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Overtourism destinos saturados: o que é e 5 lugares que já sofrem

ResumoOvertourism é o fenômeno de excesso de visitantes que compromete a qualidade da experiência turística e a sustentabilidade do destino. Cinco locais que já sofrem com saturação são Veneza, Barcelona, Machu Picchu, Ilha de Páscoa e Santorini. Identificar sinais como superlotação, degradação ambiental e perda de autenticidade ajuda a evitar destinos sobrecarregados.

Overtourism é o excesso de turistas que degrada a experiência e o destino. Conheça 5 lugares que já sofrem com a saturação e aprenda a identificar os sinais antes de planejar sua próxima viagem.

Camila Estrela por Camila Estrela · Editora de viagem · · 8 min de leitura
Overtourism destinos saturados: o que é e 5 lugares que já sofrem

Você já chegou em um lugar famoso e sentiu que estava mais em uma fila do que em uma experiência de viagem? Essa sensação de aperto, de não conseguir apreciar o que está à sua volta, tem nome: overtourism. De forma direta, overtourism é o excesso de turistas que ultrapassa a capacidade de um destino de receber visitantes sem comprometer o meio ambiente, a vida dos moradores e a própria experiência do viajante. Não se trata apenas de lugares cheios, mas de um desequilíbrio que transforma ruas em corredores de passagem, praias em aglomerações e monumentos em pontos de selfie. Para quem busca uma viagem com significado, entender o overtourism é o primeiro passo para escolher destinos de forma mais consciente e evitar contribuir para o problema.

O que é overtourism de verdade?

Overtourism não é sinônimo de destino popular. Um lugar pode receber milhões de visitantes e ainda assim manter o equilíbrio se a infraestrutura, o planejamento urbano e a gestão de fluxo forem adequados. O problema surge quando o número de turistas supera a capacidade de carga do local, seja ela física, ambiental ou social. Isso significa: filas intermináveis para atrações, transporte público colapsado, preços de aluguel que disparam para os moradores, lixo acumulado e perda da identidade cultural. Um exemplo concreto: em 2019, antes da pandemia, Veneza recebeu cerca de 25 milhões de visitantes, enquanto a população local é de aproximadamente 50 mil habitantes. A conta não fecha, e quem perde é tanto o morador, que não consegue mais viver ali, quanto o turista, que mal consegue ver a cidade.

Quais são os principais sinais de que um destino está saturado?

Identificar um destino saturado antes de viajar é possível prestando atenção a alguns sinais claros. O primeiro é a concentração de turistas em um único ponto: se todas as fotos que você vê nas redes sociais mostram a mesma rua, o mesmo mirante, a mesma praia, é provável que o fluxo esteja concentrado demais. Outro indicador é o aumento desproporcional de preços em relação à média regional, hotéis que triplicam o valor na alta temporada, restaurantes com cardápios turísticos inflacionados. Além disso, a hostilidade local é um termômetro: se moradores demonstram irritação com visitantes, ou se há protestos contra o turismo, a saturação já chegou. Em Barcelona, por exemplo, movimentos como "Tourists Go Home" surgiram justamente pelo sentimento de que a cidade havia se tornado um parque temático para estrangeiros.

Como o overtourism afeta os moradores locais?

O impacto mais imediato e visível do overtourism sobre os moradores é a crise habitacional. Em destinos turísticos, proprietários preferem alugar imóveis por temporada para visitantes, que pagam mais, reduzindo a oferta de moradias para quem vive ali. Lisboa viu o preço dos aluguéis subir mais de 40% entre 2015 e 2020, em grande parte impulsionado pelo turismo de curta duração. Além disso, o comércio local se transforma: padarias, mercados e lojas de bairro dão lugar a lojas de souvenirs, redes internacionais e restaurantes genéricos. A vida noturna também muda, bares voltados para turistas funcionam até mais tarde, gerando barulho e conflitos com vizinhos. Em muitos casos, os moradores se sentem expulsos de suas próprias cidades, como ocorre em Veneza, onde a população caiu de 120 mil para 50 mil habitantes em 60 anos.

5 destinos que já sofrem com overtourism

1. Veneza, Itália

Veneza é o exemplo clássico de overtourism. A cidade lagunar recebe cerca de 25 milhões de visitantes por ano, mas a maioria se concentra em áreas como a Praça São Marcos e a Ponte Rialto. Os cruzeiros que atracam no centro histórico despejam milhares de pessoas por dia, sobrecarregando a infraestrutura local. Em 2021, a cidade proibiu a entrada de navios de grande porte no Canal de Giudecca, mas o fluxo de turistas diurnos ainda é imenso. Para quem visita, a dica é evitar a alta temporada (junho a agosto) e explorar bairros menos conhecidos, como Cannaregio ou Dorsoduro, onde ainda se encontra vida de bairro.

2. Barcelona, Espanha

Barcelona recebe mais de 30 milhões de turistas por ano, número que supera em 20 vezes sua população. O bairro de La Barceloneta, antes uma vila de pescadores, hoje é dominado por bares e lojas para turistas. O preço do metro quadrado subiu mais de 50% na última década, empurrando moradores para a periferia. A cidade implementou medidas como limite de licenças para novos hotéis e restrições a aluguéis por temporada, mas o problema persiste. Uma alternativa para quem quer conhecer a região sem contribuir para a saturação é visitar bairros como Gràcia, que mantêm um espírito mais local.

3. Machu Picchu, Peru

Machu Picchu é um caso emblemático de como o overtourism ameaça o patrimônio. Em 2019, o sítio arqueológico recebeu cerca de 1,5 milhão de visitantes, muito acima da capacidade recomendada de 2.500 pessoas por dia. O desgaste das estruturas de pedra, o acúmulo de lixo e a erosão das trilhas são consequências diretas. Em 2022, o governo peruano implementou um sistema de horários escalonados e limitou o número de ingressos diários, mas a demanda continua alta. Para quem planeja ir, a melhor época é entre abril e maio ou setembro e outubro, fora dos picos de julho e agosto.

4. Santorini, Grécia

A ilha de Santorini, famosa por seus pores do sol e casas brancas, recebe cerca de 2 milhões de turistas por ano, mas a população fixa é de apenas 15 mil habitantes. Durante o verão, as ruas estreitas de Oia ficam intransitáveis, e a demanda por água doce supera a capacidade local, a ilha depende de dessalinização e importação. Os moradores convivem com o barulho constante e o aumento do custo de vida. Uma forma de visitar Santorini sem sofrer com a lotação é ficar em hotéis menores em lugares como Pyrgos ou Megalochori, e evitar os horários de pico para ver o pôr do sol.

5. Bali, Indonésia

Bali é um destino que explodiu em popularidade nos últimos anos, mas o crescimento foi desordenado. A região de Kuta e Seminyak está tomada por resorts, bares e trânsito intenso. O consumo excessivo de água para hotéis e piscinas está secando aquíferos, e as praias sofrem com poluição por plástico. Em 2023, o governo local chegou a discutir a proibição de novas construções hoteleiras em áreas superlotadas. Para quem busca a essência de Bali, regiões como Ubud (interior) ou a costa leste (Amed, Candidasa) oferecem uma experiência mais tranquila e autêntica.

Como evitar contribuir para o overtourism?

A responsabilidade não é apenas dos governos e operadoras de turismo. O viajante individual pode fazer escolhas que aliviam a pressão sobre destinos saturados. A regra de ouro é: viaje fora da alta temporada sempre que possível. Se não puder, escolha horários alternativos, visite pontos turísticos cedo pela manhã ou no fim da tarde. Prefira hospedagens em bairros residenciais, longe dos centros turísticos, e consuma em estabelecimentos locais, não em redes internacionais. Outra dica prática: em vez de visitar o destino mais famoso de um país, explore alternativas próximas. Por exemplo, em vez de Barcelona, considere Valência ou Girona. Em vez de Veneza, experimente Treviso ou Pádua.

FAQ: Perguntas frequentes sobre overtourism

Overtourism é a mesma coisa que turismo de massa?

Não exatamente. Turismo de massa se refere a um modelo de viagem que envolve grandes fluxos de pessoas, geralmente em pacotes padronizados. Overtourism é a consequência negativa quando esse fluxo ultrapassa a capacidade de suporte do destino. Um destino pode ter turismo de massa bem gerenciado, sem cair em overtourism.

Quais são as causas do overtourism?

As principais causas incluem a popularização das viagens aéreas de baixo custo, o crescimento de plataformas de aluguel por temporada (como Airbnb), a concentração de marketing turístico em poucos destinos e a falta de planejamento urbano. Redes sociais também impulsionam a superlotação ao criar pontos de interesse virais.

O overtourism pode ser revertido?

Sim, mas exige medidas coordenadas. Destinos como Amsterdã e Dubrovnik já implementaram limites de visitantes, taxas turísticas e restrições a novos hotéis. A reversão é possível com gestão de fluxo, diversificação de atrações e conscientização dos viajantes. O processo, porém, é lento e enfrenta resistência do setor econômico.

Como saber se um destino está sofrendo com overtourism antes de ir?

Pesquise notícias recentes sobre protestos locais contra o turismo, verifique o número de visitantes anuais em relação à população e leia relatos de viajantes em fóruns como o Reddit. Sites como o Travel Off Path também publicam alertas sobre destinos saturados. Além disso, observe se há filas constantes em atrações mesmo fora de temporada.

Existe overtourism no Brasil?

Sim, embora em escala menor que na Europa. Destinos como Fernando de Noronha, Porto de Galinhas e a Praia do Rosa já enfrentam pressão turística. Fernando de Noronha, por exemplo, limita o número de visitantes diários, mas a demanda ainda supera a capacidade em alta temporada. O crescimento do turismo em lugares como a Chapada Diamantina também começa a gerar preocupações.

Qual a diferença entre capacidade de carga e overtourism?

Capacidade de carga é o número máximo de visitantes que um destino pode receber sem sofrer danos ambientais, sociais ou culturais. Overtourism ocorre quando esse limite é ultrapassado de forma consistente. Enquanto a capacidade de carga é um conceito técnico, o overtourism é a manifestação prática do desequilíbrio.

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