quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Entre Blantyre e Lilongwe

Blantyre, 13 de outubro de 2016

Pelas estradas do Malaui

Ontem, fiz minha primeira viagem de carro pelo Malaui. Cinco horas entre Blantyre, a segunda maior cidade do país e Lilongwe, a nova capital federal, numa estrada com bom asfalto, porém mais frequentada por pedestres do que por carros. Todos parecem usar as rodovias (com apenas uma pista em cada sentido e sem acostamento), como passagem. São incontáveis as crianças  vendendo mice, um pequeno rato frito, que eles comem (com rabo e tudo) como petisco, assim como os muitos meninos que vi trabalhando nas pequenas fazendas do caminho. E são muitas as pequenas fazendas, que sustentam as tantas famílias miseráveis do país. Viajei numa manhã de quarta-feira e a quantidade de crianças no caminho seria aceitável num domingo, mas nessas circunstâncias logo deduzi que estavam todas fora da escola, o que é a realidade de muitos meninos no Malaui.


Pelas estradas do Malaui
Quase todas as casas na estrada são de adobe com telhado de palha

A paisagem varia entre os campos de plantação com casinhas bem singelas, construídas em adobe e com telhado em palha e a savana africana com sua vegetação típica.
Passamos por árvores lindíssimas e floridas, afinal estamos na primavera. Uma árvore, em especial me chamou atenção, pelas seu tronco retorcido com flores delicadas que ficam bem no fim do caule. Preciso descobrir o nome dessa árvore, pois nunca a vi antes na minha vida e sua beleza é encantadora. Pena que ainda não consegui fotografá-la, pois sempre que passo por ela, estou de carro.


Malaui
A Savana Africana

Mas preciso confessar que o rei da paisagem, ao longo de toda viagem, é mesmo o Baobá! O primeiro que vi, não acreditei. Era uma árvore gigante, completamente destoante da paisagem pela grossura de seu caule. Fiquei na dúvida, mas logo passaram outras árvores com o mesmo porte e eu resolvi perguntar ao motorista que me acompanhava. Sim, eram os baobás. Queria fotografá-los, mas tínhamos hora para chegar e ele me disse: não se preocupe, você os verá por toda parte e terá muitas oportunidades para fotografá-lo. Assim espero. 

Estamos na estação seca e todas as árvores estão na sua mais energética forma de resistência, algumas florindo, outras se despedindo de todas as folhas e evitando perder água a todo custo, o que deixa a paisagem com aquela aridez danada. O mais difícil foi passar por tantas belezas sem poder parar para apreciá-las, já que a viagem era à trabalho.


Pelas estradas do Malaui
Pôr do Sol de dentro do carro

Outra paisagem comum no caminho, são as feiras livres. Literalmente, livres. E no meio da rodovia. Nosso motorista, já acostumado com o trajeto, sabe aonde exatamente elas são e já diminui a velocidade com antecedência, pois sabe que ali todos os comerciantes (que são, em realidade, os próprios produtores) invadem a pista com seus ramos de cenoura, alho, batatas, bananas e tudo que produzem na região. Mesmos produtos, que, aliás, também vi no mercado local de Blantyre. A base da alimentação do povo aqui é basicamente vegetais e carne de cabra, ou frango! Aliás, cabras e frangos são outras figuras ilustres no caminho e é divertidíssimo ver as cabritinhas correndo pra lá e pra cá na estrada, todas serelepes.

Pelas estradas do Malaui
Feira no meio da estrada: uma cena comum

No retorno, já na tarde de hoje, ganhei de presente um pôr do Sol tipicamente africano, daqueles com Sol vermelho rubi se escondendo atrás da savana e, mais uma vez, tive que desfrutar daquela beleza apenas com os olhos para guardar na memória, pois a viagem (à trabalho) não me permitiu parar. A foto do celular (logo aí em cima) não condiz com a realidade, que era muito mais linda.

 Minha esperança é que terei três meses pra fotografar todas essas descobertas do caminho. E, bem, se não houverem as fotos, haverão as lembranças, que sempre ficarão guardadas num cantinho especial da memória.

Diário do Malaui:


Hello, Malawi
Muribandji, Malawi?
As maravilhas do Lago Malaui
Zimbabwe e o choque de civilização

4 comentários:

  1. Adoro qdo os textos são curtos =P

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  2. Eu gostaria de ver um Baobá, assim bem pertinho. Acredito que são magníficos!

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    1. SÃo mesmo, Maria Gloria! Agora, já tenho muitas fotos deles! Preciso postá-las! ELes são deslumbrantes!!!!
      Um grande abraço

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