segunda-feira, 30 de junho de 2014

Santa Clara de Che Guevara

"Aqui se queda la clara
La estrañable transparencia
de su querida presencia, 
Comandante Che Guevara..."
(Carlos Puebla)
Frase famosa de Che Guevara, em Santa Clara.

Santa Clara não tem muitos atrativos naturais; nem tem a mesma arquitetura majestosa de Havana. Mesmo assim, a cidade é visitada diariamente por milhares de turistas que querem conhecer mais de uma das figuras mais famosas da história mundial: o médico socialista Ernesto Guevara de la Serna.
Che não nasceu aqui. Nem morreu. Mas foi nessa pequena cidade na região central de Cuba, localizada a 268km de Havana, que o revolucionário ganhou a mais importante batalha da Revolução Cubana, garantindo a vitória aos guerrilheiros comandados por Fidel Castro. E também é aqui que está localizado o mausoléu do mesmo Che, homenageado como herói nacional.
Nós passamos apenas algumas horas na cidade, já que era caminho obrigatório entre Remedios e Havana. Foi pouco tempo, mas suficiente pra conhecer os principais locais da história recente da cidade e sentir de perto toda a aura que envolve Guevara, em Cuba.

Rápida passagem por Santa Clara


Saímos cedo de Remedios, acompanhados por nossos amigos argentinos Julieta e Emmanuel, no carro do Alain, o mesmo motorista que já nos levara na véspera ao Cayo Santa Maria.
A viagem foi rápida e agradável. Nossos amigos já conheciam Santa Clara, mas mesmo assim Alain fez questão de parar num dos pontos turísticos principais da cidade: o local onde está até hoje o trem que tombou após o descarrilhamento que o Che e sua tropa organizaram nos últimos dias do ano de 58. Foi uma noite e um dia de combate até que os soldados presos dentro do trem se rendessem e dessem a vitória aos guerrilheiros. O fato desencadeou a fuga do ditador Fulgêncio Batista do país, deixando a ilha nas mãos da Revolução. Já contei essa história com todos os detalhes, quando visitamos o Museo de la Revolución, em Havana, logo no início da viagem. 

Mausoléu de Che Guevara em Santa Clara.
Mausoléu Guevara

Mausoléu Guevara


Vou me deter mais, nesse post, em falar sobre o Mausoléu Guevara, já que sobre a batalha eu falei antes. Guevara morreu em outubro de 67, após ser capturado numa guerrilha na Bolívia. Seu corpo ficou desaparecido até 1997, onde foi encontrado numa vala comum e sem suas mãos, que foram decepadas na ocasião de sua morte. No mesmo ano, sua ossada junto com a dos outros seis companheiros mortos na mesma batalha foram levados para Cuba, indo direto para o Mausoléu construído por Fidel Castro, que ofereceu aos combatentes honras de Chefe de Estado. Além disso, entre 1997 e 2000, outros corpos foram identificados na selva boliviana e foram enterrados junto com os demais companheiros no mausoléu cubano.
Infelizmente, não é permitido fazer fotos no interior da construção, onde há também um museu sobre a obra e a vida de Che Guevara, por isso não temos imagens do local onde ficam os corpos.
O curioso foi que imaginamos que o mausoléu seria mais pomposo e que Che teria uma sala só pra ele, mas não é assim. É apenas uma grande sala com várias placas, uma pra cada corpo. A do Che fica no meio, mas não tem nenhuma outra diferença em relação aos outros. Não há muito que ver, além das placas. Rapidamente, conhecemos o recinto e seguimos pra conhecer o resto do lugar.

Monumento em homenagem à Che Guevara, em Santa Clara.
Frase do Che, no monumento em sua homenagem

Na parte externa, um enorme monumento com uma estátua em tamanho natural em cobre do herói argentino e, na frente, uma gigantesca área livre, onde Fidel Castro já realizou inúmeros de seus lendários (e longos) discursos.
Algo que me chamou a atenção foi a música que não pára de tocar no local. Músicas homenageando Che e que eu ouço desde adolescente. A canção composta pelo cubano Carlos Puebla é intitulada Hasta Siempre, comandante!, numa referência a famosa frase do revolucionário: Hasta la Victoria Siempre!

Depois da visita ao mausoléu e de caminhar um pouco pela cidade, tratamos de organizar nosso retorno para Havana, onde amigos muito queridos já nos esperavam. Apesar de termos todo interessante na história de Cuba e também na vida do Che, Santa Clara não era nossa prioridade pra conhecer e ainda queríamos conhecer outras coisas da ilha antes de chegar a hora da volta.


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