quarta-feira, 21 de maio de 2014

Os meus desencantos com Santiago de Cuba


Sílvio Rodriguez
Castillo del Morro, em Santiago de Cuba.
Castillo del Morro com a Sierra Maestra, ao fundo

Santiago de Cuba é a capital do Oriente, como os cubanos chamam o extremo leste da ilha. Segunda maior cidade do país, grande centro cultural e turístico, a cidade borbulha e está sempre cheia (de pessoas e de carros). Andar pelas ruas de Santiago nos pareceu sufocante, tanto pela fumaça dos velhos automóveis, como pela quantidade de pessoas que precisamos desviar, ao caminhar pelas estreitas calçadas. Depois de três dias na tranquilidade e paz de Baracoa, andando pelas ruas (e não pela calçada) e sem nos preocuparmos com nada, foi difícil nos adaptarmos ao ritmo da "cidade grande". Os jineteros voltaram a nos incomodar e quase fomos atropelados, na loucura do trânsito. Aqui, parece que a lei é dos mais fortes: ou você sai da frente do carro, ou eles te atropelaram. Prioridade para pedestres? Os santiaguenses (e os cubanos, de forma geral), definitivamente, ainda não ouviram falar nisso.
Apesar da nossa inadaptação com seu ritmo, Santiago de Cuba, de fato, tem uma arquitetura belíssima e em seus arredores encontramos riquezas como o santuário onde encontra-se a padroeira do país, ou o esplendoroso Castillo del Morro com uma paisagem de tirar o fôlego. Foi passeando por esses lugares que nos ocupamos durante nosso único dia na cidade.

Era uma vez em Santiago de Cuba...


Santiago de Cuba foi fundada em 1514, após Diego Velásquez ter abandonado Baracoa às traças em busca de um local de mais fácil acesso às demais regiões da ilha. E encontrou aqui tudo que precisava: uma baía tranquila para suas embarcações, possibilidade de explorar o resto do país e pontos estratégicos para montar fortificações que lhe assegurassem proteção à constante ameça de piratas. Estava fundada a cidade, que mais tarde viria a ser também o epicentro da Revolução Cubana. Esta que se iniciaria com o assalto ao Cuartel Moncada ainda em 1953 e, depois, já em formação de guerrilha, se concentraria na Sierra Maestra para ganhar força até a vitória concretizada em Havana, em 1959. Além de toda essa importância histórica, Santiago também tem fama por sua cultura. Aqui, nasceram importantes nomes da música cubana, como Compay Segundo, Ibraim Ferrer, entre outras figuras fundamentais do son. Isso sem falar no famoso carnaval de rua, que ocorre (inexplicavelmente) em julho e deixa a cidade cheia de cores e ritmos.

Foi nessa mistura de sons, cheiros e historias que passamos um dia cheio de emoções. Chegamos na cidade no fim da tarde e o ônibus de turismo que havíamos vindo (a Cubatur) nos deixou já no Parque Céspedes, o que foi realmente uma grande vantagem, pois economizamos o táxi da rodoviária, já que nossa casa particular era ao lado do parque. O incômodo foi a quantidade de jineteros que imediatamente nos cercou logo na descida do ônibus, mas o mesmo aconteceria na rodoviária, pela nossa experiência prévia na ida para Baracoa.
Depois de uma rápida caminhada, chegamos na casa de Dona Yolanda, nossa anfitriã, que nos fora recomendada por nosso amigo Ángel, de Trinidad. Sem dúvida, essa foi a casa mais suntuosa que nos hospedamos em toda Cuba. Seu estilo colonial e a antiga mobília davam um ar elegante ao ambiente, assim como a formalidade da solícita senhora, que estava sempre muito bem arrumada e atenciosa. Tivemos apenas dois problemas com Dona Yolanda: devido a sua idade já avançada, ela não servia refeições (nem o café da manhã) e suas indicações de restaurantes e passeios foram todas bem frustrantes. Tirando isso, foi muito agradável a estada em sua casa, assim como a longa conversa que tivemos com ela naquela noite.

Desencantos em Santiago de Cuba: nossa anfitriã não fazia café da manhã e teve péssimas indicações.
A linda casa de Dona Yolanda

Pelo Centro Histórico de Santiago de Cuba

Rapidamente, nos acomodamos em nosso quarto e seguimos para a primeira exploração pela cidade, desviando de carros, de turistas e de cubanos. Que cidade agitada!
Começamos nossa caminhada pelo Balcón Velázquez, um antigo forte do século XVI, que hoje abriga um centro cultural e tem uma bela vista da baía de Santiago. Enquanto estávamos lá, ocorria uma aula de yôga no local e apenas entramos pra ver como era o ambiente, pois para fotografar era necessário pagar e nós nos negamos à isso. Ficou registrada apenas a foto do lado de fora, que não precisou ser paga.

Desencantos em Santiago de Cuba: precisa pagar pra fotografar dentro do Balcão Velásquez
Balcón Velázquez vista do lado de fora e a baía de Santiago, ao fundo

De lá, seguimos novamente ao Parque Céspedes, dessa vez sem mochilas e jineteros para nos atrapalhar o passeio. O lugar é, na verdade, uma grande praça cercada pela Catedral de la Asunción, que encontrava-se em reformas, mas mesmo assim nos impressionou pela beleza. Diz a lenda que Diego Velázquez está enterrado embaixo dela, mas ninguém tem provas concretas disso.

Desencantos em Santiago de Cuba: carros quase nos atropelavam todo o tempo
Parque Céspedes e a Catedral de la Asunción, entre os muitos carros e pedestres de Santiago

O entorno do parque é lindíssimo com antigos prédios de estilo neoclássico e também em estilo mudéjar, tipo de construção que reúne características hispânicas e muçulmanas. O principal exemplo da influência mourisca na arquitetura da cidade é a casa de Diego Velázquez, localizada em frente ao parque. Construída no século XVI, é a mais antiga casa de Cuba e foi toda restaurada em 1965 pelo arquiteto Franisco Prat Puig. O que mais chama a atenção são suas grades de madeira e os afrescos nas paredes.

Janela em estilo mudéjar, em Santiago de Cuba
Detalhe de uma das janelas em estilo mudéjar

Do Parque Céspedes, caminhamos em direção aos Degraus do Padre Pico, uma escadaria que nos leva ao Tívoli, o bairro mais autêntico e pitoresco da cidade, onde moram imigrantes de diversos países, como Porto Rico, Haiti, República Dominicana, entre outros.

Santiago de Cuba
Degraus do Padre Pico

Logo me encantei pelo Tivóli com suas casas simples e ar de cidade do interior. Crianças brincavam na rua e idosos conversavam nas calçadas. Um clima que tanto gostamos e que nos pareceu mais ameno do que o que víramos até então naquela cidade barulhenta.

Tívoli, o lugar mais autêntico de Santiago de Cuba.
Tívoli, o bairro mais autêntico de Santiago

Ficamos bastante tempo caminhando por ali e ainda vimos um belíssimo pôr do Sol, que se escondia atrás da histórica Sierra Maestra. Um passeio despretensioso que nos rendeu um dos mais belos fins de tarde da viagem. Sem dúvida que se eu voltasse à Santiago seria para me hospedar nesse delicioso bairro.

Pôr do Sol na baía de Santiago de Cuba com Sierra Maestra ao fundo.
Pôr do Sol na Sierra Maestra às margens da baía de Santiago

Voltamos para a casa já à noite e foi o tempo de tomarmos banho e sairmos para jantar. Dona Yolanda nos recomendou um restaurante e gentilmente foi conosco até lá. O lugar era agradável e tinha uma boa música, mas foi uma das piores refeições que tivemos no país. Comida sem sabor e mojito ruim. Realmente, não demos sorte com os paladares cubanos. O único que gostamos mesmo foi o de Sanctu Spiritus. Todos os outros pareciam não trabalhar com temperos.
Depois do jantar, mais uma decepção: fomos à Casa de la Trova na expectativa de ouvir boas músicas, como em Baracoa, mas encontramos um baile de reggaeton insuportável. Nem chegamos a entrar e voltamos para casa. Santiago realmente não parecia estar cooperando para que gostássemos dela.

Desencantos em Santiago de Cuba: Catedral fechada para reformas
Parque Céspedes e Catedral à noite

Chegando em casa, encontramos Dona Yolanda muito atarefada. Havíamos pedido que ela lavasse nossas roupas, pois quase todas já estavam sujas, mas não nos apercebemos que a senhora (já na casa dos setenta anos) ficaria acordada até de madrugada para dar conta do serviço. Acabei me sentindo culpada e me pus a ajudá-la. Nos intervalos entre cada funcionamento da máquina de lavar, aproveitávamos para conversar. E foi mesmo uma conversa muito proveitosa e agradável.
Dona Yolanda é uma professora aposentada que fundou seis escolas na cidade e participou ativamente da campanha de alfabetização que erradicou o analfabetismo em Cuba ainda no primeiro ano da Revolução Cubana. A elegante senhora também participara do processo de guerrilha, levando alimentos para os combatentes, além de costurar os braceletes do Movimiento 26 de julio. Estávamos em frente a uma lenda viva do período pré-revolucionário e queríamos tirar dela todas as informações que podíamos sobre o país. Seu marido, que já estava dormindo, fora combatente em Angola. O Thiago que estava justamente lendo um livro sobre a missão cubana naquele país africano, aproveitou para tirar suas dúvidas e tentar entender um pouco mais do processo. A conversa e o trabalho duraram até quase duas da manhã e fomos dormir cansados, mas satisfeitos por termos aprendido mais sobre a história de Cuba com alguém que viveu vários períodos importantes do país.

Pelos arredores de Santiago de Cuba


No dia seguinte, acordamos cedo e o nosso café da manhã seria servido na casa do irmão de Dona Yolanda, localizada a três quadras de distância. Lá já havia um grupo hospedado, que já esperava a refeição e nós chegamos na hora marcada, mas tivemos que esperar bastante para conseguir comer. O lado bom foi que a casa era linda e tinha até uma fonte no jardim. Ficamos apreciando o lugar e o tempo passou rápido. Tão rápido que tivemos que comer o café da manhã às pressas pra não atrasar o passeio do dia.
Dona Yolanda havia nos indicado uma pessoa para nos levar pra passear nos arredores da cidade. Nosso plano era aproveitar o máximo daquele que seria o único dia em Santiago, pois naquela mesma noite já pegaríamos novamente a estrada.

Mal sabíamos que aquele dia nos reservaria inúmeras emoções. A primeira já começou dentro do carro (que aliás era o mais moderno que andamos em Cuba inteira- um peugeot relativamente novo e com direito a air-bag e banco de couro, uma verdadeira raridade no país), quando nosso motorista ligou o som no volume máximo. E não estou usando metáfora. Era literalmente o último volume de um reagaeton daqueles que eu já ouvira na ilha outras vezes e já odiara também outras vezes. Alto daquele jeito, então, minha irritação chegou ao limite. Eu só pensava que Santiago não tinha nada que ver conosco e queria embora logo. Conseguimos negociar um volume mediano com o sujeito, que ficou um tanto quanto decepcionado, já que a música que tocava era de um CD que ele mesmo produzira, poisera DJ. Com o som mais baixo, conseguimos conversar um pouco e o moço se mostrou o maior crítico do governo que conhecemos em Cuba. Ele odiava Fidel com todas as forças e o xingava de todos os nomes possíveis. Contou que sua música já havia sido censurada, devido a um trecho que falava da polícia e que não podia morar em Havana, pois precisava comprovar que tinha residência lá. Bradava que nós tínhamos dinheiro e ele não e que nós podíamos viajar e ele não. Sua fala era de uma passionalidade pouco parcial, mas foi bom ter contato com uma opinião diversa. Nitidamente, ele sonhava com um padrão norte-americano de vida (até seu jeito de se vestir era de um americano) e era isso que balizava sua vida. Perguntamos se ele já tinha pensado de sair do país, mas ele desconversou e não nos respondeu.

Santuário de Nuestra Señora de la Virgen de la Caridad del Cobre


Num clima um pouco tenso, pela barulheira ensurdecedora e a conversa muito exaltada de nosso guia, chegamos no principal santuário religioso cubano: o Santuario de Nuestra Señora de la Virgen de la Caridad del Cobre. Minha irritação atrapalhou um pouco o início do passeio, mas a força do lugar acabou sendo maior que a amargura e me deixei tocar pela beleza e suntuosidade da igreja.

Desencantos em Santiago de Cuba: motorista louco.
Santuario de la Virgen de la Caridad del Cobre

O Santuário localiza-se no alto de uma colina, numa cidadela localizada à 27km de Santiago. De longe, já avistamos suas três naves e os campanários e na estradinha que conduz a entrada principal, encontramos várias pessoas vendendo flores, velas, relicários e lembranças do lugar. Não é à toa. Aqui é o principal ponto de peregrinação dos católicos cubanos, já que a santa é a padroeira do país e tem muitos devotos.
Tivemos contato com a história da imagem ainda em Trinidad, quando Hiliana, nossa anfitriã e devota fervorosa da santa, nos contou sobre a escultura encontrada em 1613 por índios, quando flutuava à deriva no mar, parecendo uma gaivota morta. A população logo se impressionou com a beleza da estátua e considerou um milagre a chegada da santa, de tal maneira que construíram um pequeno altar para ela, no local onde hoje é o enorme santuário. O lugar ficava nas bordas de uma mina de cobre, que acabou virando o nome da santa. A notícia correu o país e todos vinham conhecer a misteriosa imagem. E após a proclamação da independência de Cuba, os veteranos da guerra escreveram ao Papa Benedito XV para que este a proclamasse padroeira do novo país, que respondeu positivamente ao pedido em 1916.

Virgem de la Caridad del Cobre, em Santiago de Cuba.
Virgem de la Caridad del Cobre

Em 2012, pela primeira vez na história, a imagem percorreu toda a ilha, em comemoração aos 400 anos de seu aparecimento. Podemos considerar esse peregrinação como um marco histórico, já que Fidel Castro, durante muito tempo em seu governo, proibira qualquer manifestação religiosa (até mesmo a santeria, tão comum em Cuba). Foi somente em 1998, quando ocorreu a visita do Papa João Paulo VI ao país que começou a haver maior liberdade religiosa na ilha.

Quartel Moncada


Foi assim que deixamos o majestoso santuário para trás e novamente fomos ao encontro de nosso tresloucado motorista. Retomamos a estrada de volta à Santiago e o combinado seria paramos no Quartel Moncada para conhecermos, mas Fran se recusava veementemente a nos levar até lá, dizendo que aquilo tudo era uma bobagem e que seria uma perda de tempo ficarmos vendo fotos velhas. Depois de muita negociação e insistência, o convencemos a nos levar, já que era caminho para nosso próximo destino.
E ainda bem que fomos. O lugar é emocionante já na entrada: os tiros ainda estão na fachada, lembrança do assalto que ocorreu ali no dia 26 de julho de 1953 e que pode ser considerada um ensaio para a guerrilha que aconteceria anos mais tarde. Não é a toa que o nome dado ao grupo liderado por Fidel, na Sierra Maestra viria a se chamar 26 de julio. Falei sobre isso com bastante detalhes aqui.

Quartel Moncada, em Santiago de Cuba.
Quartel Moncada, hoje uma escola

Hoje, o quartel é uma escola e as crianças tem aulas entre as diversas fotos e objetos que compõe o museu aqui localizado. Enquanto que no Museo de la Revolucion, tivemos uma visão geral da história de Cuba e, principalmente, do período posterior ao embarque do Iate Granma na Sierra Maestra, no Moncada, podemos ter mais detalhes do assalto e do início da vida política de Fidel. Não é possível tirar fotos de dentro do museu sem pagar e tivemos que nos contentar com algumas tiradas do lado de fora do prédio. Acabamos não nos demorando muito por lá, já que o Fran nos esperava impaciente.

Castillo del Morro


Seguimos, então, em direção ao mar, pro nosso último destino de carro: o Castillo del Morro, um dos principais pontos turísticos de Santiago.  A gigantesca fortificação fica localizada numa posição privilegiada, bem na entrada da baía da cidade, construída ali em 1637 justamente para proteger as cercanias de piratas e invasores.
Já no caminho para o castelo, temos um primeiro impacto com a magnitude do prédio e a vontade é acelerar o passo para chegar logo naquele monumento.

Castillo del Morro, em Santiago de Cuba.
Caminho para o Castillo del Morro

O castelo foi projetado pelo arquiteto Giovanni Bautista Antonelli à pedido do governador da época, Pedro de la Roca, que "emprestou" seu nome ao lugar. A construção da cidadela com capacidade para 400 soldados demorou mais de 60 anos para ficar pronta e, de fato, é uma obra de engenhosidade que se modela perfeitamente ao enorme declive do terreno.

Castillo del Morro, em Santiago de Cuba.
A entrada da baía de Santiago com a Sierra Maestra, ao fundo

Caminhamos pelos túneis, pontes, escadas e passagens da fortaleza e a construção em estilo medieval nos chamou a atenção, mas o que nos fez arrepiar mesmo foi a vista do alto do castelo. À nossa frente, aquele marzão sem-fim; à esquerda, a Sierra Maestra; logo abaixo de nós, a entrada da baía e ao fundo, todo o encanto da baía e da cidade de Santiago de Cuba. Definitivamente, valeu todo o esforço de ouvir a música ruim no carro do nosso guia só pra ver de perto esse espetáculo.

Castillo del Morro, em Santiago de Cuba.
A beleza da construção em estilo medieval

Castillo del Morro, em Santiago de Cuba.

Ficamos bastante tempo ali curtindo aquele lugar e a paisagem. Nosso único incômodo foi com uma funcionária que nos cobrou pra usar um banheiro sujo e mal cuidado, mas já estávamos acostumados com jinetagens como essa, no país.
A minha vontade era a de ficar ali até a hora do pôr do Sol, quando ocorre um canhonaço, já tradicional na cidade. Mas estávamos decididos a ir embora hoje mesmo e precisávamos chegar à rodoviária a tempo de encontrar passagem de Ônibus para algum lugar. Só não sabíamos ainda onde...

Castillo del Morro, em Santiago de Cuba.
Baía de Santiago 

Na volta, demos "carona" (entre aspas, pois o Fran cobrou) pra um casal (ela, uma jovem cubana e ele, um velho italiano) e nosso insatisfeito motorista ganhou força com a senhorita que também falou bastante mal dos irmãos Castro. A moça nos disse que a gente precisava conhecer os bairros mais afastados das cidades. Bom, nós conhecemos as periferias de Cuba. Mas será que ela continuaria com a mesma opinião sobre o regime, se conhecesse as nossas periferias brasileiras?

Chegamos de volta na Dona Yolanda e foi só o tempo de pegarmos nossas bagagens e nos despedirmos. O próprio Fran nos deixou na rodoviária e ali decidiríamos nosso futuro pela ilha. Após estudarmos os trechos disponíveis, ainda não tínhamos certeza de onde iríamos. Tínhamos duas alternativas: voltar pra Havana, ou irmos pra Santa Clara (e de lá, para Remedios).
Decidimos dar uma caminhada para pensarmos bem e aproveitamos para conhecer os arredores da rodoviária. Bem em frente, fica a Plaza de la Revolucion, uma enorme área verde, onde os cubanos se reúnem para passear, jogar beisebol, ou simplesmente bater papo. Ali se localiza uma escultura em homenagem à Camilo Cienfuegos, um dos combatentes da Sierra Maestra e fundador do Exército Rebelde, que morreu num misterioso acidente de avião por causas desconhecidas (mas que os inimigos do regime- incluindo nosso revoltado motorista- insistem em dizer que foi tudo premeditado e ordenado por Fidel).

"Aqui no se rinde nadie", frase de Camilo Cienfuegos, em Santiago de Cuba.
"Aquí no se rinde nadie," (Camilo Cienfuegos)

Bem no fim da praça, fica o Monumento em homenagem à Antonio Maceo, um dos heróis da independência cubana e que nasceu em Santiago. A monumental escultura, inaugurada na década de 90 é obra do artista Alberto Lescay e se sobressai no cenário plano da praça. Só compete com a magnitude da Sierra Maestra, que compõe o fundo da paisagem.

Desencantos com Santiago de Cuba: muitos jineteros.
Monumento em homenagem à Antonio Maceo

Depois do passeio, voltamos à rodoviária e ponderamos várias questões para, finalmente, decidir nosso próximo destino: Remedios. Compramos as passagens e nos preparamos para encarar mais uma noite no gélido ônibus da Viazul. Na manhã seguinte, já estaríamos em Santa Clara.


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