quarta-feira, 10 de julho de 2013

Três dias desbravando os Lençóis Maranhenses

Trekking pelos Lençóis Maranhenses

Um dos destinos turísticos mais procurados do Brasil e, ao mesmo tempo, um dos menos conhecidos. Assim podemos caracterizar o turismo no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Isso porque a maioria dos visitantes se limita a uma pequena região próxima à Barreirinhas e está longe de ter a dimensão do que, de fato, é aquele lugar.
Numa imensa área de 156mil  hectares (o tamanho da cidade de São Paulo), a região é formada exclusivamente pela água das chuvas e areia, sendo considerado um deserto, com dois climas característicos: um chuvoso (de janeiro a junho) e outro seco (de junho a dezembro). As dunas avançam do litoral até 30km da costa e mudam de lugar, de acordo com o vento. Os Lençóis maranhenses estão dentro de três cidades: Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz e sua imensidão só é possível de ser compreendida, quando caminhamos por suas areias.
Para conseguir isso, optamos por fazer a travessia do parque à pé (eu, de cavalo), percorrendo 68km em três dias, dormindo nas comunidades de Baixa Grande e Queimada dos Britos, dois oásis existentes no meio dos Lençóis Maranhenses. Apesar de algumas pessoas fazerem o trajeto sem guia, preferimos contratar um, afinal o referencial de horizonte muda, quando só  vemos areia pra todos os lados. Nosso guia era um nativo da Queimada dos Britos, chamado Carlos Queimada e ainda tivemos a adorável companhia do guia do cavalo, Seu Moacir, morador da Baixa Grande e tio do Carlos, uma das pessoas mais encantadoras que já conheci na vida. Foram dias extasiantes e inesquecíveis, que relato a seguir.

Caburé e Atins 

Saímos cedo de Paulino Neves e chegamos antes das 9h em Caburé, nosso ponto de partida para entrar nos Lençóis. Havíamos marcado com nosso guia,  às 11h, numa das pousadas da praia, para seguir rumo à Atins. Até lá, teríamos mais de duas horas para conhecer o local e resolvemos dar uma caminhada pelas redondezas. Caburé fica entre o Rio Preguiças e o mar, mas está longe da sua desembocadura, isso porque o Rio Preguiças, como o nome diz, corta sinuosamente os Lençóis, formando enormes curvas no seu trajeto, que fazem com que, em alguns trechos, ele esteja quase em paralelo com o mar, como acontece em Caburé.
Caburé, às margens do Rio Preguiças
Caburé


Rio Preguiças, o limite dos Lençóis Maranhenses
Sinuosidades do Rio Preguiças

A praia de Caburé me chamou a atenção pelo avanço das dunas. Várias cabanas de pescadores já foram engolidas pela areia e mesmo as poucas pousadas, na beira do rio, estão numa situação delicada: funcionários precisam varrer continuamente a areia que invade as casas e a maioria já está quase formando um buraco dentro da duna para não ser engolida.
Início do trekking pelos Lençóis Maranhenses
Barraca sendo engolida pela duna

Nosso guia chegou por volta das 11h30 e nos levou de lancha até o Farol de Mandacaru, localizado na cidade de mesmo nome. Chegamos no horário do almoço e um funcionário da Marinha (que tomava cerveja, em frente ao farol!!!) nos destratou de forma desrespeitosa e autoritária, quase nos expulsando de lá. Voltamos para Caburé mais incomodados com aquele mau funcionário do que com o fato de não termos conseguido subir no farol. Nessas horas, me questiono sobre a formação dos militares no Brasil, que ainda parecem funcionar aos moldes da ditadura.
Farol de Mandacaru, às margens do Rio Preguiça
Farol de Mandacaru
De volta a Caburé, almoçamos e logo, fomos chamados pelo Carlos para entrarmos na lancha, que nos deixaria no início da praia de Atins para seguirmos de lá para o Canto de Atins, onde dormiríamos no Restaurante da Luzia.

Foi uma caminhada agradável de cerca de 6km, na beira do rio e, depois do mar, passando por pescadores, pássaros, peixes e poucas, bem poucas pessoas.
Atins, o início da caminhada pelos Lençóis Maranhenses
Atins

Chegamos no Canto do Atins (mais especificamente, no Restaurante da Luzia), no fim da tarde e, lá já estava Seu Moacir, o guia do cavalo e o próprio cavalo que me acompanharia pelos próximos três dias. Num primeiro momento, achei-o meio magricela, mas o danado me surpreendeu e aguentou firme a caminhada. Assim que chegamos, pedimos o famoso camarão grelhado da Luzia. O prato faz jus à fama: foi o MELHOR camarão que já comi na vida, mas o tempero é segredo e ela não conta pra ninguém. Não conseguimos conversar muito com a Luzia e isso me frustrou um pouco. Achei-a um pouco distante e parecia já estar acostumada com a fama.
Início da caminhada pelos Lençóis Maranhenses
Restaurante da Luzia, no Canto de Atins

Descansamos um pouco e de noite, levei um susto com o Thiago: após passar repelente (e no Canto do Atins tem bastante muriçoca), ele começou a sentir falta de ar, palpitação  e tremor na mão. Fiquei preocupada de ser do camarão, pois ele já tem histórico de alergia, mas já fazia tempo que havíamos comido. Associei os sintomas ao excesso de repelente que ele havia passado e o coloquei pra tomar banho e beber água. No fim, ele melhorou, mas passei a noite apreensiva, pois no dia seguinte iniciaríamos uma caminhada de três dias e eu estava insegura se ele, de fato, teria energia pra andar 68km.

Primeiro dia de travessia dos Lençóis Maranhenses

A madrugada foi tensa pra mim. Além da preocupação com o Thiago, senti vontade de fazer xixi, mas não tinha coragem de ir no banheiro, pois ele era daquele tipo que fica com a parte de cima da porta aberta e era ao lado das redes onde dormiam o Carlos e o Seu Moacir. Minha timidez me impediu de fazer xixi com eles ouvindo e eu acabei optando por urinar no mato, do lado de fora da casa, mesmo com medo de algum bicho.
O despertador tocou as 3h30 da manhã. O gerador de luz da Luzia estava desligado e nos restou a lanterna para conseguir trocar de roupa e arrumar as coisas. Depois de um rápido café da manhã, iniciamos viagem.
Montei no cavalo e as primeiras horas foram as mais difíceis. Nunca tinha montado e não conseguia conduzi-lo direito. Ele relinchava e ia devagar. A minha sorte foi que o bicho era manso e esperto e rapidamente fui me acostumando a lidar com a rédea e o chicote e depois de pouco tempo estava trotando sem dificuldades. Seu Moacir não saía do meu lado e íamos tentando nos comunicar. Eu mal conseguia entender o que ele falava e pra piorar, sua timidez complicava ainda mais a comunicação. Aos poucos, fomos nos acostumando um ao outro e eu consegui perguntar:
- Seu Moacir, qual é o nome do cavalo?
E ele, tranquilamente:
- Chama cavalo mesmo...


Saímos da Luzia, ainda noite, com uma lua cheia linda, que iluminava o caminho e nem precisávamos usar lanterna. As primeiras horas de caminhada foram na praia, cerca de 16km beirando o mar.
Trekking pelos Lençóis Maranhenses
Primeiras horas de caminhada, ainda na praia

A maré estava alta e isso dificultou um pouco, pois fomos pela areia fofa, que cansa mais pra quem caminha. O dia começou a clarear e o Sol apareceu, tímido, no mar. Muitas nuvens o cobriam e eu agradeci por isso. Afinal, nada melhor pra caminhar no deserto do que um dia nublado.
O Thiago ia devagar e nitidamente cansado e minha preocupação só aumentava. Será que ele vai conseguir? Era meu único pensamento. E não era só meu. Seu Moacir falava: Não sei se ele chega, não. O rapaz é FORTE (gordo,ele quis dizer?). Chegamos a planejar pegar mais um cavalo, na Baixa Grande, pra ele usar nos demais dias da travessia. Claro que essa conversa toda foi longe do Thiago, que andava lá atrás de nós, esbaforido.
Mas quando saímos do mar em direção ao interior e entramos nas dunas, fomos surpreendidos: o danado disparou e em vários momentos chegou a ficar na frente do guia. Não demonstrava mais cansaço e esbanjava energia. O mais engraçado era a explicação do seu Moacir: Agora, botei fé no Thiago. O rapaz é FORTE (saudável, ele quis dizer?). Curioso como que, na ausência de um repertório linguístico amplo, as mesmas palavras eram usadas,  mas mudavam completamente de sentido e era a entonação da voz que nos permitia configurar o significado do que Seu Moacir dizia. Em vários momentos, minha comunicação com ele foi marcada por essa dificuldade: eu não apreendia o significado da palavra (e, muitas vezes, não entendia nem sua pronúncia marcadamente nordestina), mas comecei a me comunicar pela entonação da voz e, aos poucos, bem aos poucos, fui compreendendo o pensamento daquele homem simples e encantador.
Trekking pelos Lençóis Maranhenses
Abandonando o mar, em direção ao interior dos Lençóis


Com a chegada nas dunas, começamos a deslumbrar o que são os lençóis maranhenses. Logo depois que deixamos a praia, já estávamos no meio do nada, cercado de areia pra todos os lados e o senso de direção começou a falhar. O que parece ser perto não é e as dunas confundem o sentido: olha-se pro horizonte e acha-se que é reto até determinado ponto, mas logo isso configura-se falso com inúmeras dunas que parecem brotar do nada, como numa ilusão de ótica.
A paisagem, nesse primeiro dia, ainda era bem influenciada pela proximidade do mar: areia mais grossa, dunas mais baixas e alguma vegetação rasteira. E conforme vamos caminhando em direção ao interior, as dunas tornam-se mais altas, a areia mais fina e branca e a vegetação some completamente.

Depois de cerca de quatro horas de caminhada, desde a saída do Canto do Atins, fizemos nossa primeira parada, numa lagoa de águas azúis e com uma gramínea no fundo. Muitas lagoas dos Lençóis tem peixes e isso é incrível, já que muitas delas secam no período da estiagem e ficam só os ovos dos peixes que voltam a eclodir, no período de chuvas.

Descer do cavalo, foi um alívio. Minha virilha estava doendo horrores e eu já não tinha mais posição pra ficar em cima do bicho. Consegui relaxar, comemos bananas e curtimos o banho na lagoa, o primeiro dos Lençóis Maranhenses.
Trekking pelos Lençóis Maranhenses
O cavalo e a vegetação típica de  gramíneas do trecho próximo ao mar


Depois de uma meia hora de descanso, seguimos viagem. Nesse momento, surgiu o chavão que nos acompanharia o resto da travessia. Seu Moacir incitava o Thiago a me colocar em cima do cavalo com palavras de estímulo: esse ômi nutriiiiiido consegue levantar a muié, sô. E junto dessas, ele falava outras palavras incompreensíveis, que nos faziam rir a ponto de perdermos a força pra subir no cavalo. Sempre a entonação regendo nossa comunicação.

Nessa altura, já havíamos caminhado uns bons 20km e o Sol já começava a castigar. Comecei a agradecer de termos decidido fazer a travessia no sentido mar-interior, pois seguíamos no sentido oposto ao Sol, que batia nas nossas costas e estávamos na mesma direção do vento, que sempre sopra em direção ao interior. No sentido oposto, encararíamos o Sol de frente e iríamos contra o vento, o que, sem dúvida, dificultaria a caminhada.
Trekking pelos Lençóis Maranhenses
E eis que surge a primeira lagoa...


Nesse primeiro dia, atravessamos muitas áreas de atoleiros e de quase areia movediça. Senti na pele o terror de ser engolido pela areia, quando meu cavalo atolou (comigo em cima), numa poça de lama. Seu Moacir havia calculado a profundidade do alagado, mas errou nos cálculos e quando passamos, ploft, o cavalo afundou até a barriga e eu fui junto. Eu, simplesmente, não conseguia me mexer e estava dentro da lama até a cintura. Tive que fazer uma força descomunal para me mexer e quando conseguia sair do lugar, novamente escorregava e caía. Depois de muito esforço e de me sentir uma baleia encalhada, consegui sair do atoleiro. Mas ainda tínhamos dois problemas: minha câmera (que tinha ficado pendurada no meu pescoço) estava inundada de areia e meu cavalo estava atolado na lama até a barriga.
Foi necessário que o Seu Moacir, o Carlos e o Thiago usassem de muita força pra literalmente guinchar o bichano e demorou até que eles conseguissem liberá-lo da lama. Já minha câmera, não tinha jeito: era esperar secar pra ver o que tinha sobrado. Tirei a bateria e rezei.
Cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Segundos antes de cair no atoleiro

Seguimos em frente e caminhamos por mais algumas horas, passando por lagoas e dunas incrivelmente lindas. Eu estava encantada e foi um exercício doloroso o de apenas observar a paisagem sem fotografar, já que me acostumei a fazê-lo e é algo que me dá imenso prazer. Mas foi bem interessante me desapegar um pouco da câmera e simplesmente curtir o lugar.
O Thiago estava com o celular e tirou algumas fotos.
Cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Eu, Seu Moacir e o Cavalo
(foto do celular)

Lagoas cristalinas nos Lençóis Maranhenses

O Sol, cada vez mais forte, começava a incomodar. Eu já estava rezando pra chegar logo, não só pelo calor, mas pelo incômodo de ficar montada no cavalo, sem ter mais posição.

A Baixa Grande

Subitamente, a paisagem mudou. Começamos a avistar árvores relativamente altas e com bastante folhagem: era a Baixa Grande. Incrível como que, de repente, surge aquele lugar, no meio do nada. Parece uma miragem. Começamos a andar pelo oásis e eu queria já descer do cavalo, mas Seu Moacir insistiu: Vai até o fim pra Dona Odete ver o cavalo chegar na casa dela. Dona Odete era a esposa do Seu Moacir e era na casa deles que ficaríamos hospedados aquele dia.
Nativos da Baixa Grande
Chegando na casa da Dona Odete
Nativos da Baixa Grande nos Lençóis Maranhenses
Nossos adoráveis anfitriões: Seu Moacir e Dona Odete

Chegamos na Baixa Grande por volta das 11h, completando 24km em sete horas de caminhada. O cansaço era tanto, que nem trocamos de roupa e deitamos na rede, já que não haviam camas por lá. Dormimos quase imediatamente e fomos acordados apenas para almoçar. Dona Odete nos preparara galinha caipira e nós comemos com gosto.
Durante a refeição, conversamos bastante com aquela mulher simples e conhecemos um pouco mais da realidade do lugar. Na Baixa Grande, moram cinco famílias e não há igreja, nem praça, nem escolas, nem sequer ruas. As condições de vida são duras: a energia vem do gerador, que é ligado a cada três dias,TV tem, mas não tem antena parabólica (Seu Moacir nos contou que a antena seria instalada naquela semana). A alimentação vem dos animais que eles criam ali (porco e galinha, principalmente) e pra pescar eles precisam caminhar mais de 20km até o mar. Dona Odete tem uma pequena horta suspensa (pois no chão, a areia impede a sobrevivência das plantas) com alguns temperos. Os demais itens de sobrevivência vem de Barreirinhas, quando eles conseguem transporte. Apenas os moradores dos Lençóis Maranhenses podem usar carro dentro das dunas. Todos as outras pessoas são proibidas pelo IBAMA, exceto em caso de emergência. Aliás, mesmo a quantidade de moradores da região é controlada pelo IBAMA. Apenas podem morar aqui quem já vivia antes da criação do Parque Nacional dos Lençós maranhenses,em 1981 ou quem se case com um nativo da região. Os nativos vivem certa apreensão quanto a isso, pois houve uma tentativa de tirá-los de lá, quando o Parque foi criado e eles precisaram lutar para continuarem vivendo ali.
Dona Odete nos contou suas dificuldades com médicos e insistiu que, apesar das dificuldades que ainda enfrentam ali, considera que sua vida melhorou muito, após a criação do bolsa-família e também com o incremento do turismo na região, pois antes não tinham de onde tirar o dinheiro. Foi uma conversa surpreendente pra mim, pois não imaginava que alguém ainda vivesse nessas condições.

Após o almoço, dormimos mais e acordamos apenas no fim da tarde.
Foi quando voltei a mexer na minha câmera fotográfica pra ver o que havia restado dela. Após tirar muita, MUITA areia de dentro, liguei e, ufa, ela funcionava. A qualidade da imagem não ficou a mesma e o zoom parou de funcionar, mas só de poder usá-la já me trouxe alegria.

Com a câmera de volta ao meu pescoço, seguimos para ver o pôr do Sol, numa lagoa próxima da casa de Seu Moacir. Depois de uma caminhada rápida, chegamos e tomamos um banho gostoso e logo procuramos um lugar pra apreciar o pôr do Sol. Realmente não nos decepcionamos e é, de fato, um espetáculo ver o Sol desaparecer entre as dunas. O céu fica com todos os tons de amarelo, laranja, vermelho e lilás. É indescritível.
Baixa Grande, oásis nos Lençóis Maranhenses
Caminhada pela Baixa Grande


Pôr do Sol nos Lençóis Maranhenses
Pôr do Sol, na Baixa Grande


Pôr do Sol nos Lençóis

Voltamos para a casa e fomos tomar banho. O chuveiro ficava do lado de fora da casa e enquanto estávamos no chuveiro, sapos enormes passavam em volta e a sensação foi algo em torno do medo e do bizarro.
Depois do banho, nos juntamos aos donos da casa e Seu Moacir estava todo feliz, assistindo sua TV (sem antena parabólica), que passava um DVD de música sertaneja ruim. O gerador ligado é motivo de festa no pequeno rancho, já que não é ligado todos os dias. Conversamos mais com aquela família humilde e me encantei com a felicidade deles com coisas simples. A lógica de vida ali é outra e as expectativas também. Confesso que, por segundos, os invejei.

Dormimos cedo e mais tranquilos, já que o dia seguinte seria mais leve: apenas 10km de caminhada até Queimada dos Britos.

Segundo dia de Travessia dos Lençóis Maranhenses

Acordamos as 5h e o Sol já estava nascendo. Foi o tempo de tomar um café (delicioso) com Dona Odete e começar nossa caminhada. Aproveitamos que a caminhada seria mais curta pra ir mais devagar e apreciar a paisagem.
As dunas desse trecho são espetaculares e algumas chegam a inacreditáveis 100m de altura. Passando por elas, sentimo-nos minúsculos diante da força da natureza. Aqui, a areia é mais fina e branca do que observamos no primeiro dia de caminhada e com a força do vento, nossas pegadas são rapidamente apagadas. Uma sensação de inconstância e finitude que chegam a angustiar.

Seguem fotos desse trecho da caminhada:

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Lagoas lindas e nos mais diversos formatos e cores

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses



Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Não dá pra enjoar

No meio do caminho, encontramos uma tartaruga. Mas como assim uma tartauga no meio dos lençóis, a mais de 20km do mar? Nosso guia nos explicou que elas ficam vivem ali e no período de chuvas bebem tanta água, que enchiam e na estiagem,vivem da água que absorveram. Incrível.
Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Tartaruga no meio dos Lençóis Maranhenses

A Queimada dos Britos

Fizemos uma única parada para banharmos numa lagoa e em cerca de duas horas chegamos na Queimada dos Britos. Uma agradável coincidência foi que esse dia era o aniversário do nosso guia, Carlos Queimada, e ele poderia passar o dia na casa de sua família, onde nos hospedaríamos. Chegamos e um bolo nos esperava para comemorar o aniversariante.
A Queimada dos Britos é maior que a Baixa Grande e aqui moram quatorze famílias. A casa dos pais do Carlos tem bem mais estrutura que a do Seu Moacir. Aqui, eles ligam o gerador todos os dias, assistem novela, recebem mais turistas (muitos que chegam de carro, infelizmente) e até conhecem artistas (o filme "Casa de Areia" foi gravado aqui) e o contato com eles já é mais influenciado pela lógica do turismo de massa. Uma realidade bem diferente.

Passamos o dia descansando, conversando e assistindo o jogo de cartas dos nativos.
Segunda parada do trekking, na Queimada dos Britos
Nosso quarto, na Queimada dos Britos
No fim da tarde, fomos levados pela sobrinha do nosso guia, uma gurizinha dos seus nove anos, até uma lagoa próxima dali. No caminho, a pequena foi nos explicando o que víamos, séria e compenetrada, uma graça.

Caminhamos mais que na  Baixa  Grande e chegamos numa lagoa agradável. O pôr do Sol foi lindo, mas acho que ainda preferi o da Baixa Grande.
Pôr do Sol na Queimada dos Britos, oásis dos Lençóis Maranhenses.
Pôr do Sol, na Queimada dos Britos

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses

Mais uma vez, dormimos cedo e nos preparamos para o dia mais cansativo da viagem. No dia seguinte, enfrentaríamos mais 28km até Santo Amaro.

Terceiro dia de Travessia dos Lençóis Maranhenses

Acordamos, mais uma vez, ainda no escuro e começamos a caminhada às 3h30, ainda mais cedo do que no primeiro dia. Levamos uma hora para sair da Queimada dos Britos, antes de voltar aos Lençóis propriamente dito. Fiquei impressionada com o tamanho do oásis, que pensei ser menor.

Seguimos boa parte do trajeto no completo escuro e foi uma sensação estranha a de ver sombras que eu não sabia se eram dunas, ou lagoas. Foi uma experiência sensorial nova pra mim. Meus sentidos estavam completamente desnorteados.

Quando começou a amanhecer, foi incrível. A areia assume tons de rosa e azul e as lagoas ficam escarlate. Um espetáculo.
Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Nascer do Sol, nos Lençóis Maranhenses
Nesse dia, o Thiago estava visivelmente mais cansado. Fizemos várias paradas para banho em lagoas e faltando uns 10km ele teve cãimbra no pé, pois nossas frutas tinham apodrecido e ele não estava repondo eletrólitos. Além disso, o Sol nesse dia estava forte desde cedo, ao contrário do primeiro dia que esteve nublado no começo da manhã. Foi, sem dúvida, o trecho mais difícil e que mais exigiu superação.
Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Sobe duna e desce duna

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses


Nesse trecho, começamos a ver marcas de pneus de carros, o que me deixou muito incomodada de constatar que o cuidado com a preservação ambiental está longe de ser prioridade das agências de  turismo. Passamos, inclusive, por um local onde um carro deve ter atolado, pois haviam paus e um buraco enorme ao lado das marcas dos pneus. Chegamos a ver de longe dois buggys no caminho. Aliás, esses foram nosso único contato com humanos em toda a travessia.

Esse terceiro dia de caminhada foi quando passamos por dunas mais altas e por ondulações maiores das lagoas.

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Dunas sem fim


Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses

Nosso único problema em toda travessia foi com o Carlos, que parecia estar com pressa e em vários momentos, sumia das nossas vistas, quando éramos guiados por Seu Moacir. Em certo momento, chegamos a pegar o caminho errado e Seu Moacir precisou dar uma volta enorme, por causa do cavalo, que não passaria na lagoa que surgiu no caminho. Além disso, tive que pedir que ele desligasse o radinho de pilha, já que nós queríamos estar nos Lençóis por completo, sem  barulhos externos.
Tirando isso, o contatos com os guias foi ótimo e enriquecedor, apesar do Thiago achar que conseguiria fazer a travessia apenas com uma bússula e o GPS.

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Contornando a lagoa
Seu Moacir, aliás, foi o grande parceiro do Thiago, nesse último dia. Os dois passaram a maior parte do tempo conversando e acho que foi a forma que ele encontrou de motivar o Thi, nos últimos quilômetros de caminhada.
Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Parceiros
Depois de umas cinco horas andando, vimos lá longe, algumas palmeiras. Era Santo Amaro do Maranhão. Apesar de parecer próximo, ainda faltava bastante e nosso limite começou a ser testado.
Com muito esforço, chegamos na famosa Lagoa da Gaivota, que é onde os turistas que vão até Santo Amaro, costumam ir. Ali, já cruzamos com várias toyotas e voltei a me sentir na civilização.

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Lagoa da Gaivota
O banho na lagoa renovou nossas forças e foi até fácil completar mais uma hora de caminhada até a entrada de Santo Amaro. O que muito me impressionou foi o término abrupto dos Lençóis. De repente, a areia branca acaba e começa uma areia mais avermelhada e quente. Chega a ter um degrau separando as duas areias.

A sensação de chegar ao fim foi incrível. Mas a caminhada não tinha terminado. Dentro de Santo Amaro ainda precisávamos caminhar alguns metros. Na entrada da cidade, cruzamos com um grupo de estudantes, saindo da escola e Seu Moacir comentou, com os olhinhos brilhando de alegria:
- Está na hora do almoço, hora que eles saem da escola.
E falou com ar de guia, como se estivesse nos ensinando algo novo. Nessa hora, me dei conta de como eles vivem numa realidade diferente da nossa.

Chegamos, em fim, na pousada que seria o ponto final da caminhada. O Carlos pediu uma cerveja e fizemos um merecido brinde: aos Lençóis Maranhenses!
Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Conseguimos!
As despedidas foram emocionadas e me arrependi de não termos pedido o telefone do Seu Moacir, que tanto nos cativou naqueles três dias.

Almoçamos e tivemos pouco tempo pra descansar até a chegada da Toyota que nos transportaria até Sangue (de onde pegaríamos outro transporte até são Luis). Às 13h30 entramos na Toyota e levamos quase uma hora só pra sair da cidade, devido ao hábito dos serviços de transporte das pequenas cidades nordestinas de irem buscar os passageiros um-a-um em suas casas. Depois disso, iniciamos uma viagem verdadeiramente INFERNAL de três horas de duração para atravessarmos um trecho de menos de 30km, pelas areias fofas que separam Santo Amaro de Sangue. Não parávamos de saculejar lá dentro, além de receber chicotadas das árvores que quase entravam no carro. Ainda tivemos sorte de estar no lado da sombra, pois quem sentou do lado oposto, ainda teve que encarar o Sol forte. No caminho, passamos por um boi que, ao ouvir o barulho do carro, se sentiu ameaçado e começou a pular (como numa  vaquejada) e correu atrás de nós, durante alguns minutos. Foi engraçado e medonho, ao mesmo tempo.
Enfim, chegamos ao vilarejo de Sangue e de lá, pegamos uma van até São Luis. Foram mais três horas (dessa vez,em estrada asfaltada) até nosso destino final.

Posso dizer, sem pensar muito, que esse foi o dia mais cansativo da minha vida.  E viveria-o mil vezes mais, se preciso fosse.

Mais fotos:

Início da caminhada
Atins


Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Canto do Atins


Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses


Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Descendo mais duna

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
A lua alta, em plena luz do dia

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Beduínos, no deserto

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses

Dunas e lagoas na Rota das Emoções

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Rota das Emoções, com luxo

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses
Queimada dos Britos

Trekking e cavalgada pelos Lençóis Maranhenses




Informações práticas:

Onde começa o trekking?
O percurso é sempre realizado entre o Canto de Atins e Santo Amaro do Maranhão e é possível começar de qualquer dos dois pontos, porém é altamente recomendável começar do Canto de Atins pelos seguintes motivos:
1- no sentido Canto de Atins => Santo Amaro, o Sol fica a maior parte do tempo batendo nas costas e não no rosto, já que a caminhada se inicia sempre na madrugada (mais ou menos 4h da manhã) e termina próximo ao horário de almoço. Isso faz toda a diferença, já que não há sombra no deserto e poucos são os dias nublados, ou seja são grandes as chances de você ter que enfrentar o calor.
2- o vento nos Lençóis Maranhenses sempre sopra no sentido Canto de Atins => Santo Amaro, ou seja, caminhando nesse sentido você vai a favor do vento (e cansa menos), além de não receber areia no rosto (lembre-se: você caminhará entre as dunas)

Como chegar ao Canto de Atins?
Nós chegamos a partir de Caburé e pegamos carona numa barco até Atins e dali caminhamos 6km até o Canto de Atins.
Mas a forma mais fácil é contratando um passeio padrão a partir de Barreirinhas, que desce o Rio Preguiças. As agências também oferecem translado de buggy, mas lembre-se que é proibido andar de carro dentro dos Lençóis Maranhenses, por questões ecológicas (quando você olhar a finurinha do grão de areia das dunas, vai entender o quão destrutivo pode ser um carro pesando toneladas passando por cima daquilo)

Quanto se caminha em cada dia?
Trecho Atins-Canto de Atins: 6km
1º dia: Trecho Canto de Atins- Baixa Grande: 24 km
2º dia: Trecho Baixa Grande-Queimada dos Britos: 11km
3º dia: Trecho Queimada dos Britos- Santo Amaro do Maranhão: 28km

Precisa de guia?
O guia não é obrigatório, mas é altamente recomendável. Dentro dos Lençóis Maranhenses, as dunas cobrem o horizonte e só vemos areia e lagoas pra todos os lados, o que dificulta a noção de direção. Além disso, passamos quilômetros sem ver nenhum ser humano, o que pode ser complicado se algo acontecer com você, já que ninguém saberá que você precisa de ajuda e não há sinal de celular por lá.
Um outro fator que é sedutor para contratar um guia é que ele consegue despachar sua mala direto pro destino final e isso economiza peso nas costas, já que assim você caminhará apenas com o necessário para os três dias de trekking.
Quem tem coragem e não se importa de carregar peso, pode usar GPS e tentar a sorte. 

O que levar?
- Boné
- Camisa de manga comprida de preferência com gorro que proteja seu pescoço
- Óculos escuros (as dunas são de uma brancura cegante, acredite)
- Frutas (bananas de preferência) e lanches leves
- Canga (ela terá múltiplas funções, desde proteção do Sol, passando por coberta a noite e até sua função habitual de servir de proteção pra sentar na areia)
- Água (principalmente pro primeiro dia, porque você pode comprar nos locais de parada)
- Repelente (mais pra primeira noite, no Canto de Atins que tem MUITO mosquito. Na Baixa Grande e Queimada dos Britos venta bastante e não sentimos mosquitos)

Algumas considerações importantes
- Prepare-se para dormir em rede e em quarto sem parede, numa espécie de varanda.
- O banho é tipo Big Brother (o chuveiro fica ao ar livre).
- O café da manhã, almoço e janta são oferecidos na Baixa Grande e Queimada dos Britos e a comida é excelente! 





Mais sobre a Rota das Emoções:


11 comentários:

  1. Olá, Ana! Achei seu blog pelo mochileiros.com. Estou planejando (um pouco em cima da hora) fazer a rota das emoções em fevereiro, mas disponho de menos dias, cerca de 11 e iniciarei por SLZ. Sei que é muita cara de pau, visto que vc relatou tudo tim tim por tim tim, mas será que você topa me ajudar a fechar o meu roteiro mais conciso e me ajudar com esses contatos valiosos de guias?? Obrigada!!!! :)
    Thaís

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    Respostas
    1. Olá, Thaís. Fiz a travessia dos Lençóis com o guia Carlos Queimada. Seu cel é: (98) 8734-0615.
      Com 11 dias, acho que o fundamental é vc conhecer os Lençós Maranheses (se for fazer a travessia à pé são 4 dias), Delta do Parnaíba (2 dias) e Jeri (3 dias). Só aí são 9 dias e fiariam 2 dias para deslocamentos e imprevistos. Coloque esse roteiro numa planilha e veja se, de fato, é viável (contando os deslocamentos, que serão grandes).

      Qualquer outra coisa, é só perguntar!

      Abraços,
      Ana

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  2. Olá Ana,

    Estou planejando fazer la travessia dos Lençós Maranheses com meu namorado e minha irmã, mas ela magoou o tornozelo. Uma solução seria para ela andar a cavalo, e portanto, queria te perguntar quanto te costou fazer a travessia do parque de cavalo e si e difícil encontrar um guia.
    Muito obrigada!!

    Aude

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    1. Olá, Aude. O total da travessia (somando guia+cavalo) foi R$1000, preço de maio de 2013. Além disso, vcs vão ter gastos com pernoite (R$50) e alimentação (R$20). Encontrar guia não é difícil. Eu fiz com um guia chamado Carlos Queimada. O telefone dele é: +55 (98) 8734-0615 e o email: carlosqueimada@hotmail.com

      Se precisar de algo é só falar!

      Abraços,
      Ana

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  3. sou Fabrício guia na região dos Lençóis Maranhenses,estou aqui pra ajudar a todos que querem conhecer o lugar, email:fabricio.lencois@oulook.com,tel:98988979178 ou watsapp...

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  4. Olá, Ana!
    Li seus relatos no mochileiros e aqui. Excelente texto.
    Vou rodar em janeiro a partir de Teresina, passando por Barra Grande, Parnaíba até São Luís.
    Mas tenho uma dúvida que deve perturbar todo mundo. O trecho Tutoia x Atins. Como muita gente, não queria ir para Barreirinhas para depois subir o rio até Caburé/Atins. Vc tem algum contato/horários sobre transporte neste trecho? É fácil conseguir quadriciclo pra levar a gente até Caburé? Ou contato de algum barqueiro? Abç!

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    1. Sim, esse é o trecho mais chatinho! Olha, o que fizemos foi o seguinte: nosso guia do trekking resolveu isso pra gente (ele nos colocou numa lancha que vinha de Barreirinhas com turistas)! Aliás, a mesma lancha levou nossos mochilões direto pra Santo Amaro e sõ carregaos o peso de poucas roupas pra usar nos 3 dias de trekking! Minha sugestão é você fazer o mesmo, assim passa menos perrengue! rs
      Outra opção, é chegar lá e contratar um barco na hora! Pelo que vi é totalmente possível, mas não sei como seria preço, ou horário!
      Espero ter ajudado!
      Abraços

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  5. Para o trecho de Tutoia para Atins:
    a) Em Tutoia existe vans que sai de Tutoia para Paulino Neves (ou Rio Novo). As vans ficam na praça próximo ao cais de Tutoia, se não engano-me na mesma rua da rodoviária. Você pode perguntar por vans que ai até Paulino Neves (ou Rio Novo) e pegar uma van que levará você até Paulino Neves (ou Rio Novo). Esse trajeto é de no máximo 45 minutos sem paradas em estrada asfaltada.

    b) Em Paulino Neves você pode perguntar onde fica a Pousada da Mazé (agora a Pousada da Mazé está em uma rua próxima a antiga pousada dela). Existe um restaurante/bar enfrente a pousada antiga da Mazé, onde você pode pedir informações se existe alguém que vai para Caburé. Geralmente é uma toyota, ou outro 4x4 ou triciclo???. Na pousada da Mazé, você pode perguntar, porque sempre existe alguém que vai para Caburé. Esse caminho é ao longo do mar e próximo a Paulino Neves entra nas dunas. Dependendo do piloto dá para fazer em 1,5-2 horas.

    c) Em Caburé, você pode pegar um barco pequeno que vai para Atins. Esse trajeto não é aproximadamente 30 minutos de barco pequeno.

    Contato/horário? Eu não tenho nenhum contato, mas se você ligar para Pousada da Mazé pode ter esses contatos. Quanto aos horários, sempre é muito incerto nessa região. Em Janeiro é um mesmo que grande movimentação nesse locais e com certeza não ficará sem se locomover... não aceite a primeira oferta... pergunte para comparar os valores.

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    1. Que explicação didática, Vilardes! Muito obrigada! Você mora nessa região?
      Um abraço

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  6. Ana, eu moro em São Paulo.
    Já estive várias vezes ao local e nessas idas e vindas já passaram 30 anos.
    A última estive nesse local foi agosto de 2015 e a explicação é partes das estórias do local.

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    1. Que maravilha! Ainda quero voltar aos Lençóis Maranhenses, principalmente para reencontrar as pessoas, que tanto me encantaram!
      Bom saber que você sente o mesmo por esse lugar tão mágico! :)

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