terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Olinda, a capital da alegria e das cores

"Olinda, cidade heróica,
Monumento secular
Da velha geração...
Olinda, serás eterna 
e eternamente viveras
No meu coração!"
Olinda, capital da cultura e do carnaval

Olinda é um desses cantinhos mágicos, que encanta logo na chegada. Suas ladeiras, seus casarios coloniais, as charmosas (mas pouca preservadas) igrejas e as lindas paisagens já seriam motivos suficiente pra querer ficar uns bons dias na cidade. Mas não bastasse isso e Olinda é, não por acaso, uma das cidades mais culturais do país, preservando tradições pernambucanas, que me enchem os olhos e os ouvidos, como o frevo e o maracatu.
A primeira vez que estive na cidade foi num longínquo ano de 2005 e naquela ocasião fiz um passeio bem rápido e de carro (um pecado!) pelas ladeiras do Centro Histórico. Foi só agora, doze anos depois e na companhia do melhor parceiro de viagens, que consegui explorar a cidade, como ela merece em muitas subidas e descidas, além de curtir alguns bloquinhos nas animadas prévias de um dos carnavais mais autênticos do país.



Olinda e suas Igrejas
Olinda vista do alto

Olinda combina com o nome. E não por acaso. Dizem que Duarte Coelho, o fundador da cidade, ao se aproximar da região, ainda dentro do navio, teria dito:
"Ó linda situação para construir uma vila..."
 Isso um pouco antes de 1537, data que marca a fundação da vila, que antes era apenas um povoado. A cidade prospera rapidamente com a comercialização do pau-brasil e açúcar e são construídos luxuosos engenhos e casarões.
Esses portugueses pareciam mesmo gostar de umas ladeiras, haja visto o sobe-e-desce das suas cidades, como Ouro Preto e Tiradentes, por exemplo. Mas não era assim que pensavam os holandeses que, em 1630 invadiram Pernambuco e resolveram queimar a cidade, por considerarem a localização da vila perigosa e de difícil defesa (além de considerarem desnecessárias aquele tanto de igrejas, protestantes que eram), preferindo se instalar na vila vizinha, Recife. Aliás, o período da invasão holandesa no nordeste brasileiro é algo que merece ser estudado e conhecido, por ser um dos períodos mais férteis e interessantes cultural e economicamente da história da região, deixando marcas até hoje no Estado de Pernambuco. Isso porque, ao contrário de Portugal, que mandava pro Brasil personas non gratas na Corte, a Holanda mandou seus nobres, pessoas com grande interesse nas artes e ciências, que trouxeram seu conhecimento para o Brasil. O principal nome entre eles era Maurício de Nassau, até hoje enaltecido pelos pernambucanos, mas isso é prosa pra outro post, talvez o dia em eu escrever sobre Recife, onde eles se assentaram.

Olinda e suas igrejas
Igreja do Carmo

A invasão holandesa durou apenas 24 anos, período que Olinda ficou abandonada e mesmo depois, a cidade não conseguiu nunca mais voltar a ter a mesma importância que tinha antes, tendo Recife se tornado definitivamente o centro comercial e econômico da província. De certa forma, assim como em muitas cidades coloniais brasileiras, foi esse ostracismo que permitiu que Olinda se mantivesse com seus traços originais preservados, o que levou a ser considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco, em 1982.

Casarios coloniais de Olinda
Casarios coloniais

Olinda e suas igrejas

Conservação, aliás, que me pareceu bastante prejudicada, principalmente das tantas igrejas da Cidade Alta (o centro histórico da cidade). Ao todo, são 22 em diferentes pontos das ladeiras e quase todas no mesmo estilo barroco das igrejas coloniais brasileiras.
Talvez, a mais conhecida (e fotografada) seja a Igreja do Carmo, que fica ainda na parte baixa, mas pelo tamanho e localização é vista de diferentes pontos da cidade. A construção é de 1580 e, assim como quase tudo em Olinda, é tombada pelo Iphan, mas infelizmente a conservação está longe de ser a ideal.

Olinda e suas Igrejas
Igreja do Carmo 

Mas, na minha opinião, a que mais precisa de restauração é o Convento de São Francisco. De uma beleza única, com suas paredes todas em azulejos portugueses em motivos religiosos. É triste de ver os azulejos quebrados, mas mesmo assim a visita compensa. Contínguo ao mosteiro, fica a pequenina e bela Capela de São Roque, quase toda em madeira esculpida.

Olinda e suas Igrejas
Convento de São Francisco

Outro dos edifícios religiosos de Olinda é o famoso Mosteiro de São Bento, que tem em seu interior a igreja mais rica com o altar-mor todo folheado à ouro. Quando fomos, a iluminação estava ruim e não consegui fotografar o interior, mas a ida lá é recompensadora.

Olinda e suas Igrejas
Mosteiro de São Bento

E, por fim, a mais popular das igrejas de Olinda, a Catedral da Sé, localizada no Alto da Sé, ponto turístico mais famoso da cidade e onde ficam as barraquinhas de tapioca, que atraem também a turistada. Não conseguimos entrar na Igreja, mas só de estar ali com aquele visual todo do mar à nossa frente, já valeu a visita.

Olinda e suas Igrejas
Catedral Sé de Olinda

Carnaval, frevo, maracatu e alegria

Olinda tem uma arquitetura que encanta, uma beleza natural estupenda, mas o que mais faz meu coração bater por esse lugarzinho e que me fez sonhar em vir pra cá com mais calma é mesmo a Cultura Popular. Apaixonada que sou por nossas manifestações culturais autenticamente brasileiras, sempre ouvi muito frevo, maracatu, côco e outros ritmos pernambucanos. E, verdadeiramente, é isso que se ouve em Olinda. Fomos à cidade em janeiro, quando as prévias do carnaval estavam à todo vapor e conseguimos, acompanhados de amigas olindenses que eram especialistas em carnaval (obrigada, Deia e Ju), conseguimos aproveitar um pouco da bagunça, que acho gostoso por demais. É claro que a muvuca sempre me agonia, então foquei nos bloquinhos mais vazios, mas também chegamos a (tentar) ir nuns blocos maiores. 

Olinda, sua cultura e seu carnaval
Preparativos pra chegada de Momo

Olinda e suas Igrejas
Um Caboclo de Lança, personagem típico do Maracatu Rural, passeia pelas ruas de Olinda

Cada banda tem sua concentração própria com horários e locais determinados, mas uma coisa eles tem em comum: TODOS passam pelo famoso quatro cantos, o encontro de quatro vielas apertadas e, muitas vezes, passam TODOS ao mesmo tempo. Fico só imaginando quatro blocos com milhares de pessoas passando, ao mesmo tempo e em sentidos opostos, por aquele espaço. Deve ser o caos, mas dizem que no fim tudo dá certo e que essa é a magia do Carnaval de Olinda.

Olinda, sua cultural e seu carnaval
Quatro Cantos

Foi por causa desse fervor (aliás, essa é a origem da palavra frevo), que Alceu Valença, um ilustre nativo de Olinda fez a música "me segura, que senão eu caio":

"Nos Quatro Cantos cheguei
E todo mundo chegou,
descendo a ladeira,
fazendo poeira
atiçando calor."

Olinda precisa de roteiro?

Olinda, como todas as cidades históricas, tem nas caminhadas sem compromisso e nas pequenas descobertas do caminho o melhor roteiro que se pode seguir. Espontâneo, personalizado e delicioso. Quase todos os caminhos levam até o Alto da Sé, onde se tem uma espetacular vista da cidade. 
Aliás, qualquer que seja o roteiro, a única programação certa e imperdível é: o pôr-do-Sol no Mirante da Caixa D´água da Sé, bem do ladinho da catedral e que nos leva confortavelmente de elevador até o ponto mais alto da cidade com uma vista em 360 graus de Olinda e Recife (não à toa, esse post está recheado de fotos que fiz lá de cima). É claro que é possível subir lá a qualquer hora do dia, mas nada se compara a luz do entardecer e a beleza de um fim de tarde ali do alto. 

Igrejas de Olinda
Pôr do Sol no Mirante da Caixa d´água

No nosso caso, escolhemos começar na Praça do Carmo e subir pela Rua de São Francisco, por um único motivo: a ladeira é menos puxada e ali já passamos por lindos casarões (os maiores que vimos em Olinda) e também por várias igrejas. Depois, descemos pelo outro lado, já caindo no famoso Quatro Cantos, onde paramos pra tomar uma cervejinha, ver os bloquinhos passarem e ainda encontramos nossas amigas. Assim, fomos descobrindo novos cantinhos e fazendo novos planos pra voltar à cidade o quanto antes...

ps: esse post é dedicado à Deia e à Ju, sem as quais seriam impossível curtir o pré-carnaval da forma gostosa que foi! Obrigada, meninas! 💚

Outras cidades coloniais brasileiras:


7 comentários:

  1. Olá Ana, boa noite!
    Quase não conheço o nordeste brasileiro. Apenas Salvador e algumas cidades próximas, Ilhéus, Porto Seguro e Maceió. Para falar a verdade, como não me sinto muito bem no calor, em tempetaturas muito quentes, não fico assim muito animada.
    Mas, achei Olinda tão charmosa, sabe? Que belezinha de cidade, mesmo! Não pensava que fosse.
    E gostei de conhecer a história e, te digo mais Ana, as tuas fotos estão incríveis. Linda de ver e de sentir.
    Um 2017 sereno, alegre e com as melhores realizações, querida.
    Um monte de beijnhos!

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    1. Querida, como é boa sua visita aqui no meu cantinho!
      Eu, particularmente, prefiro o calor do nordeste (sempre com uma brisa gostosa) do que o calor do Rio (sufocante pra mim). SIm, Olinda é puro charme! CIdade deliciosa!
      Um beijo pra vc e pros seus!

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  2. Os seus pores-do-sol maravilhosos. Ninguém os fotografa como vocês.
    Frevo, maracatu, côco?? Não faço ideia do que sejam, apesar de ter percebido que estão relacionados com música. Vou ali ao youtube tratar desta ignorância.
    Beijinhos
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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    1. Amamos mesmo o pôr do Sol, Ruthia!
      Então... os ritmos populares brasileiros vão muuuuito além do Samba! Frevo, maracatu, côco, forró, baião, xaxado e por aí vai... se há algo que meu país sabe produzir é música e recomendo mesmo que vc conheça! Vale muito a pena (e tem muita influência do folclore português misturado com os tambores africanos). Um beijinho com carinho

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  3. Oi Ana, eu sou Leonardo, do Reverso do Mundo.Achei legal quando você tocou num ponto importante. A falta de conservação das Igrejas. Eu moro aqui desde os 4 anos e não vou "dourar a pílula": está ruim mesmo. Nós estamos fazendo o que está ao nosso alcance. Eu nem vou escrever muito sobre esse ponto, pq senão acabo falando o que não deveria. Já houve dias melhores por aqui, mas nós vamos superar tudo isso. Não vou falar do Iphan, do jogo de empurra-empurra... enfim. Quem acaba pagando a conta somos nós, moradores.
    Tem um ponto no Mercado da Ribeira, na verdade por trás dele, onde talvez se tenha uma das mais belas da cidade. Ele dá pro Alto da Sé e é legal por que não dá muita gente, mas tem um clima legal, o vento, o verde. É bem bacana.
    É bom dar uma chegada na Ribeira, na Praça do Carmo onde rola música ao ar livre e livremente, inclusive, nos Quatro Cantos, onde aparecem bandas que tocam qualquer tipo de música desde mundo. Até guitarrista querendo tirar coisa do Jimi Hendrix.
    Um abraço e gostei muito também da sua contextualização histórica.

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    1. Pois é, Leonardo! Olinda me encanta, mas seria ainda mais linda com um cuidado melhor na preservação. Adorei as dicas que deixou aqui! Já quero voltar pra ver essa vista atrás do Mercado da Ribeira (adoro mirantes)!!! :)
      Um beijinho

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  4. Tô aqui me deliciando com o blog e preparando meu textinho. Vocês é que são companhias incríveis. E venham sempre. A casa está aberta. Beijos

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