Praias & Ilhas

9 praias Brasil menos turismo que o Nordeste famoso

ResumoPraias brasileiras menos turísticas que o Nordeste famoso incluem refúgios como costões rochosos em São Paulo e vilas isoladas no Rio de Janeiro. Esses destinos oferecem sossego e paisagens intocadas, longe das multidões, com acesso restrito e preservação natural.

Se você busca sossego e paisagens intocadas, existem praias brasileiras com menos turistas que o Nordeste famoso. De costões rochosos em SP a vilas isoladas no RJ, o litoral guarda refúgios onde a multidão não chega.

Otávio Mendes por Otávio Mendes · Redator de turismo · · 7 min de leitura
9 praias Brasil menos turismo que o Nordeste famoso

O litoral brasileiro tem mais de 7.400 km de extensão, mas a maioria dos viajantes repete os mesmos destinos: Porto de Galinhas, Jericoacoara, Praia do Forte. Enquanto essas áreas recebem milhões de visitantes por ano, dezenas de praias igualmente belas permanecem com fluxo reduzido, seja por acesso difícil, proteção ambiental ou simplesmente por estarem fora do radar. Este guia lista nove praias onde você encontra areia, mar e silêncio, com critérios objetivos: número estimado de visitantes, infraestrutura local e sazonalidade.

1. Praia do Sono (Paraty, RJ)

Localizada a 40 minutos de barco ou 1h30 de trilha a partir de Paraty, a Praia do Sono não tem acesso rodoviário. Esse isolamento natural limita o fluxo a cerca de 200 pessoas por dia na alta temporada, contra os 5 mil visitantes diários de Fernando de Noronha em janeiro. A vila de pescadores mantém poucas pousadas simples e restaurantes rústicos. A areia é fofa, o mar tem ondas moderadas e a paisagem é dominada pelo Morro do Moleque. Para quem busca sossego, o melhor período é entre março e junho, quando o índice de ocupação cai pela metade.

2. Praia de Itamambuca (Ubatuba, SP)

Ubatuba recebe 2 milhões de turistas por ano, mas 80% deles se concentram em 5 praias centrais. Itamambuca, a 15 km do centro, fica em uma área de restinga preservada, com acesso por estrada de terra e sem grandes hotéis. A praia tem 2 km de extensão, mar aberto com ondas fortes e uma vila com menos de 50 casas. A média de visitantes em dia útil é de 50 pessoas. Ideal para surfistas e quem quer caminhar sem encontrar barracas de som. Em 2023, o projeto Tamar registrou 12 desovas de tartarugas na faixa de areia, sinal de baixa interferência humana.

3. Praia de Taquaras (Balneário Camboriú, SC)

Balneário Camboriú recebe 6 milhões de turistas ao ano, mas a Praia de Taquaras, a 8 km do centro, fica entre costões e tem acesso por escadaria. O estacionamento tem apenas 30 vagas, o que limita o fluxo a 100 carros por dia. A areia é grossa, o mar calmo e a paisagem dominada por vegetação nativa. Diferente das praias centrais, não há quiosques nem aluguel de guarda-sóis, o visitante precisa levar seu próprio kit. A prefeitura local estima que menos de 5% dos turistas da cidade conhecem Taquaras.

4. Praia de São Miguel (São Miguel dos Milagres, AL)

Milagres é conhecida, mas a Praia de São Miguel, extremo norte da APA Costa dos Corais, tem acesso apenas por buggy ou barco. A área é protegida por decreto federal desde 1997, e a construção de novos empreendimentos é proibida. A média de visitantes é de 80 pessoas por dia, contra os 2 mil de Porto de Galinhas na mesma época. As piscinas naturais de água cristalina ficam a 200 m da costa, e o recife de corais é um dos mais preservados do Brasil. Em 2022, o ICMBio registrou 23 espécies de peixes no local, número que cai para 10 em praias vizinhas com maior tráfego de turistas.

5. Praia de Trindade (Paraty, RJ), Cepilho

Trindade é famosa, mas a praia do Cepilho, a 300 m do centro da vila, exige uma caminhada de 15 minutos por uma trilha íngreme. A areia é fina, o mar tem ondas moderadas e a paisagem é dominada por costões cobertos de bromélias. Enquanto as praias principais de Trindade recebem 1.500 pessoas por dia no réveillon, o Cepilho raramente passa de 100. Não há barracas nem vendedores ambulantes. O acesso restrito funciona como filtro natural: quem chega é quem realmente quer sossego.

6. Praia do Espelho (Caraíva, BA)

Caraíva virou tendência, mas a Praia do Espelho, a 7 km de distância, continua isolada. O acesso é por trilha de 40 minutos ou barco (R$ 30 por pessoa). A praia tem 3 km de extensão, falésias coloridas e piscinas naturais na maré baixa. A média de visitantes é de 60 pessoas por dia, contra os 800 de Caraíva centro. A vila tem apenas três pousadas, todas com menos de 10 quartos. Em 2023, a Associação de Moradores locais limitou o número de barracas a 4, para evitar degradação.

7. Praia de Itaipus (Mata de São João, BA)

A 10 km da badalada Praia do Forte, Itaipus fica dentro de uma área de proteção ambiental de 1.200 hectares. O acesso é por estrada de terra, sem sinalização turística. A praia tem 2,5 km de areia branca e mar calmo, com coqueirais densos. A média de visitantes é de 30 pessoas por dia, mesmo em janeiro. Não há quiosques, e a única estrutura é um restaurante rústico que funciona apenas nos fins de semana. O contraste com Praia do Forte, que recebe 10 mil pessoas por dia no verão, é absoluto.

8. Praia de Itaoca (São Francisco de Itabapoana, RJ)

No extremo norte fluminense, Itaoca tem 12 km de extensão e acesso por estrada não pavimentada. A região é conhecida como "costa do petróleo", mas a praia em si é limpa e deserta. A média de visitantes é de 20 pessoas por dia, exceto em feriados isolados. O mar tem ondas fortes, e a areia é escura devido à composição de minerais. Não há hotéis nem pousadas, o visitante precisa se hospedar em cidades vizinhas, a 20 km de distância. Ideal para quem quer solidão total.

9. Praia de São Conrado (Rio de Janeiro, RJ), costão

O Rio de Janeiro tem praias lotadas, mas o costão de São Conrado, entre a praia principal e a Pedra Bonita, exige escalada de 10 minutos sobre rochas. O local tem 200 m de extensão e não há acesso por areia. A média de visitantes é de 10 pessoas por dia, contra os 30 mil de Copacabana no verão. O mar é agitado, e não há salva-vidas. A vista do Morro Dois Irmãos é uma das mais fotografadas da cidade, mas a praia em si permanece anônima. A prefeitura não mantém infraestrutura, o que desestimula aglomerações.

Qual escolher conforme seu perfil

Se você quer conforto mínimo e mar calmo, opte por São Miguel dos Milagres ou Praia do Espelho, que têm pousadas simples e acesso por barco. Para isolamento total, escolha Itaoca ou o costão de São Conrado, onde você não encontra estrutura alguma. Se busca natureza preservada e caminhadas, Itamambuca e Taquaras combinam trilhas com baixa ocupação. O fator comum a todas: planejamento antecipado, pois nenhuma delas tem supermercado ou posto de gasolina próximo.

Perguntas frequentes

Qual a praia mais deserta do Brasil?

Não há um ranking oficial, mas a Praia de Itaoca (RJ) é candidata forte: 12 km de extensão com média de 20 visitantes por dia. O acesso difícil e a falta de infraestrutura mantêm o fluxo baixo o ano inteiro.

Como chegar a praias com menos turistas?

A maioria exige trilha, barco ou estrada de terra. Consulte mapas de trilhas no Wikiloc ou aplicativos de navegação offline, pois muitas áreas não têm sinal de celular.

É seguro visitar praias isoladas?

Sim, desde que você vá com suprimentos (água, comida, protetor solar) e avise alguém sobre o roteiro. Evite ir sozinho e verifique a previsão do mar antes de entrar na água.

Qual a melhor época para visitar essas praias?

Entre março e junho, fora da alta temporada e do período de chuvas intensas. O clima é mais ameno, e os preços de hospedagem caem pela metade.

Essas praias têm risco de assalto?

O risco é menor que em praias urbanas, mas não inexistente. Evite levar objetos de valor e estacione em locais visíveis. Em áreas mais remotas, o maior perigo é o próprio isolamento.

Posso acampar nessas praias?

Depende. Em praias dentro de APAs (como São Miguel dos Milagres), é proibido. Em outras (como Itaoca), não há fiscalização, mas o ideal é consultar a prefeitura local antes.

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