quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Rio acima no Vale do Alcantilado

Gruta do Granito no Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá
Gruta do Granito

Aproveitamos a estadia em Visconde de Mauá, um cantinho tão amado por mim, para fazer uma das trilhas mais famosas da região. Eu já havia estado ali há alguns anos atrás, mas o Thiago ainda não, então aproveitamos para ir juntos.
O Vale do Alcantilado é uma propriedade particular que agrega um conjunto de nove cachoeiras, que vão ficando cada vez mais linda, conforme vamos subindo um de seus morros até chegar na mais alta de todas e justamente a cachoeira que dá nome ao vale. As primeiras cachoeiras, em verdade, são bem fraquinhas, mas vale a pena o esforço de subir para estar nas quedas maiores.
A trilha é uma delícia de ser feita, apesar da grande interferência humana tanto nas cachoeiras, quanto no próprio caminho. Apesar disso, o Alcantilado ainda guarda uma natureza preservada e autêntica, que faz valer a visita.

O caminho até a fazenda onde está a trilha já é um passeio por si só. Rodeados pela Serra da Mantiqueira, o visual é lindo. A estrada é quase toda de terra e levamos algo em torno de trinta minutos para chegar no início da trilha, desde a nossa pousada, no lado mineiro de Maringá.

Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá
No caminho para o Alcantilado

Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá

Deixamos o carro no estacionamento da propriedade e após pagar a taxa de visitação, iniciamos nossa trilha, já visualizando a meta final, lá no alto, a Cachoeira do Alcantilado. Pra cima e avante, seguimos firme.

Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá
Início da trilha com a Cachoeira do Alcantilado à vista: para lá que vamos!

A trilha do Vale do Alcantilado

Com pouco mais de cinco minutos de caminhada já chegamos à margens do Rio Alcantilado, o qual acompanhamos todo o curso até o alto. A primeira cachoeira já aparece e, apesar de simpática tem forte interferência já que sua piscina natural nitidamente foi construída.

Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá
Rio Alcantilado

Mais uma cachoeira no Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá
Cachoeirinha

Continuamos o caminho, que nesse trecho ainda é plano e chegamos na segunda cachoeira do dia, o Poço da Areia. O chão da piscina é, de fato, de areia, o que é raro na região, já que a maioria das cachoeiras da Mantiqueira são cheias de pedra no fundo. Mas a queda mesmo não tem muita graça.

Poço de Areia, mais uma cachoeira no Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá.
Poço de Areia

Do lado do Poço, há um caminho bem apertadinho por entre raízes de árvores, que nos leva a terceira cachoeira, o Poço das RaízesO nome é auto-explicativo, já que o caminho é basicamente todo coberto com raízes. Nela, a água escorrega por uma linda pedra e chega ao poço fazendo uma bela curva, mas o mais legal mesmo foi caminhar por entre as árvores para chegar até lá.

Poção das Raízes, mais uma cachoeira no Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Poção das Raízes

Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá
As raízes são nossas escadas na trilha

A partir dali, a trilha começa a ficar um pouco mais íngreme , mas ainda sem grandes dificuldades. Chegamos, então, na quarta cachoeira, a do Açude. Essa queda é a maior até agora e bem linda. A água escorre com força das pedras, fazendo belas curvas.

Cachoeira do Açude, mais uma cachoeira no Vale do Alcantilado em Visconde de Mauá.
Cachoeira do Açude

Subimos um pouco mais e chegamos na Cachoeira da Muralha, onde a água desce por um paredão alto, que nitidamente é a inspiração ao nome da queda.

Cachoeira da Muralha, no Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Cachoeira da Muralha

A partir daí, a trilha começa a ficar mais  e mais íngreme e precisamos vencer uma subidinha chata até o próximo ponto, que é um belíssimo mirante do vale. Ali, alguns banquinhos estrategicamente posicionados nos permitem descansar e, ao mesmo tempo, curtir a bela vista.

Mirante no Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Mirante do Vale do Alcantilado

O mirante fica exatamente no meio da trilha e a partir dali, o nível de dificuldade vai aumentando aos poucos. Bem do lado, fica a sexta cachoeira, a do Lajeado.

Cachoeira do Lajeado, no Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Cachoeira do Lajeado

A partir daí, a trilha se bifurca e há um caminho direto para a Alcantilado e outro que passa pelas outras cachoeiras. Nós, claro, escolhemos a segunda opção e fomos para a Cachoeira da Toca, a sétima do dia. O nome se deve a um conjunto de pedras que formam mesmo uma toca no caminho para a cachoeira. A queda mesmo não tem lá muito graça.

Toca da Raposa, no Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
A Toca da Raposa

Cachoeira da Toca, no Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Cachoeira da Toca

A próxima e penúltima cachoeira foi, na verdade, a minha preferida. Para se chegar na Cachoeira da Gruta do granito passamos por lindas pedras que parecem voar sob nossas cabeças. Na minha primeira estada aqui, não havia nenhuma proteção no caminho, mas agora barras de ferro protegem a passagem para os visitantes. A modernidade, de fato, chegou por aqui.

Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Pedras que parecem voar no caminho para a penúltima cachoeira do dia

Cachoeira da Gruta do Granito, no Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Cachoeira da Gruta do Granito

Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.

A partir daí, começa o trecho mais difícil da trilha. Precisamos subir uma pirambeira com uma inclinação de quase noventa graus e que com as chuvas dos últimos dias estava elameado e escorregadio. Eu fui me agarrando no Thiago e, finalmente, consegui chegar lá no alto.
Foi só o tempo de caminhar um pouco mais e dar de cara com uma cobra. Claro que eu passei direto e nem olhei pra bicha, mas o Thi teve coragem de chegar perto dela para fazer uma foto.

Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
No meio do caminho tinha uma cobra...
(foto do Thiago)

Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
E sobe a pirambeira

Por fim, depois de alguns sustos e perrengues, finalmente chegamos à última cachoeira do dia, a mais alta e com a vista mais bonita de todas, a Cachoeira do Alcantilado. Chegamos lá em cima junto com a chuva, que nos deu um banho, mesmo sem entrarmos na água.
O visual lá de cima é de tirar o fôlego e passamos bastante tempo tomando banho de chuva e curtindo a paisagem.

Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Cachoeira do Alcantilado

Vale do Alcantilado, em Visconde de Mauá.
Vista da cachoeira

A descida foi cheia de tombos e escorregões, já que a trilha estava ainda mais escorregadia que antes, mas mesmo assim fizemos o percurso mais rápido que a ida, já que não paramos em nenhuma cachoeira.

O Thiago decidiu tomar banho só na última delas, antes de se despedir do vale e voltarmos para Maringá. Uma despedida molhada e gelada após um passeio intenso.


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