quarta-feira, 5 de abril de 2017

Guimarães: o berço de Portugal e de uma linda amizade

Guimarães, o berço de Portugal

Lembro muito bem o dia que descobri a Ruthia, enquanto pesquisava uma viagem e me deparei com o incrível Berço do Mundo, o blog escrito por ela, mas bastante influenciado pelo olhar de seu filho, o pequeno explorador Pedrinho. Pra ser sincera, já não me lembro mais qual era o destino que eu pesquisava, porque a lembrança que ficou daquela descoberta foi de me apaixonar pelos textos delicados e inspiradores dela e ir lendo compulsivamente por algumas horas todos os posts que consegui. Ali, nasceu uma admiração sincera, que virou uma amizade virtual e que, alguns anos depois, virou realidade num lindo e ensolarado dia, em que fomos, finalmente, visitá-la.
Mas a Ruthia transformou nosso visita em algum muito maior e divertido: ela e Pedrinho nos guiaram numa deliciosa caminhada por Guimarães, a cidade que viu Portugal nascer e que, portanto, respira história em cada esquina. E graças aos nossos dois amigos pudemos aprender com riqueza de detalhes tudo aquilo que Guimarães representa. A cultura e erudição da Ruthia já conhecia de seus textos, mas a sagacidade e conhecimento do Pedrinho conheci nesse dia e me surpreendi. Pense num guri curioso, esperto, atento e gentil. Pensou? Pois é ele.

Guimarães, o berço de Portugal
Pedrinho, o pequeno explorador e nosso guia em Guimarães, descansa no fim do passeio

E é claro que eu não poderia escrever sobre Guimarães sem agradecer imensamente o carinho, a atenção e a delicadeza que nossos dois amigos nos receberam (e isso sem contar que, no fim do dia, ainda ganhei o livro escrito pela Ruthia: A Dimensão Cultural da Integração Européia). Um dia pra nunca mais esquecer e uma amizade pra sempre guardar no coração, eis o resultado desse encontro memorável.

A visita foi tão frutífera e enriquecedora, que tentarei aqui compartilhar um pouquinho do que aprendemos por lá. Ainda mais que estar em Guimarães, por si só, já é motivo de sobra pra se inspirar, afinal a cidade não é qualquer coisa.

Como escreveu a própria Ruthia, no meu post preferido sobre Guimarães:
"Ser de Guimarães é umbilical, é um atestado de pedigree. Nesta terra de memória e identidade, todos descendemos de D. Afonso Henriques, dizemos ao que vimos sem palmadinhas hipócritas nas costas (por vezes com alguns palavrões cabeludos pelo meio), não precisamos de condecorações para incharmos de orgulho pelo "nosso lugar", apesar das distinções como Património da Humanidade da Unesco, Capital Europeia da Cultura 2012, Capital Europeia do Desporto 2013..."

Guimarães, o berço de Portugal
A cidade-berço! 

Guimarães, o berço de Portugal


E todo o orgulho da Ruthia tem razão de ser. Como nos contou nossa amiga e seu pequeno, a fundação de Guimarães precedeu a existência do próprio país e aqui ocorreram eventos que influenciaram a formação da nação. Desses acontecimentos, sem dúvida, o mais marcante está representado na figura de Dom Afonso Henriques, que teria nascido e vivido grande parte da vida em Guimarães e que se auto-proclamou o primeiro Rei de Portugal após ganhar uma importante batalha contra os mouros, na região do Alentejo. Anos depois, o título foi oficializado pela Igreja, numa bula papal que reconhece Afonso Henriques como rei legítimo.

Guimarães, o berço de Portugal
Estátua de Dom Afonso Henriques com sua espada, reparada após ter sido vandalizada por turista
Em nossa caminhada pela cidade, um dos momentos mais impactantes pra mim foi quando passando pela estátua de Dom Afonso Henriques, Pedrinho nos contou o absurdo que ocorreu alguns anos atrás, quando um turista subiu na estátua e lhe quebrou a espada. O pequeno viajante mostrou que já entende a importância de se respeitar monumentos, ainda mais esse sendo um tão importante pra sua cidade natal e não escondeu sua indignação com o tal turista. Mesmo com sua idade, Pedrinho já viajou bastante com a família e, me alegro em dizer , que já está aprendendo o que é fazer um turismo responsável e consciente, preocupando-se com a história, as tradições e os povos locais. Que bom!

A caminhada por Guimarães


Guimarães não é grande e o melhor jeito de conhecê-la é mesmo fazendo o que Ruthia nos sugeriu: andar por suas atrações à pé. Nossa caminhada começou no Castelo de Guimarães, que foi o ponto de encontro estratégico com nossos amigos. Podemos dizer que esse lugar, literalmente, viu Portugal nascer, já que aqui ocorreram várias batalhas, que desencadearam na independência do país.

Guimarães, o berço de Portugal
Castelo de Guimarães, visto por trás

O castelo é aberto à visitação e, quando lá fomos, não era cobrada entrada, apesar de haver planos para isso, segundo Ruthia me contou. Caminhamos pelas pedras onde, um dia, também pisou Dom Afonso Henriques e a sensação era a de pisar num lugar sagrado, o berço de uma nação, ainda mais de uma nação que veio a se tornar parte do que somos, mesmo como brasileiros.

Guimarães, o berço de Portugal
Thiago, Pedrinho e Ruthia numa das torres do Castelo

Nossa caminhada continuou pela pequena igrejinha que fica à frente do Castelo, chamada de Capela  São Miguel do Castelo. Apesar de improvável, conta-se que aqui foi batizado Dom Afonso Henriques e até mesmo a suposta pia batismal encontra-se no seu interior.

Guimarães, o berço de Portugal
Capela de São Miguel do Castelo

Seguindo o jardim da igreja, chegamos ao Paço dos Duques de Bragança, construído no século XV, mas que teve sua arquitetura bastante modificada para se tornar a residência oficial de Salazar, durante a ditadura portuguesa. Não entramos no seu interior e eis algo que farei quando voltar à cidade, pois ficou um gostinho de conhecer suas salas ornadas.

Guimarães, o berço de Portugal
Paço dos Duques de Bragança

É no jardim do Paço dos Duques que está a famosa estátua de Dom Afonso Henriques, que comentei anteriormente e é claro que ficamos um bom tempo a admirando e fotografando antes de seguir para o Centro Histórico da cidade.

Guimarães, o berço de Portugal
Fachadas do Centro Histórico de Guimarães

Fomos caminhando com nossos amigos pelas pequenas ruelas medievais cheias de charme e de lindos casarões, passando pela lindíssima Rua de Santa Maria até chegarmos no Largo da Oliveira, bem no miolinho do centro. Ali, uma espécie de alpendre gótico orna o lugar, que descobri chamar Padrão do Salado, já que foi construído para celebrar a vitória da batalha de mesmo nome.

Guimarães, o berço de Portugal
Rua de Santa Maria

Guimarães, o berço de Portugal
Padrão do Salado

Bem em frente, fica a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, toda em estilo gótico e uma das mais imponentes desse tipo no norte de Portugal. O seu altar me impressionou pela riqueza nos dourados e nos detalhes.

Guimarães, o berço de Portugal
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira

Saindo da Igreja, passamos pelo animadíssimo Largo da Misericórdia, que estava lotado de gente, ouvindo um grupo de jazz que tocava na rua. Dali, a caminhada continuou pelo Largo do Toural até a antiga Muralha da cidade (ou o que restou dela, já que a maior parte de sua estrutura foi derrubada no reinado de Dom João I para que a cidade pudesse crescer). Nessa linda ruína hoje está escrito o mais famoso letreiro da cidade: Aqui nasceu Portugal, que pode ser visto numa foto acima, no começo desse post.

Guimarães, o berço de Portugal
Fachadas

Antes de voltar ao ponto de partida, ainda passamos pelo Largo do Brasil, de onde vi a lindíssima Igreja de São Gualter, que me encantou tanto a ponto de quase ser atropelada para fotografá-la. Aqui também ficou a vontade de voltar à cidade para entrar e conhecê-la por dentro, mas não foi dessa vez.

Guimarães, o berço de Portugal
Igreja de São Gualter e seus jardins
Por fim, de retorno ao Castelo depois da volta completa por Guimarães, Ruthia e Pedrinho ainda se ofereceram a ir conosco até o Santuário da Penha, o ponto mais alto da cidade. É possível chegar até lá de teleférico, mas nós que estávamos de carro, preferimos subir motorizados até lá, até porque eu e Thiago não somos muito fãs das cadeirinhas balançantes dos teleféricos, como já contei nesse post. Depois de uma subida forte, mas de boa estrada, chegamos ao lugar e confesso que o que mais me chamou a atenção não foi o santuário e, sim, a vista fabulosa que se tem lá de cima.

Guimarães, o berço de Portugal
Vista do Monte da Penha
É claro que o santuário também me atraiu, assim como a linda Ermida Nossa Senhora do Carmo, construída numa gruta, totalmente integrada às rochas.

Guimarães, o berço de Portugal
Gruta Ermida Nossa Senhora do Carmo

Depois de explorar os cantinhos do monte, sentamos próximo ao Santuário, com a vista de Guimarães aos nossos pés e ficamos um bom tempo descansando e conversando com nossos amigos. Nossa vontade era assistir o pôr-do-Sol lá de cima, mas os dias cada vez mais longos da primavera nos fizeram desistir, já que o cansaço batia à porta e ainda faltava bastante tempo até escurecer.

Voltamos para a cidade e nos despedimos dos novos amigos cheios de gratidão pelo dia inesquecível que tivemos juntos. Guimarães parece mesmo ser um lugar de nascimentos, de Portugal e de uma linda amizade que espero seja tão especial e fraterna, como é esse país que nos acolheu. Obrigada, Ruthia. Obrigada, Pedrinho. Obrigada, Portugal...


6 comentários:

  1. Fui transportada pelas suas palavras gentis até aquela primavera e senti muitas saudades. Já foi há um ano! Manter um blog dá tanto trabalho, que já cogitei várias vezes por um ponto final n'O Berço, mas a verdade é que sem ele, nunca conheceria pessoas maravilhosas como vocês.
    As nossas deambulações com certeza nos juntarão novamente. Pode apostar.
    Um abraço cheio de amizade e gratidão pelo seu carinho, meu e do Pedrinho (que adorou a foto dele na relva).

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    1. Foi um prazer reviver esse dia, ao escrever o post, Ruthia! A saudade só aumentou e espero ansiosa o dia do reencontro! Mais uma vez, obrigada à você e Pedrinho pelo carinho, paciência e gentileza!
      Um beijinho

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  2. Obrigada, pela maravilhosa viagem, mesmo que virtual.
    Espero e desejo muito, fazer essa viagem na real...Beijo, Ruthia querida!

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    1. Oi, Lucia! Guimarães é mesmo maravilhosa
      Obrigada pela visita aqui no blog! Volte sempre! :)
      Beijinhos,
      Ana Christ

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  3. Olá Ana!
    Tenho paixão por Portugal, mas ainda não conheço e vejo que aqui tens ótimas dicas, para o planejamento de um roteiro.
    Adorei o Pedrinho, que garoto especial, posso imaginar, pelo que contas sobre ele. Eu conheci o blog da Ruthia por você e já estive por lá, estou seguindo.
    A foto com a legenda 'Paço dos Duques de Bragança' é um espetáculo, eu adorei. Ao fundo, vejo edifícios residenciais modernos? É isso? Achei belíssima a composição.
    Também, gostei muito do centro histórico, que gosto sempre de visitar. Fachadas das construções belas, fiquei encantada!
    Guimarães é perto do Porto, certo?
    Beijinhos querida amiguinha!

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  4. Olá, querida Maria Gloria! Como sempre é muito bom ter você por aqui!
    Sim, Portugal me encanta e sou apaixonada por aqueles país. Impossível negar nossas raízes culturais, o que nos faz sentir "em casa" por lá.
    Guimarães tem um centro histórico muito bem preservado, mas também tem prédios mais modernos no entorno do centro mesmo, como vc em observou! Nós acabamos ficando mais pela parte antiga e não conhecemos muito da parte nova...

    Um beijo carinhoso!

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