terça-feira, 22 de novembro de 2016

Zimbabwe e o choque de civilização

Harare, 30 de Outubro de 2016

Harare, a capital do Zimbabwe

Após quase entrar no vôo errado (porque o aeroporto de Blantyre é um tanto quanto caótico), finalmente entrei num aviãozinho teco-teco que me levaria ao Zimbabwe. Pra minha grata surpresa, a viagem de apenas 50 minutos foi conduzida por uma capitã, mulher e negra e eu fiquei encantada com isso. As mulheres africanas são fabulosas e me surpreendem cada dia mais por sua garra e força.

Já na chegada à Harare, capital do país, levei um choque de civilização: ar condicionado, esteiras para as malas, lojas dentro do aeroporto. Já entendi que as coisas ali não seriam como no Malaui e, com o tempo minha impressão, se confirmou e se ampliou. Chegava a um país completamente diferente.


Harare, a capital do Zimbabwe
O céu entre o Malaui e o Zimbabwe ✈

Apesar de também ter sido, um país de colonização inglesa, o Zimbabwe tem grandes diferenças culturais, econômicas e políticas com o Malaui e, realmente, é difícil comparar os dois países, além da savana, que é predominante na paisagem e no prato mais famoso do país, a base de milho, que no Malaui é chamado de Nsima e no Zimbabwe de Sadza. Tirando isso, poucas correlações são possíveis entre os dois lugares. E esse pra mim foi o maior aprendizado nos dias que passei em Harare: apesar de todo o nosso esteriótipo, esse continente tem diferenças colossais e não podemos simplesmente generalizar e achar que todos os países africanos são "pobre iguais".

Harare, a capital do Zimbabwe
Harare 

O Zimbabwe é nitidamente mais ocidentalizado que o Malaui e isso é evidente até nas roupas, que vi nas ruas. Enquanto no Malaui, as mulheres se vestem com panos coloridos e vibrantes (chamados de chitenge) e, em sua maioria, com vestidos e saias costurados à mão, no Zimbabwe as mulheres se vestem como em quase toda Europa e Estados Unidos: calça jeans, camiseta e tênis. Outra diferença é nos restaurantes e lojas. No Zimbabwe é fácil encontrar um restaurante de comida internacional, com uma decoração chique e que seria igual a qualquer restaurante do mundo, algo que ainda não encontrei no Malaui, que tem restaurantes mais simples. A proximidade com a cultura ocidental é tanta que cheguei até mesmo a ouvir música brasileira num dos restaurantes que jantei.

Primavera africana
Primavera africana 🌸

Carrões em todas as ruas, grandes prédios, ruas largas e a sensação de: conheço isso de algum lugar.
Também é mais comum ver pessoas brancas nas ruas, coisa rara no Malaui, assim como também é mais gritante a desigualdade social. Crianças e mulheres vestidas em frangalhos, pedindo esmolas em todas as esquinas é a cena comum, infelizmente. Apesar do país ser nitidamente mais rico que o Malaui, a pobreza aqui é muito mais evidente.
E até na economia, o Zimbabwe se vira para Ocidente, já que sua moda atual é o dólar americano, já que há alguns anos, o país era acometido de uma hiperinflação que arruinou a economia local.

Harare, a capital do Zimbabwe
O centro de Harare

No fim, meus dias em Harare foram de intenso trabalho e não consegui passear muito pela cidade além de uma caminhada pelo Jardim Botânico e até o Centro, onde ficam os grandes arranha-céus da capital, mas no último dia, fui presenteada com um belíssimo pôr do Sol, com aquelas cores vermelho-alaranjadas tipicamente do fim de tarde africano, em plena zona urbana.

Harare, a capital do Zimbabwe
Pôr do Sol africano na cidade grande
Mesmo com a rápida visita, o Zim (como o povo do Zimbabwe chama seu próprio país) me encantou e deixou a certeza de que preciso voltar para conhecer melhor as maravilhas desse país.
Mas por hora, só me resta voltar ao Malaui e continuar meu trabalho por lá, que é meu objetivo principal dessa atual temporada na África.

Diários do Malaui: 

Hello, Malawi
Entre Blantyre e Lilongwe
Muribandji, Malawi?
As maravilhas do Lago Malaui

4 comentários:

  1. Com certeza, África assume muitos rostos, tal como qualquer outro continente.
    Beijinho
    Ruthia d'O Berço do Mundo

    P.S. Também sou fã da garra das mulheres africanas

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    1. Sim, a diversidade humana me fascina, Ruthia! Somos todos humanos, mas com formas de vida, culturas e mundos tÃo diversos!
      Um beijo grande, querida!

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  2. Que riqueza para a tua vida, não Ana? Todas estas diferenças, sem comparações, apenas sentindo a vida, como ela... tudo de bom para você, querida, nesta rica jornada. Rica em todos os sentidos.

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    1. Sem dúvida! Estou aprendendo muito aqui! Uma experiência inesquecível! :)

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