segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Praia Vermelha de Penha e seus arredores

Mirante da Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.

Numa decisão louca de fazer um bate-e-volta para Santa Catarina, com o objetivo único de buscar nosso amigo argentino, o Nahuel, não poderíamos deixar de aproveitar um pouco o litoral catarinense em pleno Sol de janeiro. O sábado seria o único dia que poderíamos passear sem preocupação e decidimos fazer isso começando pelo balneário de Penha, conhecendo a fantástica Praia Vermelha com sua cachoeira que desemboca no mar e, depois, seguindo em direção à Joinville, passando por cidadezinhas ainda pouco frequentadas por turistas, mas cheias de charme e aconchego.
O município de Penha é mais lembrado por abrigar o segundo maior parque temático do mundo, o Beto Carrero World, mas suas praias e encostas ainda são pouco conhecidas, apesar da beleza e preservação local. Ali a Serra do Mar faz jus a seu nome e está praticamente dentro do mar e os morros compõem a praia. Uma paisagem incrível e um dia intenso, que relato a seguir.

Chegamos cedo à Penha e sem muitas paradas seguimos direto pra Praia Vermelha, a que tem melhor pontuação na região, pelo Guia 4 Rodas. E, de fato, ela merece as quatro estrelinhas que ganhou. A praia fica relativamente longe do centro e pegamos uma estrada de terra para chegar. Na entrada, do alto de um morro, o visual já dá uma ideia do que encontramos no lugar.

Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Chegada à Praia Vermelha

Na região, só há um quiosque, que não fica na areia. O resto da praia é ainda intacto e muito bem preservado. Bem próximo ao mar fica uma encosta, chamada Costão de São Roque, que deixa o visual ainda mais bonito e cheio de pedras na areia.
O Thiago já conhecia a Praia Vermelha, mas tinha lembranças de ser uma praia feia e suja. Mas, em realidade, foi o oposto que encontramos aqui, depois de caminharmos por suas areias e descobrir seus encantos.
Seguimos pro lado esquerdo da praia e chegamos até um trecho de pedras, por onde subimos e encontramos um casal de pescadores no seu trabalho. Aliás, encontramos com dezenas de pescadores ao longo da caminhada e vimos muitos barcos pesqueiros passando próximo da costa, o que me fez deduzir ser ali um local farto para essa prática. Do alto das pedras, tivemos um belo panorama do lugar.

Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Lado esquerdo da Praia Vermelha

Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Praia Vermelha

Voltamos para próximo do quiosque e decidimos continuar a caminhada para o lado direito da praia, onde mais pedras interceptavam o caminho e formavam pequenas piscinas naturais.

Piscinas naturais na Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Piscinas naturais 

Nos trechos de pedras, onde não é possível passar à pé, há curtas trilhas pela restinga que nos permitem seguir caminhando pela praia.

Trilha na Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Trilha entre as pedras

Uma agradável caminhada nos levou cada vez mais pra uma área cheia de pescadores e com cada vez mais pedras, com menor extensão de areia e mais próxima à encosta. Paramos algumas vezes para tomar banho de mar e conversando com uns rapazes que estavam por ali, descobrimos com espanto que havia uma cachoeira próxima, que desaguava bem na praia. Uma cachoeira na praia? Imperdível, né? Claro que decidimos encontrá-la e continuamos caminhando.

Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Areia vermelha 

Nativo pescando na Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Encontramos muitos pescadores nas pedras e encostas

Atravessamos uma área de pedras e dessa vez não havia trilha na restinga para ajudar. Após essas pedras, finalmente, chegamos numa cascata, que desemboca direto no mar. As pedras da cachoeira eram de uma cor diferente das demais da praia, já que era clara. Não entendi o motivo dessa característica, mas o contraste me pareceu muito bonito. Foi a primeira vez que vi uma cachoeira na praia e achei uma delícia aquilo tudo. 

Pedras na Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Pelas pedras à procura da cachoeira

Subimos nas pedras para chegar num ponto onde havia uma queda d'água e uma pequena piscina de água doce. Uma pedra fazia as vezes de cadeira e sentamos bem embaixo da queda e ficamos por bastante tempo ali apreciando o mar e curtindo a cachoeira, ao mesmo tempo. A sensação de estar ali na água doce olhando aquela imensidão de água salgada foi muito intensa, já que é uma mistura de sensações. Sem dúvida, que esse foi o ponto alto da nossa viagem.

Cachoeira desemboca no mar, na Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Cachoeira na praia

Cachoeira desemboca no mar, na Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.

Estávamos tranquilos e faceiros ali, quando de repente avistei um objeto volumoso no mar. Parecia um pneu, mas não combinava com aquela praia tão preservada ter um lixo assim tão grande boiando. Ficamos observando e o Thi concluiu que era uma tartaruga. Olhamos mais e mais e, sim, era uma tartaruga. Descemos correndo para alcançá-la e conseguimos. Ela boiava bem próximo à areia e conseguimos chegar ao seu lado. Minha alegria era enorme. Nunca havia visto uma tartaruga em seu habitat natural. Apenas vimos as que ficam nos aquários do Projeto Tamar, na Praia do Forte e as pequeninas tartaruguinhas que são liberadas pro mar no fim da tarde em Itaúnas. Nadamos com ela e chegamos a tocá-la. Várias pessoas também se aproximaram e começamos a achar estranho que ela não se afastava de nós. Foi quando nos demos conta que ela estava morta. Minha alegria imediatamente se transformou em pesar e fiquei triste de ver um bicho que poderia viver oitenta anos ali morto bem antes disso (pelo menos, achamos que ela não era velha, mas nem sabemos ao certo). Tentamos ligar para polícia e bombeiro para saber o que fazer com a carcaça, mas ninguém soube nos dar informação e, infelizmente, não há Projeto Tamar na região. Optamos por deixá-la no mar para que ela seguisse o seu caminho natural de decomposição. Triste.

Tartaruga na Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Tartaruga 

Voltamos ainda pensando na tartaruga e decidimos parar no posto do salva-vidas, ao lado do quiosque da praia. Ele nos informou que já tentou contato com o Instituto de Biologia da Uni-Vale, que faz pesquisas por ali, mas nunca ninguém se interessou por estudar os animais mortos na região. Uma pena, já que descobrir a causa da morte poderia ajudar a evitar causas potencialmente preveníveis, como a ingestão de lixo (principal causa de morte das tartarugas).

Passado o luto pela tartaruguinha, fomos almoçar no quiosque da praia e de lá seguimos viagem, mas sem nenhum destino programado. Fomos até o mirante da Praia Vermelha (que, na verdade, é uma pista de vôo livre) e o visual lá de cima me encantou mais ainda.

Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
Mirante da Praia Vermelha

Seguimos a estrada de terra que contorna a praia e passamos por trechos sem nenhuma ocupação humana e bem pouco explorados. Lindas encostas que terminam no mar.

Praia Vermelha, em Penha, no litoral catarinense.
A encosta acaba no mar

A estrada de terra segue até a Ponta do Vigiade onde curtimos uma visual espetacular do litoral norte da cidade e também da Praia Grande (essa última mais movimentada e menos charmosa, como toda e qualquer Praia Grande).

Ponta do Vigia, em Penha, no litoral catarinense
Ponta do Vigia

Seguimos no sentido norte e descobrimos a Praia do Cascalho, uma enseada tranquila, com casinhas simples e em estilo alemão bem na beira do mar e ficamos ali algum tempo aproveitando a sombra das amendoeiras que haviam na areia. Ali era uma delícia, mas a água de coloração preta e cheia de resíduos (dos barcos pesqueiros, ou de esgoto?) nos assustou um pouco. Haviam pessoas na água, mas nós não tivemos coragem de entrar.

Praia do Cascalho, em Penha, no litoral catarinense.
Praia do Cascalho

Praia do Cascalho, em Penha, no litoral catarinense.
Curtindo a sombra da amendoeira

Ficamos ali um tempo e decidimos seguir viagem. Sabíamos que dormiríamos em Joinville, já que no dia seguinte encontraríamos o Nahuel lá, mas ainda era cedo e queríamos aproveitar mais o dia. Seguimos sentido norte e deixamos Penha pra trás com ótimas recordações de descobertas intensas e inesquecíveis. Mas a viagem continuava e nossas emoções, naquele fim-de-semana, estavam apenas no início.


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