segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Cunha tem lavandário? Tem, sim senhor!


Pôr do Sol no lavandário de Cunha

Cunha pra mim sempre esteve associada à mítica Estrada Paraty-Cunha, um dos trechos mais importantes da Estrada Real, mas que há anos passa por um imbróglio judicial por se localizar dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina e, por conta disso, ter sua ampliação constantemente embargada para cumprir determinados critérios de adaptação e preservação ambiental. A cidade também é famosa por sua imensa frota de fuscas (provavelmente, pela valentia desses carrinhos que conseguem atravessar os trechos mais esburacados da estrada). Como se não bastasse, Cunha também guarda um tesouro nos seus famosos ateliês de cerâmica, onde os artesãos utilizam técnicas japonesas já consideradas tradicionais na região.
Mas os encantos dessa cidade, localizada entre o Vale do Paraíba e a Serra do Mar vão muito além disso e um das nossas mais recentes descobertas foi o charmoso Lavandário, dentro de uma propriedade particular à beira da Estrada Paraty-Cunha e que me causou uma adorável sensação de paz pelo cheiro arrebatador que seus campos exalam e por suas cores entre o violeta e o azul.

O lavandário de Cunha.
O Lavandário de Cunha

Minha relação com Thiago nunca se caracterizou pelo romantismo de novela e nossas viagens muito menos. Mochileiros desde que nos conhecemos, sempre estamos embrenhados no mato, passando perrengue, rindo da nossa própria desgraça e desventura. Mas para comemorar três anos de namoro, resolvemos fazer diferente e planejamos uma inédita viagem romântica. Não sem alguma ironia nisso, já que o Thiago esqueceu desse objetivo e chamou um casal de amigos muito queridos pra ir conosco, o que gerou um mega desencontro e atropelo antes da partida pra Cunha e a tal viagem romântica já começou dramática. Acabamos indo sozinhos, mas com os corações apertados e pensando o tempo todo nos dois que deixamos na mão. Portanto, Arhur e Ju, esse post é dedicado inteirinho à vocês, que são mais que parceiros de viagens: são irmãos da vida. Obrigada por existirem e por aceitarem esses amigos loucos que somos, mas que amam vocês de todo o coração.

O lavandário de Cunha

Descobri a existência do Lavandário de Cunha na semana que iríamos para a cidade e imediatamente me interessei em conhecê-lo. Sempre gostei da lavanda e pensar que poderia conhecer uma plantação dessas delicadas florzinhas logo me animou o espírito. Minha mãe usava perfume de alfazema e seu cheiro me remete imediatamente a lembranças de aconchego e proteção, além da já conhecida propriedade calmante e sedativa dessa planta mais que especial.  Andar pelos pequenos arbustos da fazenda foi como flutuar nas nuvens de tanta paz que senti e foi uma experiência tão arrebatadora que voltamos duas vezes no mesmo dia: uma antes do almoço e outro no fim de tarde para assistir o pôr do Sol.

O lavandário de Cunha

A lavanda não é nativa das Américas, isso é fato. Seu habitat natural são as regiões de clima temperado do Mediterrâneo, sendo que as grandes e mais famosas  plantações comerciais ficam mesmo em Provence, no sul da França, onde as condições são ideias ao seu crescimento e desenvolvimento. Mas a verdade é que aqui no Brasil várias regiões tem condições climáticas semelhantes com umidade moderada e temperatura amena, possibilitando o desenvolvimento dessas belezinhas, quando plantadas com boa técnica e cuidados adequados. 
Cunha é um desses lugares e, sem dúvida, que o fato de estar em terreno íngreme com uma bela serra ao fundo, torna a paisagem aqui ainda mais encantadora. Desde 2011, a fazenda produz de forma orgânica várias espécies de lavanda, desde os tipos próprios para a extração do óleo essencial até as espécies adequadas para uso culinário.

O Lavandário de Cunha

E há aqui uma intensa preocupação ecológica e estímulo ao convívio harmônica da plantação com a fauna e floral silvestre, sendo atualmente encontrada espécies de répteis, insetos e aves convivendo com as lavandas em equilíbrio ambiental. Até mesmo uma pequena quantidade de mel é produzido por abelhas da região.

Lavandário de Cunha

Chegamos ao lavandário pouco antes do almoço e lá ficamos por um bom par de horas, extasiados com o cheiro e as cores do lugar. Aproveitamos para conhecer a loja da fazenda, que vende óleos essenciais e produtos cosméticos e culinários, todos derivados da lavanda. Compramos o óleo essencial e em alguns dias já estávamos viciados em pingar uma gotinha dele nos nossos travesseiros antes de dormir. Vício, aliás, delicioso e que nos rendeu ótimas noites de sono. 

Depois de conhecermos cada cantinho da fazenda e de já estarmos apaixonados pelo lugar, o Thiago fez seus cálculos astronômicos e concluiu que o pôr do Sol seria justamente na frente do campo das lavandas. Era a informação que precisávamos para decidir voltar lá ainda naquele mesmo dia.

Almoçamos num pequeno e aconchegante restaurante ali perto e ainda fizemos uma rápida parada na Cervejaria Wolkemburg, que faz uma interessante produção artesanal, onde Thiago comprou algumas dezenas de garrafas de cerveja e garantiu seu estoque do mês, ou da semana, dependendo do ponto de vista e voltamos correndo para o espetáculo do dia.

O Pôr do Sol no Lavandário

Por pouco não chegamos a tempo de ver o pôr do Sol e ainda tivemos que implorar para a funcionária do lavandário nos permitir entrar, mas toda a correria valeu muito a pena. Entramos na fazenda e logo encontramos um cantinho tranquilo para apreciar a paisagem e foi lindo de ver as luzes e as cores se modificando ao nosso redor, enquanto as pequenas flores roxas e violetas se encolhiam e se preparavam para o frio da noite.

As (muitas) fotos que fiz desse espetáculo falam mais do que qualquer palavra.

Pôr do Sol no Lavandário de Cunha

Pôr do Sol no Lavandário de Cunha

Pôr do Sol no Lavandário de Cunha

Pôr do Sol no Lavandário de Cunha

Pôr do Sol no Lavandário de Cunha

Fomos os últimos visitantes a ir embora e, mesmo assim, com uma certa pressão das funcionárias da fazenda, que evidentemente queriam descansar depois de um dia de trabalho.

Aquele domingo ainda nos reservaria um adorável apresentação da Orquestra de Violeiros de Cunha, no Centro Histórico da cidade e uma despedida nostálgica de um fim de semana delicioso, que pra ser perfeito mesmo precisaria apenas da presença dos nossos amigos.


Informações práticas 

Como chegar?
O Lavandário fica no km 54,7 da Rodovia SP-171 (a famosa Estrada Paraty-Cunha).
São 8km a partir do centro de Cunha e todo o percurso é realizado em trecho asfaltado da estrada. Seguindo na direção de Paraty, o Lavandário ficará à esquerda, logo depois de uma curva da estrada e na sua entrada há uma placa e um portão eletrônico com interfone, que é necessário tocar para entrar. 
Pra quem vem de Paraty, o acesso é mais complicado, já que a estrada ainda não está toda asfaltada e há trechos bastante perigosos. Como a sinalização não é das melhores, recomendo ir seguindo a quilometragem da estrada para não perder a entrada.

Como e quando funciona?
O horário de visita é de 10h até o Pôr do Sol de sexta à domingo
Eu recomendo fortemente o entardecer por lá, mas aconselho chegar com duas horas de antecedência para conseguir passear com calma pela propriedade, além de visitar a deliciosa lojinha do Lavandário.
A entrada é gratuita

(informações atualizadas em novembro de 2015)


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