quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Para além de Campos do Jordão: Santo Antônio do Pinhal

Pôr do Sol em Santo Antônio do Pinhal

Sábado à tarde, dia quente e seco de outubro, céu azul e ar parado. Após uma manhã de trabalho duro, em São Paulo, eu e Thiago nos olhamos e decidimos: bora fugir dessa secura infernal. Mas pra onde? Ah, a estrada decide. Ela não costuma nos decepcionar. Já não é a primeira, nem segunda vez que fazemos isso. Aliás, ao longo desse ano, essa cena tem se repetido algumas vezes: pegamos o carro e andamos sem rumo. São Paulo tem se tornado arredio para nós e a estrada tem gritado cada vez mais alto nos nossos ouvidos.
A ideia era ir pra alguma praia e na mala colocamos roupas de banho, shorts e cangas. Mas o destino (vulgo congestionamento na Rodovia Imigrantes)  não queria que tomássemos banho de mar e nossa rota foi sumariamente alterada para Santo Antônio do Pinhal, uma cidade serrana e fria à noite e para onde levamos nossas roupas de banho, shorts e cangas sem nenhum constrangimento.

Estrada para Santo Antônio do Pinhal
Estrada para Santo Antônio do Pinhal

O charme e a beleza de Santo Antônio do Pinhal


Santo Antônio do Pinhal fica no Vale do Paraíba, já na subida para a Serra da Mantiqueira, distante 175km de São Paulo. O pequeno município de pouco mais de seis mil habitantes é considerada uma estância climática e recebe milhares de turistas por ano, que enchem suas ruas. Na verdade, a maior parte desses visitantes vem de Campos de Jordão, sua vizinha mais famosa e cara. Ainda são poucas as pessoas que, de fato, escolhem Santo Antônio do Pinhal como destino final. E nós fizemos parte dessa felizarda minoria, fugindo da ostentação e opressão da cidade mais alta do país (e também uma das mais caras), que é Campos do Jordão.

A estrada pra Santo Antônio já é um espetáculo à parte, cheia de belas paisagens e mirantes do vale. Fizemos a viagem em cerca de duas horas e chegamos na cidade já no meio da tarde, famintos e sedentos e logo descolamos um simpático restaurantezinho para almoçar.

O pôr do Sol no Pico Agudo de Santo Antônio do Pinhal


O calor e tempo seco que assolou o estado de São Paulo nesse ano de 2014 não deu tregua e enfrentamos um bafo e uma secura atípicos pra essa região montanhosa. Mas a vantagem foi ver uma paisagem belíssima do alto do Pico Agudo para onde partimos após uma caminhada pós-prandial para ver o pôr do Sol. O Pico Agudo é um ponto famoso na cidade para a prática de paraglider e lá encontramos vários praticantes desse esporte.

Pico Agudo, em Santo Antônio do Pinhal
Pico Agudo

Chegamos relativamente cedo e com o Sol ainda alto, resolvemos curtir o fim de tarde ali sem pressa. Pegamos nossa canga, o violão do Thiago, uma cervejinha e ficamos ali admirando a beleza do lugar praticamente até escurecer.

Fim de tarde no Pico Agudo, em Santo Antônio do Pinhal
Fim de tarde no Pico agudo

Conforme o Sol ia baixando, a camada de poluição somado ao tempo seco ia ficando mais evidente e o que observamos foi um pôr do Sol exótico, numa cena que parecia lunar. O Sol sumiu por entre a camada de poluição e o víamos pálido por entre a fumaça.

Pôr do Sol no Pico Agudo, em Santo Antônio do Pinhal

O Sol se despedia junto com o calor e começamos a lembrar que estávamos na Serra, quando a temperatura começou a cair abruptamente. Nós, que estávamos com trajes de praia, nos demos conta que era hora de procurar algum cantinho quente pra passar a noite e fomos embora.

Depois de uma pesquisa sobre opções de estadia, descobrimos uma pousadinha deliciosa, já na estrada para Campos do Jordão e na divisa com a cidade de São Bento do Sapucaí e lá resolvemos pernoitar. Depois de instalados e de tentarmos nos aquecer com a pouca roupa que tínhamos, fomos a um bingo beneficente (para uma criança com câncer), que estava acontecendo na Igreja ao lado da pousada. Logo nos enturmamos com um casal de velhinhos, fiéis frequentadores dos bingos da região e pegamos vários truques com eles e jogamos várias rodadas competindo por galinhas, porcos e cordeiros (vivos, claro). Chegamos a ganhar uma rodada junto com outra pessoa, mas no sorteio entre os dois, perdemos nosso brinde.
Assim passamos nossa noite com aquelas pessoas simples e que não precisam de muito pra ser felizes. Uma certa hora, cheguei a pensar que bem perto dali, na glamourosa Campos do Jordão, muitos deviam estar jantando em restaurantes caros e com roupas elegantes e me senti agraciada por não precisar de nada disso pra ser feliz.

A Cachoeira do Lajeado


Acordamos mais tarde no domingo e o calor já tinha voltado. Descobrimos que ali do lado da pousada ficava uma das cachoeiras mais famosa da região, a lajeado. Partimos pra lá logo depois do café da manhã e nos deparamos com vários carros estacionados na entrada do lugar. Resolvemos entrar mesmo assim e depois de vencermos a pequena multidão que se aglomerava na queda principal, descobrimos um cantinho mais acima do rio, que nos permitia um banho mais tranquilo e reservado. Foi lá que passamos quase toda manhã e foi difícil tirar o Thiago de dentro da água.

Cachoeira do Lajeado, em Santo Antônio do Pinhal
Um cantinho pra chamar de nosso na Cachoeira do Lajeado

Quando saímos da cachoeira já era hora do almoço e fomos para a mesma Igrejinha da noite anterior, já que haveria um almoço beneficente para a mesma criança com câncer. Não gostamos muito do cardápio e decidimos almoçar em outro lugar, mas não resistimos de ficar um pouco pra assistir as apresentações de música sertaneja, realizadas na boleia de um caminhão. Os músicos não eram os melhores do mundo, mas todos os ouviam com atenção e interesse. Uma cena única e típica desses interiorzão do Brasil , que me encantou deveras.

Música caipira em Santo Antônio do Pinhal
Música sertaneja ao vivo

Decidimos, então, almoçar na estrada e iniciamos o caminho de volta pra casa. Pegamos um caminho diferente da ida e passamos por paisagens lindas, margeando a famosa Pedra do Baú. Paramos várias vezes em mirantes para fotografar e apreciar o visual.

Vista da Pedra do Baú, desde Santo Antônio do Pinhal
Pedra do Baú

Curioso que essa estradinha me fez lembrar dos meus tempos de menina, quando eu desenhava sempre o Sol se pondo bem no encontro de dois morros e uma casinha no sopé da montanha. Passamos por várias cenas parecidas com essa e me senti dentro do meus desenhos infantis.

Foi um fim de semana sem pretensões e expectativas, que cumpriu o que prometia: nos tirar da rotina e sair um pouco do estresse, como todo fim de semana deveria ser.


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