sábado, 28 de março de 2015

Vila de São Vicente

"Enquanto se esperava
Eu estava em San Vicente
Enquanto acontecia
Eu estava em San Vicente..."
(San VicenteMilton Nascimento)

São Vicente e Santos vistas do alto

Fico imaginando os portugueses, ao conhecer o recortado litoral onde fica hoje o estado de São Paulo, escolhendo uma baía calma e deslumbrante para fundar sua primeira vila no Novo Mundo. Que maravilha de paisagem não devem ter visto eles, naquela ilha paradisíaca, onde fundaram no ano de 1532 a Vila de São Vicente. Ali viviam tranquilamente índios tupis, que foram aos poucos sendo mortos para dar lugar ao que é hoje a cidade cheia de prédios, carros, turistas e nativos, todos brigando por um lugar ao Sol, numa cidade densamente povoada e um tanto quanto caótica.
Apesar de ter preservado pouco o seu passado, São Vicente ainda guarda alguma beleza natural e foi pra lá que fomos após cumprir nosso dever cívico, na polêmica e acirrada eleição presidencial de 2014. Um dia tenso, que foi um pouco amenizado pelos ares praianos da antiga vila.

Ilha Porchat de São Vicente

Após um passeio a esmo, seguimos para um dos mais famosos pontos turísticos da cidade, a Ilha Porchat, um promontório que não é mais uma ilha isolada, já que um aterro a liga definitivamente à São Vicente. Antes dessa ligação definitiva, a ilha apenas tinha acesso terrestre quando a maré estava baixa.

São Vicente visto da Ilha Porchat
Ligação da Ilha Porchat à Ilha de São Vicente

A ilha hoje é um point de agitação noturna e ali fica um dos mirantes mais famosos da cidade, projetado por Oscar Niemeyer e construído para a comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil pelos portugueses.

Monumento de Nieymayer na Ilha Porchat de São Vicente.
Monumento dos 500 anos

Vista da Ilha Porchat para as cidades de São Vicente e Santos
Vista da Ilha Porchat para as cidades de São Vicente e Santos

Ficamos bastante tempo na ilha e ainda almoçamos no restaurante que fica ao lado do mirante, que tem ele próprio uma vista deslumbrante da cidade.

O teleférico de São Vicente

Depois do almoço, continuamos o passeio e descobrimos que existia perto dali, um teleférico que ligava a praia a um dos morros da cidade, o Voturuá. Eu e Thiago nunca havíamos andado juntos de teleférico e decidimos que essa era a oportunidade. O que esquecemos foi que os dois tem medo de altura, o que só lembramos quando já estávamos sentados na cadeirinha, sem chace de retorno. A subida se inicia por cima de uma das avenidas mais movimentadas da cidade e segue passando por um trecho de mata densa, quando as árvores chegam a roçar nossos pés. A subida foi tensa demais pra nós dois, que nos borrávamos de medo. Eu logo comecei a rir, pois é assim que sempre lido com situações de estresse e o Thiago ia elogiando compulsivamente a paisagem, a natureza, os pássaros e a vida, maneira também típica dele reagir. Consegui filmar esse momento-cagaço e, depois de passado o medo, achei hilário como reagimos. E o mais engraçado foi chegar lá em cima e descobrir que era possível ter acesso ao morro de carro sem nenhuma dificuldade.

Teleférico de São Vicente
No teleférico


O lugar é muito frequentado por praticantes de paraglider e dezenas deles estavam em ação, quando chegamos lá em cima. O visual é de tirar o fôlego e, não fossem aqueles tantos prédios, eu teria me conseguido voltar ao tempo colonial, imaginando aquela beleza há 500 anos atrás.

Vista do Morro Voturuá em São Vicente.
Vista do Morro Voturuá

A descida foi bem mais tranquila que a subida e até conseguimos aproveitar melhor do clima ameno daquele dia e nos surpreendemos com a paisagem ao redor, já que na subida não tínhamos conseguido observar nada além do nosso próprio medo.

Descendo o teleférico de São Vicente.
Descendo o teleférico

O Centro Histórico de São Vicente

Saímos do teleférico dando graças por termos chegado  e ainda queríamos conhecer o Centro Histórico da cidade mais antiga do Brasil, mas uma decepção nos invadiu ao nos darmos conta que os prédios modernos tomaram conta da cidade e sua história não foi nada preservada. Chegamos a entrar num parque cultural que tenta sem sucesso remontar a cidade original, mas me pareceu tudo muito falso e pouco autêntico ali. Um das poucas construções preservadas é a da Igreja Matriz de 1757 (portanto quando a cidade já tinha mais de dois séculos de fundação). A Igreja original foi construída em 1532, mas foi destruída no mesmo ano, durante uma inundação.

Igreja Matriz de São Vicente
Igreja Matriz

Nossa última parada foi a Ponte Pênsil, uma construção de 1912, com acesso somente à pedestres, que tinha como função escoar o esgoto produzido em santos e São Vicente para o oceano. Hoje, a ponte está bem abandonada e faz ligação com um bairro pobre da cidade.

Ponte Pênsil de São Vicente.
Ponte Pênsil

Ao lado da ponte, descobrimos uma simpática doceria, numa casa com móveis e cheiro da década de 60 e sua simpática dona, uma senhora que deve ter nascido nessa época, com jeito e atitude de vó. Um fim de dia nostálgico para esperar o resultado tenso da eleição presidencial, que viria a ser a mais acirrada da nossa história democrática e que elegeu o Congresso Nacional mais conservador desde a ditadura. Dias cinzas, como as fotos desse post, pairam sobre nossa democracia e foi uma homenagem à esta ainda jovem e imatura democracia que pintei de cinza (e não de verde e amarelo) as imagens que figuram nessa postagem.


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3 comentários:

  1. Ana, este post, com fotos em P&B - gostei, me fez lembrar da minha infância.
    O tio da minha mãe, tinha um apartamento em São vicente, na rua Quintino Bocaiúva, se eu não estiver enganada. E lá foram muitas das nossas férias. Aproveitei muito as praias, algumas vezes a Ilha Porchat, a feirinha em uma praça no centrinho com uma biquinha.
    Ri muito com o vídeo, eu tb dou risadas qdo estou com medo. Mas se estiver acompanhada, porque sozinha dá cagação ahahaha, mas não tenho tanto medo de altura. Beijocas.

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    1. Ahhh voltei, foi um revival, lembrar dos meus pais na praia, dos passeios noturnos pela orla ... do pastel e do porquinho frito ahahaha.

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    2. Que bom saber que o post te ajudou nesse revival, Maria Glória! Fotos em preto e branco causam, em mim, sentimentos bem nostálgicos também...
      Isso de ri nas horas de medo já me deixou em várias saias-justas, viu? Mas, não tem jeito... não consigo me controlar! hahahahaha
      Beijoca

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