sábado, 15 de abril de 2017

Quatro anos pelo mundo

"We shall not cease from exploration and the end of 
all our exploring will be to arrive where we started 
and know the place for the first time."
(T. S. Elliot)
Porto
(25 de Abril/2016)

Alegria, alegria! Esse bloguinho lindo e charmoso, que tantas boas recordações me traz diariamente completa hoje quatro aninhos de vida e eu não poderia estar mais feliz. É delicioso olhar pra trás e reler os posts antigos, ver quanta coisa passou, quantos lugares incríveis pude conhecer, quanta coisa aprendi em cada viagem, quanto me transformei e quanto o próprio blog também se transformou. Não escondo meu orgulho por ver isso que foi se transformando quase num livro de viagens é delicioso pra mim.
Mas, nem tudo são flores e por não me dedicar integralmente ao Nativos do Mundo, sempre passo por fases de maior, ou menor dedicação à ele, a depender dos compromissos outros da vida e também a depender de um fator fundamental pra mim: a inspiração. Tem épocas que escrevo compulsivamente, quase todos os dias (mas nunca tive posts diários, porque mesmo escrevendo com mais frequência, fico muitos dias escrevendo um único texto). Mas também há épocas que a inspiração foge, que não consigo me dedicar a pesquisar como gosto antes de escrever, que tenho preguiça, ou também, porque outras experiências estão preenchendo minha vida. E preciso confessar que estive mais tempo nessa segunda fase, durante todo ano que passou. Foram apenas 33 posts ao longo do ano e, mesmo assim, com muito esforço. É curioso, porque 2016 foi o ano que mais viajei na minha vida, afinal fiquei seis meses fora do Brasil e, mesmo aqui no Brasil, viajei bastante, mas (ou talvez por isso mesmo) foi difícil atualizar o blog. Tenho postagens com um ano de atraso, esperando serem finalizadas e postagens recentes, que sequer escrevi ainda. Não me arrependo, pois com isso consegui viver o que gostaria na vida real, mas o preço foi ver o Nativos cada vez mais desatualizado.


Fernando de Noronha
Janeiro/2017
E com isso acabei tendo uma grande descoberta sobre a maneira que me agrada viajar: durante os três meses que passamos na Europa, entre fevereiro e maio, percebi que não consigo simplesmente chegar à noite e escrever tudo que vivemos naquele dia. Preciso de alguns dias pra elaborar tudo que vi no lugar, pra sedimentar as ideias antes de colocá-las no papel. Foi lá que começaram os atrasos nos posts, pois cada dia vivíamos uma experiência nova e quando eu ia escrever sobre um lugar, outro já estava fervilhando na minha mente. Fora o fato de que eu precisava usar o tempo livre pra também planejar as próximas etapas da viagem, então era como se eu tivesse vivendo, ao mesmo tempo, o passado (dos lugares anteriores que eu ainda precisa escrever), o presente (do lugar atual que estávamos) e o futuro (planejando os próximos destinos). Isso começou a me desgastar e acabei optando por viver, naquele momento, apenas o presente de tal maneira que o blog acabou ficando um pouco de lado. Pra mim, esse foi um baita aprendizado sobre minha relação com as viagens e certeza que levarei essa lição para as próximas.

Marrakech
Março/16

E não! Não estou reclamando! 2016 foi um dos melhores anos da minha vida e penso que ter deixado o blog um pouquinho de lado me permitiu experimentar viajar de outros jeitos. E nunca sequer cogitei parar de escrever. Mesmo com os posts bastante atrasados, pretendo atualizá-los aos poucos, ainda mais que estamos atualmente bastante pacatos e caseiros, o que ajuda ao não-acúmulo de conteúdo. A única questão é que não conseguirei (e não quero) mais manter o padrão que costumava ter antigamente de escrever os relatos em ordem cronológica. Do ano passado pra cá, as postagens tem sido por ordem de inspiração, de tal forma, que destinos bem distantes e diferentes estão um ao lado do outro, escrito em datas bem próximas. Provavelmente, será esse o padrão que levarei adiante, pois é o que está funcionando e é o que tem me dado mais prazer, apesar de não ficar tão organizado pra quem acompanha cada post.


Bruges
Maio/

Por isso mesmo, nesse post de retrospectiva do quarto aniversário, vou fazer o que não consegui fazer ao longo do ano que passou: organizar o roteiro de todas as viagens do ano passado, em ordem cronológica. A maior parte dos destinos não terá link para post, pois ainda não estão escritos, mas minha ideia é vir aqui ao longo desse ano e ir linkando, conforme eu for publicando os novos posts. E, apesar do aniversário ser em abril, vou começar de fevereiro, que foi quando se iniciou nosso mochilão pela Europa. Aproveitei também para postar aqui as fotos dos destinos que ainda não escrevi. Fotos que, provavelmente, estarão em posts futuros, mas que já deixo como prévia do que virá.

Três meses de mochilagem


Paris
Maio/16

Nosso mochilão começou após uma inesquecível despedida, quando juntamos muitos amigos e fizemos uma festa literalmente em praça pública, na Praça Roosevelt, aqui em São Paulo.
Era fevereiro, fim do inverno europeu e pegamos um climinha bem gostoso em Madrid, nosso primeiro destino. Foi só em Ávila que conseguimos ver neve e quando chegamos em Toledo, o tempo já estava até bem quentinho, exceto à noite, que esfriava.


Porto
Abril/16
Quando março chegou, estávamos no Marrocos e comemorei o meu aniversário em Marrakech, quando ganhei uma noite linda de jantar dos novos amigos que conhecemos por lá, na mesma noite que viajamos pra Chefchaoen, a cidade azul. Antes disso, tínhamos passado um fim de semana bem gostosinho em Essaouira, na beira do mar, depois de mais de um mês sem vê-lo.
Do norte do Marrocos, atravessamos o famoso Estreito de Gibraltar, numa viagem rápida, mas muito marcante até Tarifa, já de volta à Espanha e prontos a explorar a Andaluzia, em plena Semana Santa, o mais importante festejo da região.
Vimos as procissões em Cádiz e Arcos de la Frontera, mas quando a festa acabou partimos pra Ronda, meu lugar preferido na Andaluzia e por onde me apaixonei pelo seu impressionante Tajo, o abismo que circunda a cidade. De lá, foi a vez de conhecermos Granada com sua Allhambra e Albaicín. Numa chuvosa noite de domingo, chegamos em Córdoba, onde enfrentamos alguns dias de tempo ruim até conhecer as maravilhas da cidade, incluindo sua famosa Catedral.
Já era abril e passamos alguns dias em Sevilha e depois de vinte dias na Andaluzia e quase dois meses de viagem, começávamos a sentir falta de casa e de uma certa hospitalidade, que não sentimos muito na Espanha. Foi então que os deuses ouviram nossas preces e nós chegamos, finalmente, à Portugal.

Chefchaoen
Março/16

Entramos no país pelo Algarve e logo no primeiro dia nos apaixonamos. Pelas paisagens, pela arquitetura tão familiar, por falar nossa língua e, principalmente, pela hospitalidade e carinho dos portugueses conosco.

A série de postagens sobre o Algarve acabou sendo uma das poucas que consegui publicar inteirinha e já posso dizer que os relatos de lá estão completos, começando por um post com as minhas sete praias preferidas  na região e seguindo com posts detalhados das principais: Praia das Marinha, Ponta da Piedade, Ponta de Sagres e Cabo de São Vicente. Ainda escrevi sobre a cidade que escolhemos como base pra explorar o Algarve, Lagos, que tanto nos encantou. Ainda pelo Algarve, fizemos um roteiro incrível pelas região da Costa Vicentina, passando por praias lindas, mas infelizmente perdi minha câmera em Porto-côvo, de modo que muitas fotos que ainda estavam nela ficaram apenas na minha memória. Terei que voltar novamente lá pra repetir o roteiro e as fotos...
Em Lisboa, comprei uma câmera nova e nos deliciamos nas caminhadas pela cidade, na companhia de amigos especiais que encontramos lá. Encontrei um grande amigo de faculdade e conheci seu filhote, que foi uma grata e deliciosa surpresa. E sem contar com as noites de bohemia no fado, onde até o Thiago deu uma palinha (de cavaquinho). Gostamos tanto que fomos estendendo a estadia, que acabou sendo por quase duas semanas, entrecortadas por um fim de semana em Évora, onde definitivamente tivemos a melhor refeição em Portugal e ainda conhecemos as maravilhas do Alentejo.



Viseu
(1o de Maio/16) 
Foi quando chegamos ao Porto que nos demos conta que não seria fácil ir embora de Portugal. A hospitalidade de uma amiga nos fez estender também por lá a estadia e passamos dias (e noites) deliciosos à base de bacalhau, vinho e boa prosa. Como se não bastasse, aqui ainda assistimos ao show do Caetano Veloso e Gilberto Gil (de graça!!!) e participamos da comemoração do 25 de Abril, dia da Revolução dos Cravos, que libertou os portugueses da ditadura salazarista. A sensação de estar em casa era tão grande, que até mesmo um pôr do Sol numa das praças da cidade, virou um samba, depois que o povo que estava lá descobriu que o Thiago tocava cavaquinho.
A estadia no Porto só foi interrompida para uma visita à Guimarães, onde fomos encontrar uma amiga que conheci nessa vida de blogueira, a Ruthia, com quem passamos um dia inesquecível. Na mesma pernada, seguimos até Viseu, passando pela Serra da Estrela, somente por um motivo: assistir o show da Brigada Victor Jara, nossa banda portuguesa preferida, bem no 1o de maio, o Dia Internacional do Trabalhador.

Évora
(Abril/2016)
Ainda em Portugal, mas já em clima de despedida, passamos por Aveiro, a Veneza Portuguesa, onde conhecemos a charmosíssima Praia da Costa Nova com suas lindas casinhas em madeira listrada.

Mas a viagem precisava continuar e eu ainda tinha um objetivo a alcançar: visitar uma das minhas melhores amigas da vida, que mora na Bélgica e foi pra casa dela que fomos nos primeiros dias de maio. Ela mora em Deerlijk, uma cidade bem pequenina, já na fronteira com a França e, claro, aproveitamos pra matar as saudades, mas também turistar pelas famosas Gante e Bruges.

Nosso mochilão terminou, enfim, em Paris. Foi minha segunda vez na cidade e a sensação foi a mesma em ambas: cidade incrível, mas com uma arrogância que me desanima. Estar em Paris, o berço da Revolução Francesa, é emocionante, mas pra aproveitar a cidade é preciso abstrair o nariz em pé dos parisienses e a horda de turistas fazendo selfies e querendo mostrar em suas redes sociais como são chiques por estarem na cidade-luz.

Essaouira
Março/16
Menos de um mês depois que voltamos ao Brasil, já estava de volta ao Velho Mundo, dessa vez à trabalho, na Suécia. O verão no norte europeu me encantou e os dias de Sol até quase meia-noite, em Estocolmo foram muito bem aproveitados, entre os compromissos e os passeios ao Gamla Slan, o bairro medieval da cidade.
No mesmo período que eu estava na Suécia, Thiago estava no Maranhão, curtindo o São João. Estou esperando até hoje o post que ele prometeu escrever sobre como foram as festas por lá, mas tenho minhas dúvidas se esse post saiará mesmo algum dia. Esperemos... rs


Sevilha
(Abril/16)
E porque amamos as festas juninas e também porque amamos São Luiz do Paraitinga, não poderíamos deixar de ir lá no tradicional Arraiá do Chi Pul Pul, que já virou tradição irmos. Essa cidadezinha que tanto gostamos está presente em todas as retrospectivas do blog, porque vamos pra lá sempre, várias vezes ao ano.
Ainda em junho, fomos ao lindo Festival do Carmo, ver as cerejeiras em flor e a festa preparada pelos imigrantes japoneses em São Paulo.

Entre agosto e setembro, também passamos um bom tempo na estrada, dessa vez viajando de carro, pela Serra do Mar e Serra da Mantiqueira. Passamos uma boa temporada em Paraty, nossa queridinha de longa data e ainda conhecemos o lugarzinho que virou a descoberta do ano: São Bento do Sapucaí, vizinha de Campos de Jordão, mas sem a mesma afetação e com paisagens de tirar o fôlego.

Aveiro
(Maio/16)

Em outubro, parti pra um dos maiores desafios (nem tanto profissional, mas principalmente pessoal) da minha vida: fui trabalhar no Malawi com os Médicos Sem Fronteiras. De lá, escrevi alguns posts, num formato de diário, compartilhando impressões, mas sem o mesmo modelo de relato que costumo fazer. Esses textos muito me ajudaram a organizar as ideias por lá e hoje me ajudam a matar as saudades do que vivi. No total, escrevi cinco posts sobre o Malawi, sendo que dois foram mais específicos sobre atrações turísticas no país: o Lago Malawi e a Reserva Majete. Também aproveitei alguns dias que passei no Zimbabwe, também à trabalho, pra escrever sobre minhas impressões daquele país, completamente diferente do Malawi.

Conservatória
(Janeiro/17)

Fiquei três meses na África, longe do Thiago, que aproveitou pra fazer sua viagem anual pra Buenos Aires, onde sempre visita um grande amigo de lá. Sem dúvida que mais difícil que o trabalho, as dificuldades com a nova cultura, o idioma, foi a saudade do Thi a maior dificuldade que enfrentei nesse período. Tanto que consegui organizar meus compromissos por lá e resolvi fazer uma surpresa pra ele, chegando no Brasil no dia do Natal, sem que ele soubesse. Cheguei no dia 25 de dezembro, de madrugada, enquanto ele dormia e o acordei literalmente no susto. Demorou alguns minutos pra ele entender o que tinha acontecido e essa é uma cena que nunca esquecerei na vida: a cara dele entre o descrente e o feliz, sem saber como reagir.

Já havíamos combinado de tirar férias, quando eu voltasse do Malawi e passamos quase o mês de janeiro inteiro viajando. Passamos o Reveillon, no Rio de Janeiro e, como fomos de carro pra lá, aproveitei pra levar o Thi numa das minhas cidades preferidas no Rio: Conservatória, a cidade da Seresta. Foi uma passagem rápida, mas deu pra curtir uma seresta e o Thi até tocou com os músicos da cidade. O retorno pra São Paulo, foi com a mãe e a irmã dele no carro e aproveitamos pra levá-las pra conhecer Penedo e também o Santuário de Nossa Senhora Aparecida.


Florianópolis
(Janeiro/16)


Já nos primeiros dias de janeiro, fomos encontrar o Nahuel, o grande amigo argentino do Thi, em Floripa, onde basicamente ficamos bem de boa curtindo praia e sem grandes aventuras, nos preparando pra viagem mais esperada dos últimos anos: Fernando de Noronha, um sonho realizado nesse ano. Antes e depois de Noronha, ainda curtimos um bocado do pré-carnaval de Olinda, uma cidade que adoro e que não canso de voltar, ainda mais na companhia de amigas bem queridas de lá, que nos guiaram pelos melhores bloquinhos.






Desde janeiro, voltamos pra São Paulo e decidimos sossegar um pouco, de modo que não viajamos mais, exceto por um bate-e-volta recente que fizemos pra praia. Como diz a frase que abre esse post, voltar ao ponto de partida, após um longo tempo fora é como começar de novo. E assim tem sido esse período de recomeços e redescobertas, desde que retornei ao Brasil. O futuro, como sempre, ainda é incerto. Não sabemos por quanto tempo ficaremos em São Paulo, nem quando sairemos novamente pra estrada, mas por hora estamos nos permitindo viver o dia de hoje, esse presente que ganhamos a cada nascer do Sol e que, as vezes, deixamos passar por viver demasiadamente no ontem, ou no amanhã. E é esse mesmo presente de viver um dia de cada vez que gostaria de também ofertar pra todos os que acompanharam os últimos quatro anos desse blog, desde o primeiro post até hoje. E que o Nativos do Mundo tenha muitos e muitos hojes pela frente, na companhia dos amigos queridos e fundamentais de sempre. Fica aqui minha mais sincera gratidão à todos!


"Não cessaremos de explorar e

Todas as nossas explorações serão para chegar onde começamos

E conhecer o lugar pela primeira vez."
(T.S. Elliot) 



As outras primaveras do blog em posts comemorativos:





7 comentários:

  1. Venho com atraso juntar-me à festa porque estive no estrangeiro a semana da Páscoa e perdi a data. Foi um ano e tanto. Parabéns aos dois por não perderem a essência apesar de todas as deambulações!
    Fiquei aqui a imaginar a cara do Thiago com a sua surpresa de Natal. Maravilha!
    Desejo-vos muitos hojes!
    Beijinho do tamanho deste oceano que nos separa
    Ruthia

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    1. Minha amiga, sempre um prazer tê-la aqui e, principalmente, poder tê-la em nossas vidas! Um beijo grande

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  2. Ana, perdi o fôlego, mas fiquei feliz e agradecida, por acompanhar o roteiro descrito nesta postagem e por partilhas tão belas, interessantes e até, poéticas.
    Parabéns ao teu menino 'Nativos do Mundo', pelo aniversário. Vida longa!
    E olhe, eu também não gosto de escrever uma postagem logo no mesmo dia ao passeio ou ao prato que elaboro. Tenho que 'digerir', para apurar os sentires. E nem sempre a inspiração me pega, pois posso estar em outras dimensões.
    Um beijo bella e um ótimo final de semana.

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    1. Obrigada, querida! Esse blog me trouxe muitas coisas boas e sua amizade é, sem dúvida, uma delas! :)
      Pois sinto o mesmo que vc! Antes de escrever preciso elaborar, digerir, sedimentar as ideias. Assim, sinto que tenho mais prazer em escrever e em compartilhar...

      Um beijo grande!!!!!! E obrigada pela companhia de sempre!

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    2. Aninha querida, também sinto o mesmo por você: uma amizade querida, que me faz sentir tantas belezas e poesia pelo mundo!
      Um beijinho e muitos abraços amiga!

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  3. Parabéns e que venham mais histórias; e
    imagens.
    Boa semana.

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    1. Obrigada!!!!!! Certeza que virão muitas e muitas histórias por aí...
      Um beijinho

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