domingo, 23 de março de 2014

Bienvenido a Cuba: a chegada em Havana

"Al regresar al borde de esa vida
Donde fluye la cotidianidad
Te das cuenta que enriqueció tu lira,
Me doy cuenta que hay otra libertad."

Chegada à Cuba, em Havana.

Quando fecho os olhos e penso na primeira imagem que me vem à memória dos nossos dias em Cuba, vejo as ruas de Havana, numa área pouco (ou nada) turística, onde o taxista entrou por engano, quando se perdeu para nos levar até nosso destino. Foi um susto: casas em ruínas habitadas como em cortiços, roupas penduradas pro lado de fora dos prédios, pessoas caminhando pelas ruas embaixo de construções que pareciam estar na iminência do desabamento. Um primeiro contato impactante, mas superficial e que foi, aos poucos, se mostrando muito mais complexo do que um susto inocente de quem esperava encontrar um socialismo lustroso e bem aparentado.
Não. Cuba não é bonita num primeiro olhar. É preciso entrar na ilha, esquecer nossos padrões estéticos e econômicos. É preciso viver Cuba, sentir os cheiros (de perfume vagabundo e fumaça de carro velho), ouvir as pessoas, olhar as ruas, as praças, caminhar por entre os cubanos. E logo as belezas aparecem, vagarosas: não há mendigos, não há pedintes nos semáforos, nem crianças remelentas dormindo com suas mães em caixotes embaixo dos viadutos. Aliás, não há crianças remelentas, nem viadutos (ok, há alguns poucos, bem poucos). Não há trabalho infantil. Todas as crianças estão nas escolas. E se algum pai não quiser que seu filho estude, vai pra cadeia. Simples assim. Há médicos, muitos: um por quadra, exatamente. Todos têm luz e telefone por preços módicos em suas casas e todos tem onde morar.
Sim, mas as casas não são bonitas, nem as roupas que eles usam. A internet ainda é rara e o transporte público quase inexistente. A falta de recursos (e de empregos) gera uma informalidade irritante, que é de difícil compreensão para quem não vive aquele cotidiano de jeitinhos e riscos iminentes para se conseguir acesso a alguns serviços básicos (principalmente transporte).

Se eu gostei de Cuba? Sim, me apaixonei. Se eu moraria lá? Não, prefiro meu conforto burguês. Mas não tenho dúvidas que minha faxineira preferia fazer faxina em Cuba. Lá, ela ganharia praticamente igual a um médico e não precisaria pagá-lo para ter seu serviço. E sua filha poderia também ser médica, se quisesse. Ser pobre em Cuba é infinitamente melhor que ser pobre no Brasil. Mas o rico... ah, esse foge, claro, afinal lá ele não vai ter o carro do ano, nem a casa na praia e seu filho vai ser coleguinha de classe do filho da faxineira. Impressionante!

Havana, a chegada em Cuba
Viva Cuba Libre!

Pra mim, seria impossível escrever sobre essa viagem sem deixar transparecer questões políticas, econômicas e até de história pessoal depois de tudo que experimentei em Cuba. Passamos duas semanas vivendo numa lógica completamente diferente da nossa e não tem como ficarmos incólumes à isso. Até agora ainda não consegui concluir muita coisa sobre o que vi no país, mas espero, pelo menos, conseguir organizar as ideias nessa escrita pelos próximos posts.

A chegada em Cuba: Havana


Uma preocupação minha antes da viagem eram os trâmites legais: visto, seguro de saúde, exigência de uma reserva em hotel na primeira noite. Tudo parecia mais complicado do que verdadeiramente foi. O visto compramos no aeroporto na hora do check-in, a reserva em hotel nós não tínhamos e escrevemos um endereço de uma casa particular que encontramos na internet, o seguro de saúde nem foi pedido.
Sem nenhuma complicação e depois de uma viagem bem tranquila, entramos em Cuba com o pé direito: na saída do desembarque uma plaquinha colorida escrita: "Thiago, amigo do Lucas". Era a Estela, irmã de um grande amigo do Thi e estudante de medicina em Havana, pra quem ligamos na véspera da viagem e que foi generosamente nos buscar no aeroporto. Que grande e deliciosa surpresa, pois a Estela nos abriu portas e já nos deu várias dicas de como driblar os perrengues cubanos. Graças à ela, escapamos de alguns. 

A Estela foi nos buscar acompanhada do Ramón, taxista e amigo particular dela, que cobrou um preço camarada para nos levar até a casa particular que tentaríamos nos hospedar. Foi nesse percurso que passamos pelas casas degradadas que relatei no início do post e depois dessa primeira impressão assustadora do país, chegamos na casa da Raquel, no Prado. Pro nosso azar, não havia disponibilidade de quarto lá e a própria Raquel nos indicou a casa da frente para nos hospedarmos. Não sem antes pedir a ajuda da Estela, depois de saber que esta era estudante de medicina, para conseguir avaliar uma queixa ginecológica de sua filha. Confesso que agora, mais madura sobre a situação do país, me pergunto porque a moça não foi direto no seu médico integral (como eles chamam os médicos de família). Farei essa pergunta à Estela na nossa próxima ligação telefônica pra Havana.

Havana, a chegada em Cuba
Habana Vieja

Chegamos na casa particular indicada pela Raquel. A Cary, dona da casa, nos recebeu com certa afobação, correndo e falando rápido, o que me trouxe um certo desconforto, principalmente com a minha lentidão  natural somada a uma noite mal-dormida dentro do avião. Não consegui interagir muito bem com a família e seguimos para um passeio pelas ruas próximas da casa para um reconhecimento geral da cidade. A Estela sempre conosco, nos mostrando os pontos mais importantes e nos dando várias dicas de sobrevivência.

Havana, a chegada em Cuba
Estela (de vestido, à esquerda) e Thiago nas ruas de Centro Habana

Havana, a chegada em Cuba
Centro Habana

Habana Vieja e Centro Habana


Chegamos ao Capitólio e o prédio me surpreendeu. Não conheço o Capitólio de Washington, mas todos os cubanos falam com orgulho que o daqui é apenas um centímetro menor que sua irmã estadunidense. O prédio, de fato, é belíssimo e suntuoso. Sua construção foi concluída em 1929, no governo do ditador Gerardo Machado e acabou sendo palco de importantes momentos da história do país, como o evento de 1933, quando a polícia do ditador abriu fogo contra a população, numa manifestação que ocorria ali contra o regime. O Capitólio foi a sede do governo até o início da Revolução, em 1959. Hoje, funciona no seu interior a Academia Cubana de Ciências, mas a entrada para visitação está bloqueada, devido a obra de restauração (que como todas as obras em Cuba parecem demorar uma eternidade para serem concluídas).

Havana, a chegada em Cuba
El Capitolio e os carros antigos de Havana

Vendo a foto acima, me dou conta de que os carros de Cuba merecem atenção especial. Nos primeiros dias, eu não conseguia parar de admirar os antigos modelos norte-americanos da década de 40 e 50, os (feios) modelos russos e poloneses das décadas posteriores e até alguns fuscas brasileiros conseguimos ver nas ruas. É possível varrer a história do país apenas observando os diferentes carros: desde os modelos mais clássicos da era pré-revolucionária, passando pelo apoio soviético após o embargo, chegando aos modelos chineses mais modernos.
Aliás, a maioria dos carros mais moderninhos não são dos cubanos. São alugados por turistas, que fogem do caos do transporte público do país. Mas esse não foi nosso caso. Alugar um carro em Cuba é caro e para nós restou nos juntarmos aos Habaneros na tentativa de se locomover pela cidade. Falei disso em posts posteriores, quando escrevi sobre os últimos dias em Havana na companhia da Estela e de seu namorado, o Jeferson.

Nesse primeiro dia, a Estela precisava estudar para uma prova de ginecologia e precisou nos deixar. Combinamos de nos encontrar nos últimos dias da viagem, quando ela estaria mais tranquila. Nós nos despedimos imensamente gratos pela gentil recepção e nos separamos.

Havana, a chegada em Cuba
"No se ve bien sino con el corazón. Lo esencial es invisible a los ojos." (Saint-Exupèry nas ruas de Havana)

Paseo del Prado


Seguimos nossa caminhada e andamos por algumas ruas mais residenciais até chegarmos ao Paseo del Prado, uma simpática avenida toda arborizada e com charmosos bancos de mármore ao longo da via. Era domingo e o lugar estava tomado de crianças andando de patins e adolescentes de skate. Os pais conversavam tranquilamente sentados nos bancos e alguns idosos jogavam dominó.
Posso dizer que foi ali que comecei a gostar de Cuba. Caminhar pelo paseo com o ar fresco do fim da tarde e com toda aquela gente tranquila e sorridente me fez resgatar os motivos da minha viagem: conhecer como vivem e o que pensam os cubanos.

Havana, a chegada em Cuba
Início do Paseo del Prado

Foi uma caminhada muito agradável, observando a arquitetura ao redor, ao mesmo tempo imponente e degradada. Algumas literalmente em ruínas.

Havana, a chegada em Cuba
Típica cena habanera, no Paseo del Prado

O tempo em Cuba parece funcionar em outro ritmo. Não só pela sensação de que eles vivem em outra década, com seus carros velhos e arquitetura típica, mas pela própria maneira como os cubanos levam suas vidas. Sem internet, ou vídeo-game, as crianças ainda brincam com liberdade pelas ruas: correm, gritam, jogam e parecem viver sem nenhuma preocupação. Ainda mais que o governo garante acesso à escola para todas elas e ainda oferece o material escolar, alimentação e o uniforme é comprado por preços módicos. Aqui, não há trabalho infantil. Ser criança em Cuba é ter a infância dos sonhos. Disso, eu não tenho dúvidas. Ser adulto em Cuba, daí, já é outra história.

Havana, a chegada em Cuba
Crianças brincam tranquilamente, enquanto o prédio atrás parece que vai ruir a qualquer momento

E os cubanos ainda mantém o hábito da boa prosa. Em toda Cuba, encontramos vizinhos conversando pela varanda, praças cheias de burburinho. Sim, falta emprego em Cuba e isso favorece a existência de lugares de convivência ao ar livre. Mas mesmo os que trabalham, não precisam se matar por doze horas ou mais para conseguir seu dinheiro, até porque os direitos básicos já lhe são assegurados. Isso também favorece que as pessoas se permitam a dedicação ao ócio sem culpa. Estão eles errados? Ou seremos nós a nos enganar, nos matando de trabalhar pra comprar bens desnecessários?

Havana, a chegada em Cuba
Ritmo de vida cubano

Enfim, o Malecón...


O Prado termina no famoso Malecón, bem de frente ao Castillo del Morro, que fica do outro lado da baía de Havana, já fora do centro histórico. Nesse primeiro dia, apenas o vimos de longe, imponente e lindo. No fim da viagem, junto com nossos amigos Estela e Jeferson, iríamos até lá ver o pôr do Sol mais bonito de Havana.

Havana, a chegada em Cuba
Castillo del Morro visto do Malecón

O Malecón era minha imagem mais romântica de Cuba, desde que eu assisti o documentário do Wim Wenders sobre o Buena Vista Social Club. As imagens das ondas explodindo no calçadão e molhando a rua são de uma poesia única e sempre me encantaram. Mas nosso primeiro contato com o Malecón foi em dia de maré baixa e sem ondas, num fim de tarde deslumbrante com céu azul sem nenhuma nuvem. Não tinham as ondas, mas tinham os corais cheios de pescadores, enchendo de vida o lugar. Inesquecível.

Malecón em Havana, na chegada em Cuba
Malecón na maré baixa

O Malecón é o símbolo de Havana. Com uma extensão de 7km, a grande calçada serpenteia a cidade desde o centro histórico até os magníficos prédios de Vedado. Nas duas vezes que passeamos ali (a segunda, no fim da viagem) senti falta de algumas árvores que nos protegessem do Sol caribenho, escaldante de verdade, mas isso não chega a tirar o charme do lugar, principalmente no fim de tarde, quando as luzes mais suaves deixam as construções e a cor do mar ainda mais lindas. Muitos pescadores se reúnem nos corais abaixo do Malecón, já os namorados aproveitam a paisagem para encontros românticos e grupos de amigos batem papo, sempre acompanhados de uma garrafa de rum. É o ponto de encontro dos habaneros, turistas e, infelizmente dos jineteros.

No Malecón de Havana, na chegada em Cuba
Domingo no Malecón

Os jineteros são figuras comuns, em toda Cuba. São homens e mulheres que ganham dinheiro com o turismo informalmente e ilegalmente, tanto com prostituição, quanto como ganhando comissão de restaurantes, ou casas particulares para levarem turistas até esses locais. Eles ficam nas ruas e abordam simpaticamente os turistas, propondo levá-los para tomar um mojito, ou coisa do tipo. Não são assaltantes, nem ameaçam ninguém. Apenas tentam convencer (alguns insistentemente chatos) a irem até o local, onde ganharão sua graninha extra. Eu e o Thiago até criamos um vocábulo para nos referirmos a qualquer tentativa de um cubano de conseguir algum dinheiro a mais conosco: a jinetagem. E fomos jinetados várias vezes, em Havana, Trinidad, Santiago de Cuba, entre outras cidades. Na maioria das vezes, simplesmente falávamos que não estávamos interessados e íamos embora. Noutras, precisávamos ser mais incisivos (dizer que vai chamar a polícia sempre os espanta, afinal as leis em Cuba são rígidas). Mas algumas vezes, éramos enganados e não percebíamos: cobravam por coisas que eram de graça, ou falavam um preço mais caro que o determinado, quando percebiam que éramos turistas. Muitas vezes, só percebíamos depois e passamos alguns momentos de raiva com isso. Chegamos mesmo a colocar o item jinetagem no nosso orçamento, junto com hospedagem, alimentação e transporte.

Na verdade, nós ainda tivemos sorte, pois muitos pensavam que o Thiago era cubano, já que ele é negro e alto, além de falar bem o espanhol. Eu, branquela como sou, não enganava ninguém, mas eles pensavam que eu era a estrangeira que estava passeando com o meu jineteiro cubano. Muitos se assustavam, quando o Thi dizia que era brasileiro e isso nos salvou de algumas jinetagens. Mas europeus branquelos são alvos fáceis e certeiros.

No Malecón de Havana, na chegada em Cuba
Um lada (carro russo da década de 80) passeia no Malecón

Penso que o jineterismo surgiu como um efeito colateral da abertura de Cuba ao turismo, após a queda do muro de Berlim e fim da União Soviética, na década de 90. Esse foi um período dificílimo (chamado Período Especial) pra economia cubana, quando várias medidas de racionamento energético e até de restrição alimentar foram impostos. Foi em meio a essa crise, que o governo abriu a ilha caribenha  para o turismo, a única solução possível  naquele contexto, para conseguir divisas para o país. Com isso, Fidel criou um sistema com duas moedas: o CUC (moeda do turismo, que é equiparado ao dólar) e o CUP, ou Peso Cubano, que vale 1/24 CUC, ou seja quase nada. Como a moeda do turista vale infinitamente mais que a moeda nacional, todos querem, de uma forma ou de outra, ter acesso à ela. Apesar dos cubanos terem seus direitos básicos, eles querem mais (roupa, celular, carro, etc) e trabalhar com turismo é a forma mais rentável de se conseguir esses luxos na ilha.

No Malecón, passamos incólumes pelos jineteros (provavelmente, todos pensavam que o Thi fosse cubano) e achamos um paladar, bem em frente ao mar, onde resolvemos comer e tomar nosso primeiro mojito verdadeiramente cubano.

Havana, a chegada em Cuba
Meu jinetero e seu primeiro mojito cubano

Os paladares são restaurantes privados, mais baratos do que os restaurantes chiques dos gringos ricos, mas caros para a maioria dos cubanos que não tem acesso ao CUC. Comemos em vários paladares em todo o país e somente um nos agradou, na cidade de Sancti Spiritus. Em todos os outros, comemos mal e não pagamos assim tão barato. A melhor comida foi mesmo a das casas particulares, sem dúvida.

Prédio abandonado em Havana, a chegada em Cuba
Prédio abandonado no Malecón, ao lado do paladar

O cansaço começava a bater, principalmente depois de uma noite no avião e decidimos voltar pra casa e dormir cedo. No caminho, passamos pela Iglesia del Ángel Custódio, importante construção de 1689, localizada estrategicamente entre o antigo Palácio Presidencial (hoje Museo de la Revolución) e Habana Vieja. Um céu róseo deixou a igreja com ares de irrealidade, mas as ruas ao redor com suas casas degradadas nos trouxeram rapidamente de volta à realidade.

Havana, a chegada em Cuba
Iglesia de Ángel Custodio, ao fundo

Depois de um merecido banho e de já estarmos de pijama, lembramos que não havíamos planejado nada pro dia seguinte. Nosso roteiro inicial parecia não fazer mais sentido depois que conhecemos a Estela. Ela estaria livre somente no fim da nossa viagem e para poder aproveitar sua companhia, decidimos ficar em Havana somente nos últimos dias. A ideia, então, seria seguir pras províncias do país, já no dia seguinte. Mas qual delas?
Queríamos pedir a ajuda dos nossos anfitriões da casa particular, mas não havia ninguém em casa. Estávamos sozinhos no lugar. Decidimos, então, ir até a casa da Raquel, que nos recebeu com simpatia. Lá descobrimos que não poderíamos simplesmente ir pra onde queríamos. As passagens de ônibus precisavam ser reservadas na véspera e a estação rodoviária era longe. Os horários também não facilitavam muito.
Lá conhecemos a Charlotte, alemã que acabara de chegar de uma volta completa à ilha, de carro. Ela nos deu várias dicas de lugares e com ela conseguimos pensar mais ou menos num caminho a trilhar. Ao longo dos dias em Cuba, percebemos que os cubanos não conhecem seu país. Viajam pouco, mesmo entre suas províncias. E precisam de autorização para passar mais de quinze dias fora de casa. Portanto, as dicas de viagem mais consistentes eram mesmo dos outros turistas.

Voltamos pra casa ainda sem saber o que faríamos no dia seguinte, mas o cansaço era maior que a preocupação e dormimos o sono dos justos.

Museu da Revolução e partida para Trinidade


Acordamos e decidimos tomar café da manhã na Raquel e deixamos pra lá nossos anfitriões, que nos ignoravam. Com a ajuda dela, decidimos seguir naquele dia mesmo para Trinidad e marcamos um táxi coletivo (a opção mais prática, mas não a mais barata para deslocamentos de média distância, em Cuba), que nos buscaria às 14h, na própria Raquel. Trinidad não era nosso destino prioritário, mas descobrimos já naquele comecinho de viagem que nossos destinos não seriam escolhidos pela nossa vontade e, sim, pela disponibilidade de transporte. Foi assim por todas as cidades que andamos, seguindo o conselho do bamba carioca Martinho da Vila: "deixa a vida me levar; vida, leva eu." E assim foi nas duas semanas seguintes, indo pra onde era possível ir.

Havana, a chegada em Cuba
"Si salimos, llegamos; si llegamos, entramos; si entramos, triunfamos" (Fidel)- Museo de La Revolucion

Assim, teríamos a manhã para conhecer um pouco mais de Havana e seguimos para o Museo de la Revolucion, que ficava literalmente no fim da rua da nossa casa particular. Esse é o museu mais importante do país e, por conta disso, farei um post só sobre ele, aproveitando pra tentar resumir a história de Cuba. Será muito audácia a minha? Talvez, mas os fatos são os fatos. A interpretação deles que, isso sim, é bem complicada de se fazer.


Mais sobre Cuba:


3 comentários:

  1. Oi, Ana!

    Cheguei a postar a dúvida abaixo no site do mochileiros.com. Através de um post seu lá achei seu blog, e resolvi postar a dúvida aqui também. Espero que não haja problema.

    Bom, li vários relatos de viagens a Cuba, inclusive o seu. Como comentei no mochileiros, adorei sua visão, suas reflexões, o modo como viveu a experiência de coração aberto! Pretendo aproveitar a viagem da mesma forma! :)

    Cheguei a montar o seguinte roteiro, para uma viagem a ser realizada em fevereiro/2015, com todos os deslocamento internos em ônibus:

    Dia 1: Chegada em Havana às 16h
    Dia 2: Havana
    DIa 3: Havana
    Dia 4: Havana
    Dia 5: Havana (9:00) - Viñales (12:35)
    Dia 6: Viñales
    Dia 7: Viñales (7:30) - Cienfuegos (14:40)
    DIa 8: Cienfuegos (planejando El Nicho)
    Dia 9: Cienfuegos (planejando Plaa Girón)
    Dia 10: Cienfuegos (13:05) - Trinidad (14:35)
    Dia 11: Trinidad (planejando Valle de los Ingenios)
    Dia 12: Trinidad (planejando Playa Ancón)
    Dia 13: Trinidad (8:00) - Camaguey (12:40)
    DIa 14: Camaguey (planejando Playa Santa Lucia/la Boca)
    Dia 15: Camaguey (6:30) - Santiago (12:20)
    Dia 16: Santiago
    Dia 17: Santiago
    Dia 18: Santiago (7:40) - Baracoa (12:35)
    Dia 19: Baracoa (14:15) - Santiago (19:15) - embarque em Santiago às 22h rumo a Santa Clara
    Dia 20: Chegada em Santa Clara às 8:35 e partida às 17:10 rumo à Havana. Chegada em Havana às 20:50
    Dia 21: Partida de Havana às 15:50 rumo ao Brasil

    Estou com dois problemas:
    1) Queria passar um dia inteiro em Baracoa, mas não sei de onde poderia tirar. Pitacos?
    2) Dias 19 e 20 estão corridos, com muito tempo dentro do ônibus, motivo pelo qual temo que seja cansativo, a depender do conforto dos ônibus da Viazul. Mais pitacos?

    Desde já, obrigada! :)

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    1. Oi, Camila. Que bom que meu relato lhe ajudou a planejar sua viagem. Fico mesmo feliz! Cuba é um país formidável e tenho certeza de que você vai se apaixonar pela ilha.
      Sobre seu roteiro, tenho alguns pitacos, sim. Segue alguns:
      1- os últimos dias estão bem apertados, já que você chega em Havana à noite para já embarcar pro Brasil na tarde seguinte. Já pensou se ocorre algum atraso, ou imprevisto e você não está em Havana no dia planejado? Perder o vôo de volta pra casa não seria muito bacana, né? rs Pra evitar isso, sugiro que você divida os 4 dias planejados pra Havana em dois dias no começo de sua viagem e dois dias no fim, assim você ganha esses dias de "lastro", caso algum imprevisto ocorra ao longo do seu roteiro.
      2- Outra sugestão "mochileira": faça o máximo de viagens de ônibus durante a noite, assim você dorme no ônibus e não perde um dia de passeios. É claro que isso é mais cansativo, mas se for só duas ou tres acho que dá. Vi que a sua volta pra Havana será à noite, mas se conseguir encaixar outras viagens assim é mais tempo ganho.
      3- Sobre Baracoa: é o lugar mais incrível de Cuba, na minha opinião e não compensa MESMO ficar pouco tempo. Até porque pra chegar lá é uma viagem cansativa, numa estrada cheia de curvas. Eu vejo algumas possibilidades de você passar mais um dia em Baracoa: 1a) pular o passeio do valle de los ingenios de Trinidad. Ele pode ser interessante pra um europeu, mas pra nós que temos as fazendas de açúcar da Bahia e Minas Gerais não tem nada de novo nas fazendas cubanas; 2o) ficar apenas um dia em Santiago: sei que essa é uma das cidades mais famosas de Cuba, mas sinceramente não gostei de lá. Lê meu post aqui no blog sobre Santiago, que você vai entender porque; claro que tem pessoas que adoram, então, é uma questão pessoal, mas tudo que Santiago oferece, Baracoa tb oferece só que com mais autenticidade, então se eu pudesse escolher ficaria só em Baracoa mesmo. Leia também meus posts sobre Baracoa pra entender meus motivos de me apaixonar pela cidade! rs

      No mais, acho que seu roteiro está bem completo e você tem bastante tempo pra curtir a ilha.

      Espero ter ajudado.
      Qualquer coisa, é só me escrever.
      Abraços

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  2. Ana, já tinha agradecido lá no mochileiros e acabei me esquecendo de vir aqui agradecer também! Muito obrigada mesmo!

    Consegui remontar o roteiro e ele ficou assim:

    Dia 1: Chegada em Havana às 16h
    Dia 2: Havana
    Dia 3: Havana
    Dia 4: Havana (bate-volta Viñales particular)
    Dia 5: Havana (8:15) - Cienfuegos (13:00)
    Dia 6: Cienfuegos
    Dia 7: Cienfuegos - Santa Clara - Trinidad
    Dia 8: Trinidad
    Dia 9: Trinidad
    Dia 10: Trinidad (08:00) - Camaguey (12:40)
    Dia 11: Camaguey
    Dia 12: Camaguey (6:30) - Santiago (12:20)
    Dia 13: Santiago
    Dia 14: Santiago
    Dia 15: Santiago (07:45) - Baracoa (12:35)
    Dia 16: Baracoa
    Dia 17: Baracoa
    Dia 18: Baracoa (14:15) - Santiago (19:15)
    Dia 19: Santiago (18:45) - pernoite no ônibus rumo a Havana
    Dia 20: Chegada em Havana às 07:20
    Dia 21: Partida de Havana às 15:50 rumo ao Brasil

    Deu pra deixar algum "lastro" entre a volta a Havana e a volta ao Brasil, como você havia sugerido. Os pernoites em ônibus me deixam meio receosa porque a maioria das rotas da Viazul têm várias paradas durante a madrugada. Como meu noivo tem um sono ruim, é possível que ele precisasse descansar assim que chegássemos ao destino, não valendo a pena o sacrifício da noite em trânsito. O pernoite nesse horário entre Santiago e Havana que incluimos (18:45-07:20) só faz uma parada, em Camaguey, então deve ser tranquilo. Deu pra encaixar pelo menos dois dias inteiros em Baracoa, ufa...! E Santiago acabou ficando "folgado", mas estamos pensando em fazer uma caminhada na Sierra Maestra.

    O principal "sacrifício" foi em Viñales, mas já entramos em contato com uma família de lá e vimos que é viável fazer um bate-volta particular do jeito que queremos saindo de Havana, incluindo, além daquele básico que as agências fazem, as Cuevas Santo Tomas e San Miguel.

    Bom, muito obrigada mesmo pela atenção e ótimos pitacos! Continuarei atenta aos seus posts e às suas visões do Brasil e mundo afora... :)

    Um beijo!

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