segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Reveillon fora de época, em Ubatuba e São Luiz do Paraitinga

Uma viagem à Ubatuba e São Luiz do Paraitinga, entre os dias 26 e 29/12/13


Praia da Enseada, em Ubatuba

Viajar no Reveillon e no Carnaval pode ser bom pra quem gosta de muvuca, mas definitivamente esse não é o nosso caso. Nem de dois amigos queridos, a Ju e o Arthur, que como nós, buscam lugares autênticos e sossegados nas viagens que fazem. Foram eles que tiveram a ideia genial de viajarmos no contra-fluxo da multidão, nesse período tumultuado de fim de ano: saímos de São Paulo no dia 26 e voltamos 29 de dezembro, fugindo do trânsito, da bagunça e curtindo uma das melhores cidades praianas do estado: Ubatuba.  É claro que não encontramos os lugares completamente vazios, afinal é alta temporada, mas comparado ao cenário que vimos nos dias que se seguiram à nossa viagem, conseguimos curtir as praias com muito mais tranquilidade, ainda mais que no dia que Ubatuba começou a encher, fugimos para a charmosa São Luiz do Paraitinga, que estava relativamente vazia e tranquila. Posso mesmo dizer que nosso ano novo começou uns diazinhos antes do calendário oficial. E começou muito bem.

Chegada à Ubatuba


Saímos de São Paulo o começo da tarde e pegamos relativamente pouco trânsito, exceto num trecho da Dutra em Taubaté, onde havia acontecido um acidente. Chegamos em Ubatuba no fim da tarde e seguimos direto pro nosso hostel, numa rua de terra bem tranquila, na Praia da Enseada. Como havíamos deixado pra reservar a hospedagem em cima da hora, conseguimos apenas quarto coletivo e ficamos os quatro no mesmo quarto. E nossa reserva era apenas pra duas noites, ou seja, não tínhamos abrigo na nossa última noite de viagem.
Deixamos nossas malas e partimos direto pra Praia da Enseada, que ficava a poucos metros do hostel. Era fim de tarde e chegamos já com o Sol se pondo, atrás das montanhas da Serra do Mar. Um belo espetáculo, apesar de termos achado a praia pouco preservada (com vários carros na areia e línguas negras- que nem tive coragem de entrar no mar). Imagino que na baixa temporada, seja tudo mais calmo e limpo pra usufruir do lugar, que é lindo.

Fim de tarde na Praia da Enseada de Ubatuba
Fim de tarde, na Praia da Enseada

Procuramos um quiosque pra comer algo e achamos um que cobrava abusivos R$25 de consumação mínima, por pessoa (maldita alta temporada) e escolhemos outro mais simples, onde comemos um peixe engraçado, que tinha consistência de frango e a Ju chegou até a perguntar pro garçom se aquilo era mesmo peixe. Ele ficou bravo e não deu muito papo pra ela. No fim, a Ju concluiu que era mesmo peixe. Ainda bem.
Depois do embróglio, resolvemos jantar em outro lugar. Achamos um restaurante mineiro, cujo garçom era mesmo mineiro e um figuraça. Quando ele descobriu que a família do Thiago era maranhense, citou várias cidades (anônimas pra mim) e o Thi confirmava que era mesmo no Maranhão. Já estávamos achando que o sujeito era um profundo conhecedor daquele estado, quando ele disse: "mas nunca fui lá, não, senhor" com aquele jeitinho mineiro de quem fez sapequice. Caímos na gargalhada.
Saímos de lá e os meninos ainda ficaram um bom tempo na piscina do hostel, brincando com uma bóia em formato de chinelo. Fomos dormir na esperança de acordar bem cedo no dia seguinte pra aproveitar o dia.

Trilha das sete praias desertas


No dia seguinte, a única que conseguiu acordar cedo foi a Ju, que tentava acordar o Arthur dizendo que já eram 8h25 e acordamos todos na onda, passando a execrar o relógio e pro resto da viagem, 8h25 passou a ser a hora oficial de acordar de madrugada, já que pelo sono que todos estavam, parecia ser quatro da manhã. Finalmente, conseguimos acordar e saímos já tarde do hostel, mas mantivemos nosso plano inicial de fazer a trilha das sete praias desertas.
A trilha durou o dia toda e rendeu tantas história e fotos, que preferi contá-la num post separado.

Trilha das 7 praias desertas, em Ubatuba.
Trilha das 7 praias desertas

Depois da trilha, estávamos com muita fome, já que não tínhamos almoçado. O jantar não foi dos melhores, pois havíamos pedido muqueca de peixe sem camarão (a Ju e o Thi são alérgicos) e a muqueca veio com camarão, atrasando ainda mais nossa janta. Mas, enfim, conseguimos matar a fome e voltamos a nossa alegria inicial.

De volta ao hostel, encontramos um amigo do Thi, que trabalha com turismo e está tentando morar em Ubatuba, apesar das dificuldades em se alugar casas para moradia, na alta temporada e da falta de empregos na baixa. Conhecemos também um casal de cariocas e, por coincidência, o rapaz era o autor do grafite que decorava a parede da piscina do hostel. Conversamos por bastante tempo sobre grafite, arte, política e, por fim, eles nos chamaram pra passear no dia seguinte, pois iriam pra ilha de Prumirim. Nós aceitamos, mas não deixamos nada combinado.
Fomos dormir já quase três da manhã e eu suspeitei que não conseguiríamos acordar cedo no dia seguinte pra passear com eles.

A Ilha do Prumirim


Como previsto, não conseguimos acordar cedo. E ainda tínhamos que arrumar nossas malas pra sair do hostel, já que nossa reserva era de apenas dois dias e o check-out seria às 11h. Era sábado e o feriado do ano-novo já tinha começado, o que fez com que a cidade aumentasse vertiginosamente o número de pessoas e, consequentemente, o trânsito e a bagunça.

Estávamos sem destino e decidimos passar o dia na ilha de Prumirim, afinal tanto o barqueiro que nos conduziu de volta da trilha das 7 praias, quanto o casal de cariocas que conhecemos na véspera nos indicaram esse passeio. Seguimos na direção norte, no sentido de Paraty e logo já estávamos dentro de um congestionamento. Passamos pela Praia Grande e o que vimos era assustador: pessoas e barracas de praias amontoadas na faixa de areia, sem espaço pra mais ninguém. Era a própria visão do inferno, assim como eu o imagino.

Praia Grande de Ubatuba completamente lotada
"O Inferno são os outros." (Sartre, na Praia Grande)

Fugimos o quanto antes dali e seguimos nosso destino até a Praia do Prumirim, não sem pegar bastante trânsito até lá. Demos uma pesquisada rápida sobre a ilha e lemos que não havia estrutura alguma lá. Paramos, então, numa vendinha na estrada e descobrimos que lá havia um único quiosque que cobrava preços abusivos. Decidimos, então, que aquele dia seria nosso dia de farofa: compramos pão de forma, queijo, amendoins e ainda levamos o violão e o  gazebo (o mesmo que já tinha bravamente nos acompanhado em Calhaus), afinal queríamos garantir nossa sombrinha. Só faltou mesmo o frango assado... e a farofa.

Seguimos, então, para a Praia do Prumirim. Uma trilha rápida nos levou até a praia.

Rio Prumirim de Ubatuba
Atravessando o Rio Prumirim

Chegamos numa área de camping e num quiosque, que estavam lotados. Seguimos para o canto direito da praia, onde o rio Prumirim encontra o mar, pois era dali que saíam os barcos pra ilha. A praia estava lotada e o rio cheio de crianças. O lugar seria paradisíaco, não fosse a muvuca.

Rio Prumirim, em Ubatuba
Rio Prumirim, em véspera de Ano-Novo

Rio Prumirim, em Ubatuba
Encontro do rio com o mar

O barqueiro cobrava R$15 por pessoa para atravessar 900m de mar. Tentamos negociar o preço, mas não teve jeito. Ou era isso, ou não iríamos pra ilha. Com um pouco de treino, poderíamos atravessar à nado e economizar a grana. Quem sabe um dia?

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
Ilha do Prumirim, vista do barco

Chegamos na ilha e lá também estava cheio. Incrível como a cidade estava muito mais lotada naquele dia, comparado à véspera. Marcamos o retorno com o barqueiro para o último horário, que era às 18h. Procuramos um lugarzinho mais tranquilo pra montar nosso acampamento e achamos um bem na ponta da ilha, onde há um biquinho de areia (na verdade, a faixa da areia da ilha tem um formato de V, daí minha impressão de ser um bico de pássaro).

Num belo trabalho de equipe, montamos nosso gazebo, já penduramos roupas suadas para dar um ar mais farofento e seguimos pro primeiro mergulho nas águas cristalinas da ilha.

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
Primeiro mergulho na ilha (foto tirada de dentro do nosso gazebo)

Gazebo na Ilha do Prumirim, em Ubatuba
Nosso bravo gazebão em Prumirim (foto do Arthur)

Logo a fome apertou e fizemos nossos sanduíches de queijo (que foi cortado com a mão mesmo, sem frescuras) e ficamos ali curtindo a praia. O Thi ficou tocando violão, a Ju tirou um cochilo, o Arthur foi caminhar pelas pedras da ilha. Eu esperava ansiosamente o resto do povo ir embora pra conseguir fazer fotos sem tanta gente. Acabei desistindo de esperar e deu uma volta na ilha, tentando driblar a multidão (que era menor que na Praia Grande, mas acima da nossa tolerância).

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
No canto esquerdo da ilha

O tempo estava bem mais nublado do que na véspera, o que não era surpresa. Não é à toa o apelido de Ubachuva da cidade. Mas posso dizer que tivemos sorte, pois a chuva que esperávamos não caiu e só começou a chover, quando estávamos na estrada, já saindo de Ubatuba.

Passamos uma tarde agradável e pra minha alegria, após as 17h a ilha começou a esvaziar, o que me possibilitou fazer mais algumas fotos.

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
Fim da tarde com a ilha mais vazia

Ilha do Prumirim, em Ubatuba

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
Canto esquerdo

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
A curva na praia, que forma um V

Quando vimos, já eram quase 18h e precisávamos desmontar o gazebo e ir embora. Foi uma correria, mas deu tudo certo e chegamos no local de embarque quase junto com nosso barqueiro.

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
Esperando o barqueiro para voltar ao continente

Fiquei encantada com aquele lugar e espero voltar fora de temporada pra curtir melhor a tranquilidade da ilha.

Ilha do Prumirim, em Ubatuba
Adeus, Prumirim

Logo estávamos, de novo, em terra firme e a Praia do Prumirim estava um pouco mais vazia, mas ainda bem movimentada.
Voltamos pela mesma trilha e chegamos rapidamente no carro.

Ainda não tínhamos destino, naquela noite. Nossas malas já estavam conosco, já que não tínhamos reserva de hospedagem em lugar algum. Levando em consideração, a bagunça que já estava em Ubatuba, decidimos tomar outro rumo e pegamos a estrada rumo à São Luiz do Paraitinga, contando com a sorte para conseguirmos alguma estadia por lá.

A estrada até o centro de Ubatuba estava parada e demoramos bastante para alcançar a rodovia pra Taubaté. Foi nessa hora que a chuva caiu com força. Subimos a serra, que é bem sinuosa e apertada com o pisca alerta ligado e rezando pra passar logo aquele temporal. No caminho, vimos dois acidentes. Leves, ainda bem.

São Luiz do Paraitinga


Com o fim do trecho de serra, foi-se embora também a chuva. Chegamos em São Luiz do Paraitinga e lá estava uma garoinha gostosa com aquele cheiro de mato molhado, que me lembra a infância. Em todas as minhas idas à São Luiz do Paraitinga, nunca tinha passado uma noite lá e adorei ver a pracinha iluminada e enfeitada pro Natal. Várias barraquinhas de lanche se instalam na praça, bem no estilo de cidade do interior. Nem lembrava mais que era feriado, pois a cidade parecia vazia.
Mas só parecia, pois saímos a caça de alguma pousada e foi um tanto quanto difícil achar uma que tivesse vaga. Conseguimos aos 45 minutos do segundo tempo, numa pousadinha simples, chamada Saci, pela bagatela de R$60, o quarto de casal.

Tomamos um merecido banho e fomos conversar com o dono da pousada, seu Donizete. Ele nos contou sobre como ficou a casa, localizada bem ao lado do Rio Paraitinga, após a pior inundação da história da cidade, em 2010. A casa ficou totalmente submersa e teve que ser completamente reconstruída.

Saímos da pousada já às 22h, a procura de algum lugar pra comer, pois sequer tínhamos almoçado naquele dia. O Seu Donizete nos indicou o Cantinho dos Amigos e valeu a pena. Foi uma noite incrível com comida gostosa e música boa. Até o Thi se animou (após uma pressãozinha dos amigos) e tocou uma música dos Beatles, na hora do intervalo do músico. E ele ainda dedicou a música ao nosso aniversário de um ano e meio de namoro. Fiquei toda boba!

Saímos de lá tontinhos com as caipirinhas da cachaça local, a Mato Dentro(bem gostosa, aliás) e dormimos com o barulinho das águas do Rio Paraitinga.

No dia seguinte, precisávamos liberar os quartos até às 11h, pois novos hóspedes chegariam nesse horário. Saímos por volta das 10h, tomamos um café da manhã no centro histórico e seguimos a procura de alguma cachoeira na região. O Seu Donizete nos indicou uma cachoeira, que segundo ele era próxima e seguimos para lá. Descobrimos que, na verdade, a cachoeira era em outra cidade, chamada Lagoinha e já na entrada do lugar, tinha uma fila enorme de carros. Desistimos imediatamente de ficar ali e fizemos uma busca rápida por outras cachoeiras, na região.
Foi, então, que achamos a Trilha das Sete Cachoeiras, localizada numa propriedade particular, em São Luiz do Paraitinga.

O lugar das Sete Cachoeiras

Não fizemos a trilha, mas passamos o dia lá na propriedade, que cobra R$50 por pessoa, incluindo o acesso às cachoeiras mais próximas e almoço. Descobrimos que lá é uma pousada, que oferece a trilha aos hóspedes, mas eles também recebem pessoas que fazem apenas a trilha sem se hospedar. Foi uma tarde bem agradável.

Refúgio das 7 cachoeiras, em São Luiz do Paraitinga
Refúgio das 7 cachoeiras

Refúgio das 7 cachoeiras, em São Luiz do Paraitinga
Curtindo a cachoeira mais próxima do receptivo

Refúgio das 7 cachoeiras, em São Luiz do Paraitinga
Vista da pousada

Depois de curtir a cachoeira, almoçamos a comida deliciosa da pousada e conversamos bastante com a dona do lugar, a Nilza, que nos contou sobre a história da pousada e sobre a dificuldade que ela e seu marido tem ainda hoje, mesmo depois de onze anos morando ali, de serem aceitos pelos nativos, que os consideram forasteiros.

Saímos de lá após uma chuva gostosa, típica de verão e passamos no centro histórico para comer doces caseiros (que eu e o Thiago descobrimos na nossa passagem pela cidade, em 2012). Experimentamos doce de leite coalhado (talhado, segundo a Ju), de abóbora, de mamão, cidra, etc. Compramos um pote do de leite e fomos pro mirante da cidade, localizado nas torres de celular.

O caminho pro mirante é por uma subida bem íngreme, passando por um bairro de casas simples. A vista do lugar é mesmo deslumbrante e fizemos nossas últimas fotos antes de voltar pra casa.

Mirante de São Luiz do Paraitinga
Mirante de São Luiz do Paraitinga

Mirante de São Luiz do Paraitinga
A cidade vista de cima

Mirante de São Luiz do Paraitinga
Céu de verão

Fomos embora com a alma renovada e prontos para encarar mais um ano.


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