sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O charme português de Colônia del Sacramento


Nossa ideia inicial não era ir até Colônia do Sacramento, já que é uma cidade de fácil acesso, a partir de Buenos Aires e queríamos passar a maior parte do tempo possível em Montevideo, na tentativa de conhecer sua realidade e seus costumes. Entretanto, a frente fria que se abateu sobre a capital uruguaia nos dias que passamos no país, fez com que mudássemos de ideia e alugamos um carro para conseguirmos fugir da chuva e do vento glacial e decidimos dirigir até a pequena Colônia. Verdadeiramente, não nos arrependemos.
O Uruguai foi historicamente uma região de disputa entre Portugal e Espanha, cada qual querendo ampliar mais de seu domínio no Novo Mundo. Desde o norte do país, com as batalhas na região de Santa Teresa e Chuy até as regiões à esquerda do Rio de la Plata, intensas disputas foram travadas entre os dois países. Várias tentativas de ocupação fracassadas foram feitas pela coroa portuguesa, até que em 1680 a expedição de D. Manoel Lobo, vindo de Santos, aporta na região e inicia a ocupação do território que seria, então, chamado de Colônia do Santíssimo Sacramento.
Na outra margem do rio, estava Buenos Aires, território da coroa espanhola, que combateu duramente a ocupação portuguesa no mar del plata. A região passou por idas e vindas, ora sob domínio de uma coroa, ora sob domínio da outra.
Em 1817, D. João VI incorpora todo o território do Uruguai à coroa portuguesa e na ocasião da independência do Brasil, Colônia passa a integrar território brasileiro, até a independência da República Oriental do Uruguai, em 1828 e pertencente ao país até os dias atuais.

Centro Histórico de Colônia do Sacramento

Chegamos na cidade, embaixo de chuva e logo paramos no moderno shopping para usarmos o banheiro e nos prepararmos pro passeio gelado. Logo chegamos ao Centro Histórico, que desde 1995 é considerado Patrimônio Histórico da Humanidade e foi todo restaurado, preservando sua antiga e belíssima arquitetura colonial portuguesa, com ruas de pedra, azulejos e casas típicas.
Algo que nos causou estranhamento foi a permissão do tráfego de carros pelas estreitas ruas de pedra do centro. Com aquela chuva e vento que fazia, passear de carro foi uma ótima solução, mas fiquei imaginando a erosão nas pedras portuguesas e o caos que não deve ficar nas épocas de alta temporada. Penso que a solução encontrada em cidades históricas, como Paraty, de impedir a circulação de carros nas vias principais é importante no contexto de preservação local.
Mas preciso confessar que usamos o recurso do carro para conhecer a cidade e aproveitamos que estava tudo vazio para parar onde queríamos para apreciar a bela arquitetura e tirar algumas fotografias.
Típica rua de pedras portuguesas
Seguimos pelas apertadas ruas e chegamos até a margem do rio, revolto devido ao mau tempo. Apesar do céu cinza, a beleza do lugar me fez tomar um banho de chuva para poder fazer uma foto. O curioso foi observar no calçadão que margeia o rio, inscrições reclamando da polícia uruguaia. Não sei os motivos pelos quais os uruguaios estão insatisfeitos com sua polícia, mas me senti solidarizada, afinal com a nossa Polícia Militar usando de cada vez mais truculência na atuais manifestações políticas e o conhecido massacre feito há décadas nas periferias das grandes cidades, não temos como ser favorável a uma instituição que sobrou como resquício da Ditadura Militar, que aliás também assolou o Uruguai, nas décadas de 70 e 80.

A insatisfação não é privilégio nosso
Mar del Plata
Seguimos com o carro e chegamos na praça principal do centro, a Praça 25 de Maio, que era usada para exercícios militares e é onde se encontram os principais edifícios históricos da cidade: a basílica do Santíssimo Sacramento, o Farol e as ruínas do antigo Convento de São Francisco Xavier, que no final do século XVIII sofreu um incêndio, que destruiu grande parte de sua estrutura original. Uma coisa que me chamou atenção em Colônia foi a quantidade de carros antigos, espalhados pela rua. Fiquei na dúvida se são objetos de decoração, ou se, de fato, são usados para locomoção. Na praça, observamos vários.

Carros antigos na Praça 25 de Maio

Farol e Ruínas do antigo convento (foto borrada pela chuva)
Nas ruínas do convento, foi construído em 1878 o Farol que até hoje funciona e virou cartão postal da cidade. É possível subir nele, mas no dia que fomos, infelizmente estava fechado.

Farol
As ruas do centro são lindas e as casas muito bem preservadas. Várias estavam alugando, ou à venda e a vontade foi parar pra perguntar o preço.

Uma das ruas mais famosas da cidade é a Calle de Los Suspiros que dizem ter esse nome, pois ali era local de prostituição. A rua é toda de calçamento de pedra com vários exemplares de casas coloniais portuguesas e também espanholas.

Calle de Los Suspiros
Típica rua de Colônia del Sacramento

Arquitetura colonial
Depois do passeio, fomos almoçar e no fim da tarde voltamos pra Montevideo. Afinal, era nosso último dia em terras uruguaias e precisávamos arrumar as malas pra voltar pra casa no dia seguinte.

Essa foi uma das experiências de viagem mais curiosas que já tive: ao mesmo tempo que me encantei com o país, o mau tempo nos frustrou em vários momentos. Ficou aquele gostinho de voltar pra poder caminhar livremente pela rambla, pelos parques montevideanos e mesmo na deliciosa Colônia, em dias de Sol.

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