sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Cidades históricas do Paraná: Morretes e Antonina

Morretes
Morretes
O Paraná é um estado plural. Encontramos lá desde lugares internacionalmente conhecidos e badalados, como Foz de Iguaçu e Ilha do Mel até lugarejos simples e aconchegantes, como Morretes e Antonina, sem falar na charmosa e moderna capital, Curitiba, cheia de atrativos cosmopolitas. Isso tudo regado a comidas excelentes e um clima tranquilo, que dão ares de primeiro mundo à região.
Aproveitamos nossa ida pra Ilha do Mel pra conhecer Morretes, que está no caminho e passamos uma agradável tarde na cidade. No retorno pra casa, fomos até Antonina, pela Estrada da Graciosa e nos encantamos com o visual da baía de Paranaguá.

A charmosa Morretes

Saímos de Curitiba rumo à Ilha do Mel numa manhã chuvosa e cinza. Estávamos apreensivos de como seria o fim de semana com aquele tempo ruim, mas, mesmo assim, não resistimos de passar no caminho, pela mais famosa cidade histórica paranaense. O caminho preferido dos turistas para chegar à Morretes é pela linha de trem que sai de Curitiba diariamente, porém nós estávamos de carro e assim chegamos lá, pela BR-277 e viramos à esquerda na PR-408, chegando em Morretes em cerca de uma hora de viagem.
A cidade encanta. Seu centro histórico com ruas de paralelepípedo e casarões antigos é cortado pelo Rio Nhumdiaquara, que deixa claro a origem de seu nome, já que a cidade pertencia aos índios carijós antes da fundação oficial pelos portugueses, no século XVIII, após a descoberta de jazidas de ouro na região. Morretes teve como atividade principal durante muitos anos o comércio, principalmente de erva-mate, mas atualmente é conhecida pelo seu prático típico: o barreado.

Chegamos na cidade por volta das 10h e conseguimos caminhar tranquilamente pelas ruas e casas antigas. Tivemos a sorte de seguir uma excursão escolar, que ensinava à garotada a história do lugar e aprendemos que D. Pedro II esteve hospedado na cidade, em 1880, numa importante comitiva que vinha vistoriar o Paraná após a Guerra do Paraguai (que, aliás, deixou destruído esse país, que hoje é considerado um dos mais pobres da América do Sul, mas antes da guerra era um país próspero) e ficou hospedado numa casa bem conservada, próximo ao centro da cidade.

Morretes
Casa que hospedou D. Pedro II, em Morretes
Continuamos nossa caminhada longe das crianças (não fazia sentido dois marmanjos seguindo a excursão escolar) e passamos por casas lindas, praças arborizadas e pessoas andando tranquilamente pelas ruas à pé, ou de bicicleta. Aliás, vimos muitas bicicletas na cidade. Era uma sexta-feira e parecíamos ser os únicos turistas. Foi um passeio bem agradável.

Centro histórico de Morretes
Casarões antigos e bicicletas são comuns por toda cidade

Morretes
Uma cidade bucólica
Atravessamos a ponte antiga e chegamos numa região menos habitada, com lindas casas e bastante vegetação. Incrível como que em poucos metros a cidade transforma-se quase que numa selva.

Morretes
Rio Nhumdiaquara
Depois do passeio, a fome já nos permitia ir atrás do famoso barreado. Vimos várias opções de restaurantes e escolhemos o lugar que diziam ser o mais antigo casarão da cidade, o Restaurante Nhumdiaquara, às margens do rio com mesmo nome.
Barreado em Morretes
Barreado, no Restaurante Nhumdiaquara
Segundo o cardápio do restaurante, o barreado foi inventado no século XIX pelo povo que gostava da folia de carnaval. Eles precisavam de uma comida que desse energia, mas que, concomitantemente, não desse trabalho (pra sobrar tempo pra cair na gandaia, afinal). Assim, nasceu o barreado, que é feito em enormes panelões de barro e pode durar vários dias já preparado sem perder o seu sabor único.
Confesso que eu apenas experimentei um pouco do prato do Thiago, pois já havia tido uma experiência gastronômica complicado com a matula (que também é uma mistura de carnes com tempero) da Chapada dos Veadeiros e achei melhor não arriscar passar mal no resto do fim de semana.

Saímos de lá satisfeitos com a visita e seguimos rumo ao nosso destino final, a Ilha do Mel, numa agradável estadia, que eu já relatei no post anterior.

A encantadora Antonina

Decidimos parar para conhecer outra cidade histórica do paraná, a pequenina Antonina. Infelizmente, passamos por lá rapidamente, mas foi o suficiente para nos encantarmos com as casas cheias de flores no jardim e os casarões abandonadas.
Antonina fica no fundo da baía de Paranaguá e de lá temos uma bela vista do mar. Uma das construções que mais me chamaram a atenção foram as ruínas de um antigo depósito de erva-mate, que era o principal produto comercializado na região. Tudo isso nas margens da baía. Um belo cenário, sem dúvida, que espero poder conhecer com mais tempo e a atenção merecida.

Antonina
Ruínas do Casarão
Partimos de Antonina rumo à Rodovia Regis Bittencourt e, no caminho, aproveitamos para conhecer a charmosa Estrada da Graciosa, uma antiga via dos tropeiros para o litoral e que preserva boa parte da sua aura histórica com trechos em paralelepípedo e muitos mirantes para a área de mata atlântica muito bem preservada. Infelizmente, passamos na estrada num dia nublado e não tivemos o privilégio de ter a vista da baía de Paranaguá, que dizem ser possível ver do alta da estrada. Mesmo assim, valeu a pena ter passado pelas curvas sinuosas e cheias de vida da Graciosa.
Estrada da Graciosa
Dia nublado, na Estrada da Graciosa
Seguimos viagem e após algumas horas e muito trânsito, chegamos na terra da garoa, de volta ao nosso lar. E ainda mais encantados por esse estado tão rico, que é o Paraná.

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