domingo, 2 de novembro de 2014

Itinerância em Manaus: Teatro Amazonas


Teatro Amazonas, em Manaus.

Manaus me surpreendeu. Talvez, porque eu a tenha conhecido logo após a Copa do Mundo, que gerou muitos investimentos públicos e privados em obras de infra-estrutura e urbanização da cidade. Algumas pessoas me disseram que antes da Copa a cidade era bem mais feia, suja e abandonada. Pode ser, mas o que eu vi foi uma cidade moderna, estruturada e com o caos típico das grandes metrópoles (congestionamentos, correria nos horários de pico, problemas de desabastecimento, etc). Se nos descuidamos, esquecemos que estamos na maior floresta tropical do mundo e que logo ali, atrás do porto está o Rio Amazonas, imponente e soberano. Caminhando pelas ruas do centro, só o calor e a intensa umidade nos faz lembrar que estamos na Amazônia, porque as lojas, restaurantes e altos prédios são os mesmos de grandes cidades do Sul e Sudeste.
Meus momentos em Manaus foram itinerantes, já que usei a cidade de base para os passeios pela Reserva Mamirauá e Presidente Figueiredo, além de ter permanecido a maior parte do tempo na cidade, num Congresso de Saúde Mental. Portanto, tive poucos momentos, de fato, turísticos, sendo eles basicamente em apenas dois dias: no primeiro, quando ainda com o Thiago (e poucas horas antes do nosso embarque para Mamirauá), conhecemos um pouco do centro histórico e fizemos uma visita guiada ao Teatro Amazonas e no último dia (poucas horas antes do meu embarque de volta à São Paulo), quando fui conhecer de perto, junto com meus parceiros de viagem, Ju e Arthur, o encontro das águas e algumas outras atrações próximas ao Rio Amazonas. Deixarei para relatar esse último dia em Manaus no próximo post e no atual me aterei à visita ao Teatro Amazonas realizada no primeiro dia de viagem.

Teatro Amazonas, em Manaus.
Teatro Amazonas


Sobre Manaus


Manaus é a principal e mais populosa cidade da região norte do país. Localizada na confluência do Rio Negro com o Rio Solimões, que a partir de então é chamado de Amazonas, portanto, no coração da Amazônia, seu nome vem da tribo indígena Manaós que habitava a região antes da fundação da cidade. Apesar de já haver uma tentativa de colonização da região desde o século XVI, foi apenas no século XIX, com o ciclo da borracha que a cidade viu seu maior período de crescimento.
Com a migração em massa de nordestinos fugidos da grande seca ocorrida entre os anos de 1877 e 78 e, ao mesmo tempo, a demanda crescente pela borracha nas indústrias automobilísticas do mundo inteiro, a capital do Amazonas passou a ser referência internacional na extração do látex com a descarada escravização dos explorados seringueiros, que eram quase todos nordestinos. Pode-se mesmo dizer que as edificações mais importantes de Manaus foram construídas com o suor desses trabalhadores que andavam quilômetros na selva para achar a seringueira, árvore que produz o látex. Fato incômodo e vexatório para a historiografia da cidade e mesmo do país.

Largo de São Sebastião, nas proximidades do Teatro Amazonas de Manaus.
Largo de São Sebastião


O Teatro Amazonas


O Teatro Amazonas surgiu nesse contexto da exploração da borracha e foi inaugurado em 1896 após doze anos de construção. A monumental edificação localiza-se no Largo de São Sebastião, bem no coração do centro histórico da capital amazonense. O Largo, aliás, é a região mais animada da cidade e todas as noites que passei em Manaus foram ali, ou no Bar do Armando (com música ao vivo),ou num dos restaurantes e lanchonetes da praça. Numa das noites, chegamos a ver um espetáculo no Teatro, o que tornou mais palpável a visita guiada que eu havia feito com o Thiago no nosso primeiro dia de viagem e que relato nesse post.

Teatro Amazonas, em Manaus.
Hall de entrada do Teatro

A visita guiada ao Teatro Amazonas é um tanto quanto tumultuada, pois ali se reúnem dezenas de turistas, que se aglomeram para tentar ouvir a explicação da jovem guia, cuja voz não alcança a todos os ouvintes. Soma-se à isso o calor amazônico no interior do Teatro e o resultado é uma visita exaustiva. No início, até tentamos seguir o comboio de turistas, mas no meio do passeio desistimos e começamos a andar por nossa conta pelas meandros do edifício. Portanto, a visita para nós valeu apenas para conhecer o Teatro, mas sobre os dados de sua história e características tivemos que buscar mesmo na internet.

Uma das poucas coisas que aprendi com a guia foi que todos os principais trabalhadores da obra foram trazidos da Europa, como os pintores, escultores, arquitetos e construtores e a área mais luxuosa do prédio, o Salão Nobre foi entregue ao artista italiano Domenico de Angelis para decoração. Nesse salão, se observa uma pintura em seu teto chamada "A glorificação das Bellas Artes na Amazônia", que possui a mesma característica da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, cujo olhar segue o observador, mesmo quando este caminha.

Teatro Amazonas, em Manaus.
Teto do Salão Nobre
(obra de Domenico de Angelis)

Mas foi mesmo o Salão de Espetáculos, que nos chamou mais atenção. Com capacidade para 701 pessoas (com uma cabine especial para o presidente), a sala é dividida entre a platéia e mais três andares de camarotes.

Teatro Amazonas, em Manaus.
Camarotes

O palco é mesmo esplendoroso e apresenta mais de dez metros de altura com seis de largura com uma imensa cortina vermelha cobrindo seu interior.

Teatro Amazonas, em Manaus.
Salão de Espetáculos

E o mais impressionante desse salão é seu teto. Com um lustre colossal, importado de Veneza e pinturas diversas, fazendo referências à música, dana e tragédia, além de uma homenagem ao compositor brasileiro Carlos Gomes

Teatro Amazonas, em Manaus.
Teto do Salão de Espetáculos

O Teatro Amazonas está longe de ser o mais belo do país, mas conhecê-lo é fundamental pra entender a história de Manaus e suas características tão especiais.


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