segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Nosso roteiro em Cuba

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Playa Maguana
Foram 16 dias intensos, surpreendentes, avassaladores e que me modificaram definitivamente. Andamos por toda a ilha e, mesmo faltando muita coisa pra conhecer, deu pra vislumbrar o que é viver em Cuba nessa longa caminhada pelo país. Nosso roteiro estava longe de ser muito planejado. Em parte, pela falta de tempo de organizar tudo no Brasil; e em parte, por uma vontade inefável de viver na ilha o que ela tivesse a nos oferecer. Fomos de peito aberto e mente alerta. Claro que a falta de planejamento nos gerou alguns perrengues, principalmente com transporte (a maior dificuldade na ilha), mas as surpresas e momentos agradáveis foram maiores que todos os problemas e tivemos dias inesquecíveis.

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Paseo del Prado

Começamos a aventura em Havana, com um belo choque de realidade que nos fez logo perceber que, sim, estávamos em Cuba com suas belezas e dificuldades. Nesse primeiro dia, fizemos uma rápida caminhada por Habana Vieja e pelo Centro, terminando o dia no famoso Malecón, após conhecermos o charmoso Paseo del Prado, numa tarde de domingo em que crianças andavam de bicicleta e brincavam tranquilamente.
No dia seguinte, aproveitamos a manhã para já entrarmos na história do país e visitamos o Museo de la Revolución e saímos de lá sem fôlego não só pela longa exposição, mas pela intensidade que viveu sempre essa pequena ilha. Impossível conhecer Cuba sem se afetar (positiva, ou negativamente) com sua história. Aqui, manter a imparcialidade é tarefa difícil...

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Pensínsula Ancón 
 Já no segundo dia, começamos a encarar a dificuldade de transporte no país e percebemos que nosso roteiro seria decidido pelo disponibilidade de locomoção e não só pela nossa vontade. Foi quando descobrimos que um casal de poloneses estavam indo para Trinidad num carro coletivo e, bom, não perdemos a oportunidade e fomos com eles. Trinidad  foi paixão à primeira, segunda e terceira vista: pela cidade, por nossos anfitriões Ángel e Iliana e pela Península Ancón que visitamos de bicicleta, na nossa primeira vez no Caribe. Foram três noites e dois dias deliciosos e inesquecíveis.


De Trinidad, tínhamos a intenção de ir para Santiago de Cuba, mas foi foi só intenção mesmo. Apenas haviam ônibus diurnos para a grande cidade do oriente e nós, que não queríamos perder um dia inteiro dentro de um ônibus, tratamos de mudar de planos. Investigamos e descobrimos que de Sanctu Spiritus haveria um ônibus noturno para Santiago e partimos para lá, aproveitando o dia na capital da província e viajando à noite. A pequena cidade nos surpreendeu e nos ofereceu um dia agradável e verdadeiramente cubano com direito a participação no ensaio da banda municipal e brincadeiras com as crianças na saída da escola.

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Sanctu Spiritus

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Baracoa
Pegamos o ônibus noturno para Santiago e a partir dali, não sabíamos nosso futuro: ficaríamos lá, ou iríamos direto para Baracoa? Chegamos de madrugada e vários jineteros já nos incomodavam. Decidimos esperar abrir o guichê da Viazul e eles decidiriam nosso destino: se ainda houvesse bilhetes pra Baracoa, era pra lá que iríamos. E foi assim. Mais quatro horas de viagem e estávamos na Ciudad Primada. E ali passamos os três melhores dias de nossa viagem. Baracoa verdadeiramente nos encantou: suas belezas naturais, sua música e, principalmente, sua gente. Fizemos amigos que sei que ficarão para sempre nos nossos corações. E pra melhorar, ainda conhecemos lugares paradisíacos, como o cânion da Boca de Yumurí e a Playa Maguana de água azul bebê.

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Castillo del Morro
Depois de uma despedida triste, seguimos para Santiago de Cuba e, dessa vez, ficamos por lá. Logo de cara, a cidade nos assustou pela quantidade de turistas, carros e jineteros e decidimos ficar lá o menor tempo possível. Não sem antes conhecer alguns lugares famosos da região como o Quartel Moncada, o Santuário del Cobre e o Castillo del Morro. Tudo isso num único e esquisito dia, acompanhados de um motorista louco, que ouvia uma música insuportavelmente alto e falava muito mal do regime. Foi uma experiência única.

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Cayo Santa Maria
À noite, fomos pra rodoviária decididos a comprar passagem pra onde tivesse disponibilidade. E esse lugar era Santa Clara. Rapidamente, nos programamos e decidimos, então, ir pra uma pequena cidade próxima de lá, que chamava Remedios. Foram doze horas entre Santiago e Santa Clara e mais uma hora entre esta e Remedios, quando dividimos um carro particular com um casal de argentinos, que conhecemos na rodoviária. A cidadezinha nos encantou e pudemos novamente curtir uma vida tranquila, aproveitando a vagarosidade da pracinha e das longas prosas. No dia seguinte, aproveitamos pra conhecer um dos cayos mais famosos do país, o Cayo Santa Maria com seus enormes resorts.

Nosso roteiro na ilha de Cuba
Malecón

Depois de dois dias tranquilos e amenos, era hora de voltar pra Havana. No caminho, aproveitamos pra conhecer o famoso Mausoleu do Che, em Santa Clara e de lá, pegamos um carro particular, que só no caminho descobrimos que era ilegal. Por sorte, chegamos bem na casa de nossos amigos Estela e Jeferson, em Havana e lá ficamos nos nossos três últimos dias no país. E ainda pude comemorar meu aniversário, no último dia de viagem, na paradisíaca Playa Mar Azul, fechando a nossa passagem por Cuba já melancólicos e com vontade de voltar.


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2 comentários:

  1. Olá, parabéns pelo blog
    Muito bom os relatos da viagem de vocês a Cuba. Me deu vontade de voltar à Ilha e aprofundar experiências. Afinal, logo farão 30 (trinta mesmo, não três) anos que permaneci duas semanas na parte ocidental de Cuba. Muita coisa deve ter mudado, mas o essencial, ou seja o melhor, creio que não.
    Prossigam nas viagens e nos relatos.
    Abraços do Augusto
    http://viajantesustentavel.blogspot.com.br/

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  2. Muita coisa deve ter mudado nesses trinta anos mesmo, principalmente após o início do governo do Raul Castro, que iniciou um período de abertura econômica mais intenso. Imagino que na sua estada lá, o turismo ainda fosse incipiente, já que foi só nos anos 90 que o país se abriu mais à esse setor. Hoje, o turismo é um das principais fontes de divisas da ilha e penso mesmo que isso tem gerado uma desnível (mesmo que leve) de classe social, já que os cubanos que conseguem trabalhar com o turismo ganham mais.

    Cuba ainda é um país muito pobre, mas é admirável o acesso à saúde e educação. Eu me impressionei com a erudição da população, mesmo aqueles que tem trabalhos mais "simples". Como eu escrevi no primeiro post da série sobre o país, é muito melhor ser pobre em Cuba do que no Brasil...
    Fico mto curiosa com o futuro desse país, que eu tanto admiro,...

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