quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Por acaso, na Caverna do Diabo


Caverna do Diabo

O ano de 2014 foi recheado de cavernas em nossas viagens. A primeira, no meio da Amazônia, a Maroaga em Presidente Figueiredo. Depois, veio a Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães. Ambas de arenito e com características geológicas semelhantes entre elas. Foi só terminando o ano e já beirando 2015, que visitamos, pela primeira vez, uma caverna de calcário e pudemos vislumbrar as belezas de seu interior.
Localizada num Parque Estadual que leva seu nome, criado em 1969 especialmente para preservá-la, a Caverna do Diabo é a maior do estado de São Paulo, com uma extensão de 6 km mapeados, sendo que apenas 600 metros são permitidos para visitação. Ela foi a primeira parada na nossa viagem de fim de ano, pelos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

A ida à Caverna do Diabo não estava nos nossos planos, mas ao passar pela placa que indica o lugar, na Rodovia Regis Bittencourt, não resistimos e mudamos nosso trajeto para conhecer a mais popular caverna paulista e não nos arrependemos, apesar de termos algumas críticas. A principal delas foi perceber que a extensão aberta ao público apresenta iluminação artificial, o que impede a presença da fauna típica desses ambientes, como os morcegos, que necessitam da escuridão para sobreviver. Outra tristeza foi ver a presença de passarelas e escadas, que para serem construídas, levam a destruição de algumas formações rochosas da caverna, influindo no seu crescimento.
Apesar disso, observamos que a maior parte dessas interferências humanas foram feitas antes da criação da área de proteção ambiental e que, hoje, tenta-se minimizar o impacto dessas modificações.

Caverna do Diabo

No interior da Caverna do Diabo

O acesso à entrada da caverna é fácil e todo o percurso pelo seu interior é tranquilo, afinal a intenção da iluminação e passarelas é justamente facilitar o turismo. Caminhamos sem nenhuma dificuldade e todo o passeio foi feito em pouco mais de uma hora. É obrigatório o acompanhamento de um guia e, como fomos em época de férias, o lugar estava lotado de gente. Nosso grupo devia ter quase vinte pessoas (apesar de haver uma recomendação que cada grupo tivesse até doze integrantes).

O que mais me chamou a atenção, ao entrarmos na caverna foi a diferença de temperatura do exterior para o seu interior. O clima lá fora estava insuportavelmente abafado e quente, mas conforme fomos descendo as escadas e adentrando a caverna, a temperatura foi caindo e passamos toda a visita com uma agradável temperatura de pouco mais de 20oC. Outro ponto que me encantou foi a presença de um pequeno rio, que corre em boa parte de sua extensão. O barulho produzido pela água ecoa pelas paredes e causa um som forte e deixa o lugar ainda mais bonito.

Caverna do Diabo
Entrada da caverna com o rio que se corre em seu interior

Inicialmente, caminhamos ao lado do rio e logo começamos a subir escadas que nos levaram aos salões mais altos e mais impactantes. Foi a partir daí que passamos por monstruosos espeleotemas, cada um mais impressionante e fabuloso que o outro.

Estalactites e estalagmites

Espeleotemas são formações rochosas frequentes em cavernas, resultantes da sedimentação e cristalização de minerais no seu interior. Resumidamente, o que acontece é que o mineral se dilui na água e conforme ela vai pingando, ou escorrendo do teto, o mineral vai se depositando na caverna, levando a diferentes desenhos. Esses desenhos podem ser de várias formas: estalactites (quando pendem verticalmente do teto), estalagmites (quando crescem verticalmente do chão em direção ao teto), cortinas e escorrimentos (quando escorrem das paredes), entre outros.

Caverna do Diabo
Estalactites

Não sou geóloga e, portanto, sei pouco sobre o assunto, mas me impressionam essas formações que parecem desafiar a lei da gravidade. Fico me questionando se os homens das cavernas, de fato, moravam em lugares assim. Como seria estar ali dez mil anos atrás? Afinal, espeleotemas se formam muito lentamente e são necessário milhares de anos para que apenas uma delas se constitua. Cavernas são formações dinâmicas, sempre se modificando através de seus piga-pingas ao longo das centenas de milhares de anos. Horas, dias, meses e anos parecem conceitos insuficientes para entender como passa o tempo no interior desses lugares.

Caverna do Diabo
Imensa estalagmite, ao lado de várias estalactites

Nossos guias vão nos mostrando os curiosos desenhos de seu interior: uma garrafa de coca-cola, um bolo de casamento, uma pérola (que brilha quando se incide a luz da lanterna em seu interior) e assim por diante. É divertido ir passeando e brincando com a imaginação com as diferentes formas que vamos observando.

Caverna do Diabo
Escorrimento no formato de bolo de casamento

Caverna do Diabo
Cortina

Mas pra mim, a parte que mais impressionou de todo o passeio foi um salão chamado de Catedral. O formato elíptico de seu teto com gigantescos espeleotemas lembram mesmo o interior de uma igreja com velas acesas. É de perder o fôlego olhar pra cima e ver a altura e a dimensão daquele lugar.

Caverna do Diabo
A Catedral

Caverna do Diabo

Próximo dali, nosso guia nos apresentou algo curioso: um pedaço de estalactite que despencou do teto e se encravou numa rocha logo embaixo. O risco de cair na nossa cabeça existe mesmo, afinal.

Caverna do Diabo
Estalactite caída

E encerramos nossa visita na última sala aberta à visitação, onde, finalmente nos deparamos com o tal diabo, que dá nome à caverna. Mas, como uma das nossas companheiras de grupo bem disse, esse diabo estava mais para a máscara do pânico.

Caverna do Diabo
A cara do diabo (ou seria a máscara do pânico?)

Foi um passeio bacaninha e sem grandes pretensões. Não considero um lugar imperdível, mas valeu a visita.


Ainda sobre o mesmo roteiro:


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