domingo, 8 de março de 2015

Quase PETAR: Cachoeira Arapongas

Cachoeira Arapongas

Conhecer o PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto da Ribeira) é um sonho antigo, daqueles que compõe minha lista de lugares a serem conhecidos o quanto antes. Na nossa viagem de fim de ano, batemos na trave do parque e foi por pouco que não montamos acampamento por lá. Na passagem pela Caverna do Diabo, decidimos continuar até o Bairro da Serra (onde ficam as pousadas mais próximas dos portões do PETAR), mas o calor insuportável, somado a uma quantidade exorbitante de muriçocas assassinas nos fizeram adiar o plano . Ainda mais que a região estava cheia de turistas e seria difícil conseguirmos organizar passeios a contento. Apesar disso, não deixamos de explorar a região e resolvemos conhecer uma das poucas atrações que não precisa de guia para entrar, a Cachoeira Araponga, localizada numa propriedade particular, que faz fronteira com o parque.

Cachoeira Arapongas

Apesar de ser vendida pelas agências de turismo, como uma atração do PETAR, a Arapongas fica fora da área de proteção ambiental e o dono das terra fica na portaria da propriedade recepcionando os visitantes e recebendo o valor que é cobrado para visitação.
É um senhor simpático, mas simplório e de poucas palavras e que logo nos alertou que os chinelos que calçávamos atrapalhariam a trilha. Dito e feito. Não havíamos nos preparado para uma trilha pesada, já que o dono da pousada em que nos hospedamos em Apiaí, nos garantira que a cachoeira era "na beira da estrada". O Thiago chegou a levar seu charango para tocar, quando chegássemos, mas logo percebemos que teríamos dificuldades, quando já no começo da trilha, nossas sandálias começaram a sambar nos pés, devido a intensa lama do caminho, absolutamente escorregadio, devido às chuvas que são comuns nessa época. Foi um verdadeiro martírio andar naquele piso íngreme e molhado e acredito mesmo que tudo seria bem mais fácil com um simples tênis à disposição.
Eu acabei nem fotografando muito, pois, quando o caminho começou a ficar mais íngreme, decidi guardar a câmera, já que o risco de queda era iminente.

Cachoeira Arapongas
Trilha para a cachoeira
(ainda no trecho plano)

Quando, finalmente, chegamos ao topo da cachoeira, já estávamos até incomodados com o desconforto, mas tentamos aproveitar a bela paisagem lá de cima. Sentamos bem do lado do abismo e admiramos a queda de 50 metros de altura.

Cachoeira Arapongas
Do topo da Cachoeira das Arapongas

Dali para a piscina natural, na base da cachoeira, ainda tínhamos que descer uma pirambeira bonita e pra lá fomos, já completamente elameados. Logo que começamos a descida, a cachoeira se descortinou no meio da mata e ainda sem podermos vê-la completamente, já ficamos encantados.

Cachoeira Arapongas

Quando, finalmente, chegamos, nos demos conta que todo o esforço havia valido a pena. A água escorre pelas pedras com uma harmonia difícil de descrever e também de fotografar. Aliás, mesmo ali, fiz poucas fotos, já que o vento trazia a água da cachoeira para perto de quem estava em sua redondeza. Além disso, a cachoeira não é muito urbanizada (ainda bem) e há muitas pedras que dificultam a locomoção no seu entorno. Assim sendo, preferi curtir aquele lugar mágico mais do que fotografar e as lembranças vão ficar mais na memória do que nas imagens. Não acho ruim.

Cachoeira Arapongas
Cachoeira Arapongas

Lá conhecemos um casal que me encantou profundamente. Eram de meia-idade, já avós e, mesmo assim, viviam intensamente a vida com seu jeep vermelho. Eram mesmo desbravadores e dormiam naqueles esquemas de barracas, que ficam em cima do carro. Conheciam profundamente lugares que sonhamos em conhecer, como a Serra da Canastra e Fernando de Noronha. Eram um exemplo de jovialidade difícil de encontrar até mesmo nos jovens. Torço para que eu e Thiago envelheçamos assim também, com a mesma energia aventureira e a mesma disposição para novas descobertas. Afinal, para que viver se não for do jeito mais intenso possível?

Cachoeira Arapongas

E nos despedimos deles com desejos mútuos de felicidades e novas viagens. Era hora de nos prepararmos para subir a pirambeira e a única maneira que eu consegui de fazer isso foi ficando descalça e subindo de quatro. Uma atitude ridícula, mas efetiva na conquista daquele barranco molhado. Voltar não foi mais fácil e os tênis continuaram fazendo falta.
Partimos do PETAR, já planejando voltar para desbravar suas cavernas e cachoeiras com nossos amigos em futuro próximo. Assim esperamos.


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