domingo, 17 de julho de 2016

Praia da Marinha, o Algarve em sua melhor forma

"me ajuda a olhar!"
(Eduardo Galeano)
Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.

Enquanto ainda planejávamos a viagem pro Algarve, foi difícil escolher quais praias visitar, afinal a sensação era de que uma vida inteira não seria suficiente pra conhecer todas elas. Algumas, fazíamos questão de ir, como a famosa Praia Dona Ana e outras fomos descobrindo no caminho, deixando o destino nos guiar. Assim, iniciamos a viagem em Faro, a maior cidade do Algarve e de lá seguimos estrada afora até que,  ainda na segunda praia que passamos, nos deparamos com a paisagem da foto que abre esse post. Era a Praia da Marinha, na cidadezinha de Lagoa e o que seria apenas uma paradinha rápida só pra dar uma olhadinha, virou um passeio que durou o dia inteiro, entre caminhadas pelas rochas, banho de mar na areia macia e ainda um passeio de barco pelas grutas da redondeza. Minha paixão por esse lugar foi tanta que a elegi a minha praia preferida no Algarve, quando fiz uma pequena lista das praias de perder o fôlego na região, nesse post.


Dizem que a Marinha foi eleita uma das 100 praias mais lindas do mundo, pelo Guia Michellin
(mas não achei a fonte original pra ter certeza dessa informação)

Parece que tudo conspirou para que tivéssemos uma chegada triunfal na Praia da Marinha: um dia de céu azul turquesa, uma clima ameno de primavera e uma praia ainda vazia. A sensação, quando chegamos era mesmo que entrávamos no paraíso. Eu não sabia pra onde olhar e imediatamente me lembrei de uma pequena crônica do uruguaio Eduardo Galeano:
"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, está do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: ‘Me ajuda a olhar!’." (Eduardo Galeano, em “O Livro dos Abraços”)
Pois foi esse o deslumbramento que senti ali, o precisar de ajuda para olhar aquela maravilha toda.

Explorando a Praia da Marinha


Começamos a caminhar para onde o olhar se fixou mais: as formações rochosas que invadiam o mar, desafiando toda a lógica. Eu me perguntava o tempo todo como aquele monte de pedras havia parado ali. 
A mais famosa arriba (como são chamadas essas formações rochosas que parecem falésias, mas feitas de pedra) é a da foto abaixo, que tem o formato de um elefante. Eu só fui descobrir isso no fim do dia, quando passeávamos de barco e para mim ficou tão evidente o formato do bicho com sua tromba mergulhada na água, que não consigo mais olhar as fotos sem vê-lo ali.

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.
A Pedra do Elefante

Há uma boa estrutura ao redor da entrada da praia, onde mais turistas caminham e há até mesmo um estacionamento para motorhome (muito comuns nessa região e na Europa, como um todo), mas conforme fomos nos embrenhando nas rochas, as escadas e corrimões foram sumindo e ficamos isolados entre as pedras e o mar até que chegamos exatamente onde seria a "cabeça" do elefante, o limite de onde nos permitimos chegar com segurança.

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.
Entre as rochas da Praia da Marinha

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.
Onde está Wally?
(Thiago e seu cavaquinho na "cabeça" do elefante)

O Thiago teve a ótima ideia de levar seu cavaquinho e lá de cima da pedra do elefante, com vista pro areal lá embaixo e pra imensidão do oceano à nossa frente, passamos bastante tempo curtindo a paisagem à nossa volta e aquele momento mágico ainda está intenso e presente nas minhas recordações. Os únicos barulhos eram do mar, dos pássaros e do chorinho tocado pelo Thi. O que querer mais da vida?

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.
A praia vista da Pedra do Elefante

Enfim, o mar do Algarve...


Depois de bastante tempo, começamos a sentir vontade de cair no mar e decidimos que era hora de nos unir aos outros turistas que já estavam na água.  Fizemos o caminho de volta, passando novamente pelo estacionamento de motorhome, até chegarmos na escada que desce uns bons metros até dar na areia grossa e macia, daquelas que afundam bem o pé. Daí, foi só cair pro abraço do mar. Depois de termos estado em várias praias no Marrocos, mas ainda no inverno e com a água muito gelada, foi aqui que o Thi acabou com a abstinência que vinha sentindo por água salgada, que já estava deixando o rapaz doente. E eu não consigo imaginar num jeito melhor pra isso...

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.
Enfim, o mar...

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.

O que ainda não contei é que no caminho entre a pedra do elefante e o mar, passamos por uma simpática moça, que oferecia passeios de barco pela região. Paramos, por curiosidade, mas logo realmente nos interessamos, quando vimos as fotos de grutas lindas, que não teríamos acesso à pé. A curiosidade virou vontade e acertamos o passeio para o último horário do dia. E assim fomos pro mar, já tendo um compromisso marcado na Praia de Benagil, de onde sairia nosso barquinho.

As grutas do Algarve


Arrisco a dizer que a Praia de Benagil perde um pouco a graça, perto das suas vizinhas tão belas, até porque o amontoado de barcos e bares que ficam à beira-mar deixam o lugar agitado e caótico demais. Jamais teria ido ali, se não fosse pra embarcar no passeio que nos levaria às famosas grutas e, esse sim, valeu cada suado centavinho de euro que pagamos (mas a bem da verdade é que nem foi caro). 

Gruta próxima à Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.

Saímos de Benagil pegando inicialmente o sentido oeste, onde vimos várias grutas bem bonitas, mas eu gostei mesmo das grutas que encontramos no sentido leste, indo em direção à Praia da Marinha. Cada uma mais linda que a outra. Algumas, pequeninas, em que só conseguíamos olhar por fora e outras gigantes, onde o barco podia entrar por alguns metros até ficar completamente no escuro. Absolutamente impressionante!

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.
Seja piegas e veja que romântico um coração no teto da gruta
Mas a gruta que mais me impressionou mesmo foi o Algar de Benagil, que como o nome indica fica próximo à praia de onde partimos, mas seu acesso é só pelo mar (o acesso por terra permite apenas ver a gruta de cima, através de seu teto). Ali, a natureza resolveu aprontar e fez uma praia dentro da caverna e, como se fosse pouco, ainda com uma abertura no teto que deixa entrar o Sol. Ou seja, é a praia perfeita: tem sombra pra quem não quer se bronzear e Sol pra quem é da turma que gosta de tostar. Na hora que fomos, já no fim de tarde, o Sol estava baixo e não batia na areia, mas não é difícil imaginá-la iluminada ao meio-dia.

Algar de Benagil, no lLgarve
Algar de Benagil

Aliás, esse foi o único defeito desse passeio: ter saído já no fim da tarde, pois a luz já não estava boa para fotografar e as fotos das grutas ficaram muito aquém do que vimos ao vivo.

O limite mais ao sul do passeio foi a chegada à  Praia da Marinha, nossa já velha conhecida e foi incrível ver por baixo as mesmas pedras que subimos de manhã. Foi nessa hora que descobri o formato da pedra do elefante (que também poderia ser um rinoceronte bebendo água, talvez?) e pude namorar um pouquinho mais esse lugar que eu tanto gostei.

Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal.
Vista do mar

E pensar que esse foi apenas nosso primeiro dia no Algarve (e em Portugal). Muito ainda estava por vir nos dias que se seguiriam...


Informações práticas:

Como chegar?
Nós alugamos um carro em Faro para explorar o Algarve, pois conseguimos preços MUITO justos no site da Autoeurope (algo em torno de €7 a diária!!!!), mas demos sorte por ainda não ser a alta temporada na região. Pra quem vai em alta temporada, ou prefere o transporte público, compartilho esse post  do blog Turomaquia, que vez a viagem pelo Algarve, usando os comboios e ônibus locais, que são muitos.

E o passeio de barco?
O passeio sai da Praia de Benagil, mas pode ser contratado também na própria Praia da Marinha. A duração é de (apenas) uma hora e vale muito à pena, pois realmente a maior parte das grutas não tem acesso terrestre. Minha dica é escolher bem o horário de partida para pegar uma luz boa, pois depois de um certo horário as grutas ficam muito escuras. Os passeios são feitos entre 7h e 16h, mas acredito que o horário do almoço (entre 12h-14h) deva ser melhor.
Custo: £17,50 por pessoa 


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4 comentários:

  1. Excelente reportagem, minha amiga! Conheço já a Praia da Marinha, mas as suas maravilhosas fotos e o texto que as «ilustram» incutem-me uma vontade enorme de revisitar aquele belo cantinho do Algarve.
    Parabéns, uma vez mais, e obrigado por ter visitado o meu blog.
    Abraço do Carlos da Gama

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    1. Quem dera eu pudesse estar numa distância que me possibilitasse visitar o Algarve num fim de semana, Carlos! Aproveite isso! rs
      Obrigada também pela visita, querido! :)
      Um abraço!

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  2. A Ana conheceu o Algarve na altura certa, fora das multidões de Agosto. E tem razão, há muita beleza por ali, capaz de despoletar sensações desconhecidas...
    (Gostei muito da invocação do Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano)

    Boas rotas! :)

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    1. Sim, soube que em Agosto tudo enche e não há a mesma tranquilidade! Isso fez toda a diferença mesmo!
      Eduardo Galeano é sempre uma boa invocação, não é mesmo? :)
      Um beijo

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