, pelo menos, havíamos conseguido voltar ao caminho e agora era só seguir uma escada pelas terraças, (que percorri correndo) e logo avistamos a cidade.

Chegamos em Pisac já de noite e eu comemorei, como se tivéssemos completado uma maratona. Depois, veio a vergonha de ter me descontrolado tanto, mas também demos muita gargalhada disso.

O  Thi ainda queria comprar um charango pra trazer pro Brasil e voltamos pra praça central. Finalmente, me sentei (no meio-fio mesmo) e ele saiu pra procurar seu brinquedo. A feira já estava sendo desmontada e foi curioso ver aquela movimentação. Algumas senhoras esperavam seus maridos tomando cerveja e conversando. Os homens passavam carregando sacos enormes nas costas, com as mercadorias.

Vi o Thi correndo pra lá e pra cá e, finalmente, ele apareceu todo feliz com seu charango nas mãos. Era hora de voltar. Chegamos até o local que nos indicaram pra pegar uma van pra Cusco, mas não havia nenhuma. Disseram que estava demorando muito pra passar. Um táxi parou do outro lado da rua e um casal de americanos sugeriu que dividíssemos o valor da corrida até nossos hostels. Sairia mais caro, mas foi o que fizemos. Ainda bem, porque menos de 10 minutos depois que entramos no táxi, caiu um temporal que só parou de madrugada!

Chegamos no hostel e o Thi ainda foi no mercado. Queria comprar pisco pra trazer pro Brasil. Foi debaixo de chuva e dessa vez conseguiu correr a cidade toda sem cansar.
Nós pensamos: logo agora que nos acostumamos, vamos embora...

Sim, era o fim da viagem e naquela madrugada mesmo já estávamos voltando pra casa.

Mais fotos:
Machu Picchu

Machu Picchu
Foto de turista


Foto tirada de dentro do trem, na volta de Águas Calientes

Nativa na feira de Pisac no Peru
Feira de Pisac

Feira de Pisac, no Peru
Pigmentos que dão as vibrantes cores do vestuário peruano

Nativa na feira de Pisac, no Peru
Feira de Pisac

Mais sobre o Peru:

3 comentários:

  1. Olá, tudo bom?

    Vou para o Peru em fevereiro e estou um pouco preocupada com Machu Picchu.

    Onde você comprou o ingresso e o trem? Gostaria de comprar com antecedência porque também quero subir Hayna Picchu.

    Além disso, você acha que vale a pena dormir em Pisac? Nós vamos passar quase um mês no Peru, sem aperto.

    As suas fotos são lindas!! Adorei.

    Abraços,

    Gabriela.

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  2. Olá, Gabriela. QUe bom que gostou das fotos.
    Respondendo sua pergunta:
    1- vc pode comprar pelo site oficial: http://www.machupicchu.gob.pe/
    (eu tive dificuldades para comprar pelo site, pois eles exigem um cartão de crédito verified by visa e, apesar dos meus serem, o site não os aceitou, então, pedi que uma amiga que mora em Lima comprasse pra mim)
    2- Trem: vc pode comprar no site: http://www.perurail.com
    (eu esqueci de comprar com antecedência e consegui comprar em Cusco, com uma semana de antecedência, mas os melhores horários já tinham esgotado)

    3- SObre Pisac: vale mto a pena ir na quinta, ou domingo, quando tem a feira, que é um verdadeiro espetáculo. Não vejo necessidade de dormir, pois além da feira e das ruínas não há muito mais pra ser feito por lá.

    Qualquer coisa, é só perguntar!

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    Respostas
    1. Obrigada Ana! Estou super animada para a viagem. Sucesso com o blog.

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