terça-feira, 19 de agosto de 2014

Cachoeira dos Luis: perdido no mato e achado pro paraíso

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão

Fim de semana de frio e numa época de atribulações profissionais. Pra que ficar em São Paulo, nessas condições? O ideal seria se mudar da cidade grande e encarar de vez a vida no mato, mas enquanto não conseguimos assumir definitivamente nosso lado caipira, seguimos em fugas ocasionais da metrópole, caindo na estrada sem destino.
Era tarde de sábado e arrumamos nossas malas sem saber onde iríamos. Fomos almoçar e no restaurante, o Thiago começou a pesquisar na internet onde poderíamos ir. Entrou em sites e estudou os mapas das cidades mais altas do país e resolveu que queria conhecer uma delas. Descobriu , então, Senador Amaral, a cidade mais alta de Minas Gerais e a segunda mais alta do país, perdendo apenas pra Campos do Jordão. Seguimos, então, pra lá, mal sabendo o que nos esperaria por aquelas bandas.

Entre São Paulo, Senador Amaral e Bueno Brandão


Saímos de São Paulo logo após o almoço e seguimos pela Fernão Dias rumo à Minas Gerais. São 175km até Senador Amaral e chegamos na pequena cidade já no fim do dia, quando o Sol se despedia. Se, por um lado, não conseguimos conhecer a cidade à luz do dia, por outro, tivemos a chance de curtir um belíssimo pôr do Sol na Serra da Mantiqueira, ainda na entrada da cidade.

Fim de tarde, em Senador Amaral
Fim de tarde, em Senador Amaral

Quando, de fato, chegamos no centrinho, foi uma uma situação curiosa. Havia uma Igreja, uma feira de malhas, um bingo e algumas barracas de lanches. Nada mais. Achamos a cidade pouco atrativa e não animamos de ficar por lá. Procuramos pousada e a única que achamos não tinha vaga. 
Foi, então, que ocorreu aquilo que sempre ocorre com as almas de boa vontade e que estão dispostas a se aventurar pelo mundo: um pergunta aqui e outra acolá até que conseguimos uma indicação de pousada, distante 20km de Senador Amaral e já na cidade de Bueno Brandão: a Pousada Cachoeira dos Luis. Na falta de opção, seguimos pra lá e foi uma grata surpresa, que nos garantiu um fim de semana delicioso. 
Os 20km eram de estrada de terra e bem escura. Confiamos no GPS e no destino pra conseguir chegar e, já tarde da noite, finalmente chegamos. Fomos recebidos pela adorável gerente do hotel, que cuida de tudo com muito carinho e capricho e que, além de tudo, ainda nos deu um descontão na diária, já que era final do sábado e o quarto ficaria mesmo vazio. O chalé foi uma surpresa à parte: lareira, uma cama enorme e o barulho delicioso da cachoeira, que parecia estar ali do nosso lado de tão forte que era. Nenhum outro barulho, nada nos incomodando. Abrimos o vinho e um amendoinzinho que conseguimos comprar (com esforço, já que no pequeno mercado não tinha quase nada) em Senador Amaral e curtimos nossa noite no meio do mato e, quem diria, cheios de conforto. Tudo que queríamos e precisávamos...

Cachoeira dos Luis


Acordamos tarde e sem pressa. Quando abrimos a janela, nos deparamos com um visual de tirar o fôlego. A cachoeira estava lá longe, mas exatamente de frente pra nós. Eu me impressionei com a distância, pois pelo barulhão que escutávamos à noite, parecia que ela estava do nosso lado. 

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Cachoeira dos Luis, vista do nosso quarto

O mais incrível que mesmo deitados na cama, podíamos ver a cachoeira e ficamos ali um tempão curtindo a paisagem antes de tomar café. E a cachoeira era só uma das belezas da nossa janela, já que toda a "vizinhança" era deslumbrante. O vizinho mais próximo ficava a léguas e em volta era só mato.

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Vista do nosso quarto

Para chegar no restaurante da pousada, precisamos fazer uma caminhada, já que nosso chalé era o último: mais isolado e mais tranquilo. Perfeitinho. Depois de um café da manhã delicioso e reforçado, seguimos pra conhecer mais de perto a cachoeira e as outras belezas do lugar.

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Restaurante da pousada

Pra chegar na cachoeira, precisamos fazer uma trilha leve, que nos leva pra dois caminhos possíveis: a base, ou o topo. Preferimos começar pelo topo da queda e depois descemos pra base. 

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Início da pequena trilha pra cachoeira

Em menos de quinze minutos de caminhada, já chegamos no alto da queda e de lá a vista é linda. Conseguimos ver nosso chalé lá do outro lado e temos dimensão da distância que caminhamos. Lá de cima, a queda parece ainda maior que de longe.

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Vista do alto da cachoeira com nosso chalé no alto à esquerda

Dali, descemos pra base da cachoeira, onde ficamos a maior parte do tempo. Passamos quase toda a manhã ali, caminhando, sentindo a paz do lugar e curtindo. Éramos os únicos no lugar e isso nos deu ainda mais liberdade: subimos até onde conseguimos, brincamos, colocamos nossos pés na água até senti-los congelando. Só não tivemos coragem de entrar mesmo, porque o frio era intenso.

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Cachoeira dos Luis vista de perto

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Relaxando

Depois de ficar um bom tempo ali, seguimos por uma trilha que dá num trecho do rio mais abaixo da cachoeira, que tem uns locais pra banho. Mas como não tínhamos intenção de entrar na água, só passamos e fomos embora. 
Na volta, ainda demos uma descansadinha no nosso quarto antes de almoçar. Depois do almoço e de uma boa prosa com o adorável casal que gerencia a pousada, fomos embora felizes e satisfeitos com o resultado da nossa inesperada fuga e, dessa vez, ainda conseguimos curtir a beleza das pequenas estradinhas que cortam a Serra da Mantiqueira.

Cachoeira dos Luis, em Bueno Brandão
Caminho de volta pra casa

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