sexta-feira, 9 de maio de 2014

Mais do Caribe: Playa Maguana

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.

A ilha de Cuba é toda banhada pelo Mar do Caribe, o que deixa o país numa posição bem privilegiada em termos de praias e belezas naturais. Para onde vamos, há algum lugar paradisíaco e com aquela cor de mar dos sonhos. É claro que a coloração da água varia bastante, dependendo da localização, proximidade com rios, profundidade do mar, quantidade de algas no fundo do oceano, entre outras características. Mas a verdade é que a coisa mais fácil que há em Cuba é achar uma boa praia, o que me faz questionar o motivo que os turistas insistem tanto em ir apenas à Varadero, Cayo Largo e companhia limitada. Minha opinião é a de que ocorre uma pressão por parte das agências de turismo, que fazem toda uma propaganda em cima desses lugares, elevando preços e fazendo o famigerado turismo predatório e de massa. Enfim, uma pena, pois Cuba vai muito além dessas praias mais badaladas. Nós conhecemos algumas delas e pudemos comprovar a beleza da Península Ancón, devido sua proximidade com a Sierra del Escambray; o exótico Cayo Santa Maria, que tem vários resorts, mas onde conseguimos descobrir uma praia ainda praticamente inexplorada e outra afastada do grande público; a popular Playa Azul, próxima de Havana e que é a continuidade de Varadero e, por fim, a Playa Maguana, que é o tema desse post de hoje
Próxima de Baracoa e de fácil acesso, a praia é simplesmente fenomenal: areia branca, mar cristalino, sombrinhas de árvores e quase ninguém pra disputar espaço. Toda perfeitinha. Foi nessa praia que passamos grande parte do nosso terceiro dia em Baracoa, depois de um dia inesquecível na Boca de Yumurí.

Playa Maguana


Perdidos no tempo, devido ao início do horário de verão cubano, saímos de casa com uma hora de atraso. Otávio, o mesmo motorista que nos levara à Boca de Yumurí já nos esperava com sua namorada para iniciarmos o dia. E além da namorada, tínhamos mais companhia: uma caixa cheia de palomas mensajeras (pombos-correio), que estavam em treinamento para um importante campeonato na região. Em Maguana, elas seriam liberadas para voarem para casa. Ainda falarei mais sobre a tradição cubana de criar e adestrar as palominhas mais pra frente. Por ora, sigamos nosso caminho pra praia.

Saímos de Baracoa e seguimos no sentido oposto ao do véspera. E dessa vez, passamos pela famosa Fábrica de Chocolate, inaugurado em 1963 por Che Guevara, quando ainda era ministro da indústria.

Fábrica de chocolate, no caminho para Playa Maguana.
"Fabrica de Chocolate- inaugurada por El Che el 1o abril de 1963"

Seguimos viagem e, mais uma vez, passamos por inúmeros rios. Só que dessa vez, tivemos o privilégio de cruzar o rio mais caudaloso de Cuba, o Toa, que percorre 131 km até chegar no mar. É claro ele que está longe de ser tão portentoso quanto o nosso Rio Amazonas, mas mesmo assim é bem bonito.

Rio Toa, próximo à Baracoa e o mais caudaloso de Cuba
Rio Toa, o mais caudaloso de Cuba

Depois de uns quarenta minutos de viagem, chegamos ao nosso destino, a Playa Maguana. O primeiro contato com o lugar já me encantou: areia fina e branquinha e mar de uma cor indescritível. Paramos numa espécie de estacionamento natural, um local cheio de árvores, onde haviam vários carros e também ônibus de excursão estacionados, o que nos preocupou um pouco, já que fugimos sempre de agitação. Ali também havia alguns bares com música. Mas a verdade é que a praia nem estava cheia. No máximo, umas dez pessoas espalhadas nesse trecho mais agitado de areia.

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.
Chegada na Playa Maguana

Maguana e Palomas


A primeira função do dia foi libertar as coitadas palominhas, que vieram presas no carro. A colombofilia é muito comum em Cuba e consiste na criação e adestramento de pombas para que se tornem pombos-correio. Na Antiquidade, elas serviam mesmo como correspondentes levando e trazendo mensagens, mas hoje o objetivo de seus criadores é apenas competitivo. Em Cuba, existem várias competições em que ganha a pombinha que chegar primeiro em seu destino. Para isso, elas são continuamente treinadas, em distâncias cada vez maiores. As nossas palominhas estavam justamente nesse treinamento e a soltaríamos ali na praia e seus donos contariam o tempo que elas chegariam em casa.
O momento de soltá-las foi emocionante. Todos pararam na praia para ver e quando elas levantaram vôo, pareciam estar meio perdidas e foi cada uma pra um lado, mas segundos depois elas já se reuniram e seguiram juntas o seu destino. Lindinhas mesmo.

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.
Palomas Mensajeras são soltas em Maguana, para treinarem seu sentido de direção

Cumprida nossa missão com as aves, era a hora de curtirmos aquele paraíso. Fomos procurar um cantinho sossegado e aproveitamos para caminhar um pouco pela região. A praia é bem extensa e à esquerda, termina quase que numa floresta de coqueiros, que fica em cima de um coral. Bem lindo.

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.
Descobrindo a região

Logo tivemos uma boa surpresa: nossos amigos alemães, que havíamos conhecido na primeira noite em Baracoa, estavam por lá e pudemos conversar um pouco sobre as impressões de cada um. Claro que todos estavam encantados com lugar. Mas o casal parecia querer curtir o Sol sem ninguém incomodando, por isso logo seguimos nossa caminhada.

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.
Nossos amigos alemães curtindo um Solzinho

Logo chegamos onde nos pareceu ser o lugar ideal para passarmos o dia. Um trecho praticamente deserto, com sombras gostosas de árvores e com um belo cenário da floresta de coqueiros, compondo a paisagem. Foi ali mesmo, nesse cenário idílico que ficamos e passamos a maior parte do dia.

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.
Curtindo o Mar do Caribe

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.
"Floresta" de coqueiros, no fim da praia

O tempo ali passou tão rápido, que quando vimos já eram quase 15h. Nem nos demos conta da hora, mas começamos a sentir o Sol arder na pele e percebemos, então, que já era hora de ir embora. Iniciamos nosso caminho de volta e nos despedimos de nossos amigos alemães, que continuavam esturricando no Sol.
Nós ainda teríamos alguns destinos a visitar naquele dia, pois o Otávio prometera nos levar em alguns outros lugares da região. E cumpriu a promessa. Seguimos de Maguana para o Rio Miel, por onde há passeios de barco e uma bela paisagem. Não fizemos o passeio, mas curtimos o visual do lugar. Ali, a namorada do Otávio resolveu entrar num barco pra descansar, mas depois não conseguiu mais sair. O Otávio começou a implicar com ela e não a ajudava, o que rendeu uns bons minutos de gritos e xingamentos da moça. Foi engraçado no começo, mas só no começo. Logo depois, fomos embora.

Rio Miel, próximo à Playa Maguana.
Rio Miel

Boca do Miel, próximo à Playa Maguana
Boca do Miel

El Yunque 


Dali, o Otávio entrou numa trilha roots de barro e chegamos bem próximo ao Yunque, a montanha em formato de bigorna que é o cartão-postal de Baracoa. É possível percorrer trilhas pela região e mesmo subir até seu cume, mas não teríamos tempo suficiente para fazê-la. Esse é, sem dúvida, um dos motivos para retornamos à cidade, além de revermos os amigos que fizemos por lá. Espero sinceramente que esse dia chegue logo.

El Yunque, símbolo de Baracoa, a cidade mais oriental de Cuba.
El Yunque

Mas o dia ainda não tinha terminado. Eu tinha pedido ao Otávio, que nos levasse num mirante para que eu pudesse fotografar a cidade do alto. E nosso amigo prontamente me atendeu. O bom é que nesse retorno para Baracoa, demos várias caronas e, diferente da véspera, ele não cobrou das pessoas e eu fiquei bem feliz com isso. Chegamos na cidade e fomos direto ao Castillo de Seboruco, um antigo forte de 1759, que hoje é um luxuoso hotel. Otávio conhecia todos ali e conseguimos entrar no lugar sem nenhuma dificuldade. E, de fato, os hóspedes tem uma visão privilegiada da baía de Baracoa e de toda a região. A paisagem é encantadora.

Baía de Baracoa, em Cuba
Baía de Baracoa com El Yunque ao fundo

Desde a véspera, o Otávio tentava nos mostrar uma montanha ao lado do Yunque, que tinha o formato de uma mulher deitada de barriga pra cima. Segundo ele, dava pra ver seus lábios, seus seios, sua barriga e até sua púbis. Eu não tinha visto nada disso da primeira vez que ele mostrou e  aqui no Castillo, ele voltou a insistir na tal montanha. Eu continuei sem ver nada do que ele falava e só agora, vendo a foto que fiz da tal mulher, consegui ver seu formato, mas confesso que precisei usar a imaginação.

Baracoa, em Cuba
Vê uma mulher deitada de barriga pra cima?

Mais uma vez, o tempo começou a mudar, como na véspera e de repente o céu estava completamente cinza. Já estávamos acostumados com as bruscas mudanças climáticas de Baracoa e nem ligamos, mas isso nos fez lembrar que o dia já estava mesmo no fim. Infelizmente

Otávio e Thiago na despedida do Yunque

Voltamos pra cidade felizes com tudo que havíamos vivido e ainda mais encantados por essa região tão especial de Cuba. A vontade de ficar mais já começava a bater na nossa porta.
Mas, por in crível que pareça, esse dia ainda nos traria muitascoisas boas, que eu já contei aqui.


Mais fotos da Playa Maguana:

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.

Playa Maguana, em Baracoa é um pedacinho do Caribe Cubano.


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