quinta-feira, 31 de outubro de 2013

São Francisco Xavier, um lugar para envelhecer em paz

São Francisco Xavier

São Francisco Xavier é um vilarejo com cerca de 2500 habitantes, localizado no meio da Serra da Mantiqueira, distante 55km de São José dos Campos, sendo distrito deste. É uma área de preservação ambiental cheia de cachoeiras, trilhas e belas paisagens. Ao mesmo tempo, a vila tem uma boa estrutura de restaurantes, que nos surpreenderam na qualidade (tendo em vista ser um lugar tão pequeno). O turismo parece ser a atividade principal ali, mas pelo que percebi muitos ainda vivem da atividade rural.
Fazia bastante tempo que nós planejávamos visitar São Francisco Xavier e o motivo não era só turístico: temos a ideia de sair de São Paulo e um dos lugares possíveis para morarmos seria ali pela tranquilidade e, ao mesmo tempo, proximidade de uma cidade mais estruturada, como São José dos Campos. Eu iria sem pensar duas vezes. Pesquisamos preços em algumas imobiliárias e achamos tudo muito caro e agora é ficar de olho pra quando surgir uma oportunidade boa, aí ninguém nos segura.

Viajamos com um casal de amigos muito queridos, Arthur e Ju, que tem os mesmos planos que nós e várias ideias já surgiram pra quando morarmos por lá: montar um hostel e restaurante vegetariano, realizar saraus pela cidade, entre outras maluquices. Quem sabe tudo isso não vira realidade, um dia?

Chegando em São Francisco Xavier

Era sábado e havíamos marcado de buscar o Arthur e a Ju às 6h da madrugada. Acordamos atrasados e saímos correndo, mas recebemos um sms do Arthur remarcando a saída pras 9h. Pelo visto, não éramos os únicos com sono. Decidimos deitar um pouco no sofá e acabamos cochilando. O Thiago acordou sobressaltando e acabou me derrubando no chão, aos berros:
- Já são 11h! Já são 11h!
- Oi? O que? (disse eu, no chão, ainda sem entender direito o que estava acontecendo)
Daí veio a cena mais hilária do dia. O Thi ainda desesperado diz:
- Cadê meu celular? Cadê meu celular? Temos que ligar pro Arthur! Perdemos a hora!
E aí caiu minha ficha: 
- Peraí, mas como você sabe que são 11h se está sem o celular? (o Thi nunca usa relógio de pulso no fim-de-semana)
- Putz! É verdade! Eu estava SONHANDO!
Foi impossível controlar o riso. No fim, ainda eram 8h30 e conseguimos chegar a tempo de buscar nossos amigos às 9h.

São cerca de duas horas e meia de viagem até São Francisco Xavier, passando pela Rodovia Carvalho Pinto e depois uma estradinha menor, mas bem conservada. Chegamos na hora do almoço e depois de uma caminhada pela cidade paramos para comer, num restaurantezinho simpático e bem decorado, mas com um preço meio salgado. A comida era até bem sofisticada (e gostosa).
Lá conseguimos dicas de passeios com o dono do restaurante e seguimos direto pro Pouso do Rochedo, uma propriedade particular, que cobra uma taxa de R$10 para visitação.

São Francisco Xavier: Trilha do Pouso do Rochedo

Chegamos já no meio da tarde e um senhor nos recepcionou perguntando se estávamos acostumados com trilhas. A resposta correta seria depende, mas fomos orgulhosos e respondemos que sim. Pois foi nosso erro: ele nos indicou uma trilha, que incluía cachoeiras (além dos mirantes), mas não vi  muita graça nessas cachoeiras, além de ter me incomodado bastante o excesso de influência humana: cimento pra ajudar na passagem, grama pra embelezar o caminho e várias tentativas de civilizar a natureza, coisa que não me agrada muito.
Trilha do Pouso do Rochedo, em São Francisco Xavier
Escada de cimento ao lado da queda d`agua

Trilha do Pouso do Rochedo, em São Francisco Xavier
Cachoeira
Acabamos demorando muito nessa parte e começamos a subir a trilha pro mirante já no fim da tarde e com a pressão de ir rápido e voltar antes de escurecer. A trilha não é longa, mas é íngreme. Bem íngreme. Não consegui ir num ritmo rápido e mesmo assim cheguei lá em cima bem cansada.

Depois de uma meia hora nessa subida, conseguimos chegar a tempo de ver o pôr do Sol, lá de cima. Um espetáculo.

Mirante do Pouso do Rochedo, em São Francisco Xavier
Mirante do Pouso do Rochedo
A descida sempre é mais fácil e fomos às carreiras pra não pegar a trilha no escuro. Chegamos no carro ainda claro e logo em seguida escureceu. Ufa!

Partimos, então, a procura da nossa pousada (que ficava meio distante do centrinho) e foi apenas o tempo de tirarmos as malas do carro e nos arrumarmos pra noite: havíamos reservado mesas no restaurante mais badalado da cidade: o Photozofia. Naquela noite, haveria show de jazz e nós estávamos curiosos pra ver como seria a vida cultural da cidade.
Antes de ocuparmos nossas reservas, comemos numa lanchonete simples da cidade, frequentada apenas por nativos. É curioso observar como funcionam essas cidadelas: famílias que saíam da missa e levavam seus filhos pra comer, crianças brincando, casais namorando e um clima interiorano de tranquilidade delicioso. Os lanches demoraram, como é costume nos locais que não tem a pressa tipicamente paulistana, e depois corremos pro Photozofia, chegando quase na mesma hora que começou o show. O lugar tem um clima interessante e poderia muito bem estar localizado na Vila Madalena, mas estar em São Francisco Xavier deixa-o ainda mais charmoso. Tomamos uma caipirinha (não muito boa) e não curti muito a música. Talvez, pelo cansaço acumulado da viagem e das trilhas. Talvez, porque fosse ruim mesmo. Acabamos indo embora antes do fim do show pra refazer as energias pro dia seguinte.

São Francisco Xavier: Cachoeira Pedro David 

Tomamos um café gostoso, rodeado de passarinhos de vários cores. Não tínhamos rumo definido e os meninos queriam tomar banho de cachoeira, já que as que passáramos na véspera não empolgaram muito. Seguimos, então, para a Cachoeira Pedro David, bem próxima da cidade e sem necessidade de fazer trilha para chegar. 
Cachoeira Pedro David, em São Francisco Xavier
Entrada para a Cachoeira Pedro David
A cachoeira é grande e tem vários locais pra banho. O Arthur e o Thi entraram, mas eu e Ju preferimos ficar nas pedras, porque a água era um gelo.
Cachoeira Pedro David, em São Francisco Xavier
Cachoeira Pedro David

Cachoeira Pedro David, em São Francisco Xavier

A cachoeira é bacaninha, mas nada de tirar o fôlego. Valeu pelo contato gostoso com a natureza e pela sempre boa prosa com os amigos. Saímos de lá já na hora do almoço e seguimos pro centrinho.
Nossa ideia era almoçar e fazer alguma trilha mais tranquila à tarde, mas qual não foi nossa decepção, quando descobrimos que as trilhas que restavam pra fazermos eram pesadas e seria mais prudente fazê-las na parte da manhã, pois precisaríamos do dia todo para percorrê-las.
Restou-nos almoçar e passear pela gostosa área verde da pousada, que tinha uma bela vista da mata.

No caminho de volta pra pousada, uma cadelinha enlouquecida foi seguindo nosso carro por quilômetros e num ritmo alucinado até nossa chegada. Fiquei tão entretida com ela que me distraí e manobrei o carro errado, arrastando a lateral numa pedra. Ficamos brincando com ela por bastante tempo e ainda descobrimos que na pousada havia um cemitério de cachorros, que a cadelinha parecia conhecer bem, pois foi ali que ela escolheu descansar.

São Francisco Xavier
Cadelinha nos acompanhando na volta pra pousada

Cemitério dos cachorros, na nossa pousada em São Francisco Xavier
Cadelinha descansando ao lado do cemitério de cachorros
 Da pousada, apreciamos um belo fim de tarde e ficamos um bom tempo ao lado da piscina fazendo um som com o violão do Thi até o frio nos expulsar dali.

Vista da pousada, em São Francisco Xavier
Vista da pousada, no fim da tarde
À noite, fomos a uma pizzaria deliciosa e comemos uma das melhores pizzas que eu já comi na vida. Massa fininha, recheio farto e saboroso e um atendimento excelente. Pena que eu esqueci o nome do lugar.

Na volta, armamos uma bagunça no quarto da Ju e do Arthur e no quentinho da lareira, tocamos violão e cantamos até tarde. No dia seguinte, seria o tempo apenas de tomarmos café e partir pra cidade grande, sonhando com o retorno para aquele paraíso.


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4 comentários:

  1. Através dessa descrição e palavras gostosas tive coragem de conhecer sfx, e me apaixonei aluguei uma chacara e vou ficar um bom tempo por aqui.. Quando voltarem venha nos visitar.. Muito obrigado

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    1. Fiquei até emocionada de ler isso, Jonatas Augusto! Muito bom saber que o Nativos do Mundo lhe ajudou a encontrar esse cantinho bom! Aproveite bastante por todos nós! :)
      Beijos

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  2. Ahhhh e essa pizza? Como assim esqueceu o nome? kkk Mas beleza, valeu o relato!

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    1. Hehehehe! Esqueci, mas não é difícil de achá-la, afinal não existem muitas pizzarias em São Francisco Xavier! rs Abraços

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