quarta-feira, 4 de março de 2015

On the Road: sobre as cachoeiras do caminho


"Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã..."
(Nada será como antes- Milton Nascimento)
Alguma estrada de Santa Catarina

Viajar de carro é uma delícia pela liberdade que nos possibilita, pelas descobertas do caminho, pela flexibilidade no roteiro. É claro que tem suas desvantagens, principalmente se for para grandes distâncias, já que o tempo gasto nos deslocamentos é bem maior do que o transporte aéreo. Mas, mesmo assim, ainda acho o melhor jeito de viajar. Foi assim na nossa viagem de fim de ano, quando conhecemos lindas cachoeiras desconhecidas pelo grande público e percorremos lindas paisagens nos doze dias que percorremos as estradas da região sul do país, entre São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Decidi dedicar um post inteiro para falar desses pitorescos lugarejos que fomos desbravando no caminho e que tornaram nossa viagem mais mágica e surpreendente.

O Vale da Ribeira

A primeira agradável surpresa foi ainda em São Paulo: o Vale do Ribeira, onde conhecemos a Caverna do Diabo e onde fica o famoso PETAR. Mas o que ninguém conhece são as comunidades da região e descobrimos a mais antiga delas, o Quilombo Ivaporunduva, localizado do município de Eldorado e fundado no século XVI, onde oitenta famílias sobrevivem basicamente da agricultura, princialmente da banana, que domina a paisagem da região. O curioso da história do quilombo é que as suas terras foram herdadas pelos escravos, já que sua antiga dona falecera sem deixar herdeiros. Ali, portanto, desenvolveu-se uma cultura diferente dos tradicionais quilombos, que eram fundados por escravos fugidos.

Igrejinha do Quilombo Ivaporunduva, ainda no estado de São Paulo
Igrejinha do Quilombo Ivaporunduva

Chegamos na comunidade já no fim da tarde eu eu evitei de fotografar muito, já que nitidamente eles não estão acostumados a receber visitantes e estranharam a nossa presença. Entramos num botequinho e lá travamos uma conversa gostosa com uma negra idosa, que muito nos lembrou a avó do Thiago.

Igarapé do Rio Ribeira, ainda no estado de São Paulo
Igarapé do Rio Ribeira 

Rio Ribeira do Iguape, visto do quilombo
Rio Ribeira do Iguape, visto do quilombo com muitas bananeiras em sua margem

Em Corupá: a Cachoeira do Braço Esquerdo

Outro trecho de estrada que me encantou foi entre Jaraguá do Sul e Corupá, já em Santa Catarina, quando, por acaso, descobrimos uma cachoeira praticamente selvagem, e portanto bem perigosa, num bairro chamado Ano Bom.

Bem vindo ao Ano Bom, já em Santa Catarina

O caminho pra cachoeira era tenso, com trechos bem íngremes. Com jeito e coragem chegamos lá em cima e valeu muito a pena. A Cachoeira do Braço Esquerdo é lindíssima e tem uma queda de 90m. O único problema é que para entrar nela não há um caminho muito seguro e eu não tive coragem de entrar. O Thiago, claro, ignorou o perigo e mergulhou, mas eu fiquei apreensiva e logo pedi que ele saísse de lá. Como ele ainda não tinha saciado a vontade de tomar banho de cachoeira, escolheu ir pra uma queda menor, que fica abaixo da principal e é bem mais segura. O placa brincava dizendo que essa segunda queda era "café com leite". Melhor assim...

Cachoeira do Braço Esquerdo, em Santa CAtarina
Cachoeira do Braço Esquerdo

Thiago se aventurando na cachoeira
(logo à esquerda da pedra onde ele está era o precipício)

Um banho mais seguro na queda café com leite

O lugar também tem um belíssimo mirante da região e é justamente ali que fica uma das maiores atrações pros aventureiros: um paredão perfeitinho pra escalada. E lá estava um grupo grande de escaladores acampados, aproveitando desse benefício. Ficamos bastante tempo observando os movimentos precisos que eles fazem pra subir e a cada queda, fazíamos um coro de: ahhhh, que pena! Foi bem divertido.

Vista da Cachoeira do Braço Esquerdo

Escalador treinando nos paredões próximos à cachoeira

Em Pouso Redondo: Salto Pombinhas

Outra cachoeira que descobrimos na estrada foi a Salto Pombinhas, na cidade de Pouso Redondo, também em Santa Catarina, no caminho para Treze Tílias. Ao contrário da Braço Esquerdo, a Pombinhas tinha forte influência humana e os donos da propriedade onde ela fica modificaram toda a paisagem ao redor para tornar o lugar mais turístico. Tanto que tivemos que passear por lá ouvindo carros de som altíssimos e várias pessoas fazendo seus programas de férias por ali. Apesar disso, a cachoeira mesmo é fabulosa e tem uma cor esverdeado e leitosa, que é única. Nunca havia visto uma cachoeira naqueles tons. Um deslumbre.

Salto Pombinhas
Salto Pombinhas



Para mim, uma das coisas mais interessantes de se viajar é justamente descobrir esses lugares que sequer imaginávamos que existia. A cada descoberta dessas, me surpreendo como somos pequenos nesse mundão véio e sem porteira. E é isso que me faz querer viajar mais e sempre, mesmo sabendo que quanto mais coisas conhecemos, mais descobrimos coisas pra conhecer.


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